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Economia

Após caos na liquidação de Nutella, França quer controlar promoções

media Promoção de Nutella provocou caos em hipermercados na França AFP

A promoção relâmpago de Nutella organizada pelo Intermarché provocou tumulto na França e irritou as autoridades do país. O governo investiga se a rede de hipermercados não vendeu os produtos abaixo do custo, algo proibido pela lei, e tenta controlar esse tipo de liquidação.

A confusão começou na semana passada, quando o Intermarché anunciou a venda de um pote de 950g de Nutella, que normalmente custa € 4,5, por € 1,41. As cenas de caos, mostrando centenas ou até milhares de pessoas desesperadas tentando comprar o produto viralizaram nas redes sociais e deram a volta ao mundo.

A operação, intitulada “As quatro semanas mais baratas da França”, continuou esta semana, quando a rede de supermercados colocou à venda pacotes de fraldas da marca Pampers e café Carte Noire com uma redução de preço de 70%. Em alguns locais a polícia teve que intervir para controlar o tumulto.

"Não queremos mais ver essas cenas", disse ministro

O ministro francês da Economia, Bruno Le Maire, criticou abertamente a promoção do Intermarché. O representante do governo disse que esse tipo de operação “não é sã” e pediu que isso não se repita. “Não queremos mais ver essas cenas na França”, disse o ministro na manhã desta quarta-feira (31) em entrevista à radio RTL.

Le Maire afirmou ainda que um acordo havia sido assinado entre o Intermarché e outros grandes supermercados para que esse tipo de promoção não seja realizada. “Eles devem cumprir o que prometeram”, declarou.

Já no início da semana a Direção geral da concorrência, do consumo e da repressão de fraudes (DGCCRF na sigla em francês) anunciou ter lançado uma investigação para saber se Intermarché não estaria infringindo a lei. Afinal, salvo algumas exceções, a França proíbe a venda produtos abaixo do preço de custo, numa tentativa de lutar contra a concorrência desleal. Quem desrespeitar essa regra tem que pagar uma multa de € 75 mil. 

Coincidência ou não, a polêmica do Intermarché acontece no mesmo momento em que o governo francês discute novas regras no comércio. Entre as principais medidas do projeto, apresentado nesta quarta-feira (31) no Conselho de ministros e que será testado nos próximos dois anos, está um aumento de 10% no preço mínimo de venda dos produtos. Isso significa que, além do preço de custo, os comerciantes serão obrigados a adicionar os gastos com transportes, mesmo em caso de liquidações extremas.

Promoção revelou pobreza na França

Jean-Yves Mano, presidente da associação de defesa dos consumidores Consumo, moradia e modo de vida (CLCV na sigla em francês) declarou que essa polêmica teve um lado positivo: “lembrar que temos nove milhões de pobres na França”. Para ele, as pessoas que enfrentaram o caos nos corredores do Intermarché são manipuladas. “Muitos fizeram trajetos de quilômetros para comprar apenas Nutella e, claro, acabam levando outros produtos. Eles são, sem perceber, vítimas dessa promoção”.

Mesmo tom do lado de Nathalie Damery, presidente do Observatório Sociedade e Consumo (Obsoco). Ela estima que as imagens de confusão e até mesmo de briga no hipermercado são “tristes”, pois refletem “o sofrimento de pessoas na França que não podem consumir essas marcas normalmente”.

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