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“Mercado da saudade” volta com força e leva produtos brasileiros ao exterior

“Mercado da saudade” volta com força e leva produtos brasileiros ao exterior
 
Pão de queijo é um dos produtos brasileiros mais procurados no exterior. Foto: Divulgação Moka

Voltar com a mala cheia de produtos típicos do Brasil vira prática do passado para os brasileiros radicados no exterior. Depois de alguns anos de retração, devido à crise econômica, a exportação de especiarias como pão de queijo, açaí ou cachaça cresceu 77% em 2016, de acordo com a Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex). O chamado “mercado da saudade” leva os produtos para lojas especializadas na América do Norte e na Europa e, muitas vezes, é a porta de entrada para a ampliação dos negócios no exterior.

Estados Unidos e Canadá são os principais destinos dos ingredientes brasileiros no mundo, um negócio que movimentou pelo menos US$ 50 milhões no ano passado e deve crescer mais 10% neste ano. Na Europa, são o Reino Unido e Portugal, que abrigam as maiores comunidades de brasileiros no continente, que recebem mais importações. Nestes países, se deparar com um produto “da terrinha” na prateleira é uma surpresa cada vez mais comum, principalmente em lojas especializadas em produtos exóticos e “gourmet”, ou em butiques de orgânicos e alimentação saudável.

Esse é o caso da Bravo Açaí, que iniciou o projeto internacional há três anos e já espera tirar 40% da receita de 2018 das exportações – o que equivale a até R$ 15 milhões. O proprietário Gabriel Arruda nota que é preciso prever uma série de adaptações para o mercado externo, como se adequar às normas sanitárias, ajustar as embalagens e ter pessoal fluente em inglês. Mas uma vez que a harmonização está feita, o horizonte de vendas só se amplia. O próximo desafio é se expandir para a Ásia.

“A gente se especializou nisso porque o mercado de exportação é muito exigente: você tem de ter uma série de especificações, laudos, estar muito estruturado, ter um controle de qualidade muito alto”, afirma. “Eu hoje exporto muito para outros países por private label, ou seja, o nosso produto chega através de outras marcas. Você encontra o meu produto sem saber, digamos: em produtos que levam o açaí e incluem o nosso produto, mas não aparece necessariamente com a minha marca.”

Ultrapassar a barreira da saudade

É pelo paladar dos brasileiros que moram fora que as fabricantes querem fisgar consumidores estrangeiros. Quanto maior a presença lá fora, maior é a curiosidade de americanos, ingleses ou franceses pelas comidinhas do Brasil. Essa é a principal meta das empresas associadas à Apex: migrar do mercado da saudade para se instalar junto ao comprador estrangeiro, em especial em países com alto poder aquisitivo.

“Já tem algum tempo que a gente ultrapassou essa fronteira. Há uma valorização do produto e da gastronomia brasileira, da forma como a gente usa ingredientes, receitas. Cada vez mais as nossas empresas participam dos nossos projetos tentando internacionalizar o seu modelo de negócios, conquistar novos mercados”, explica Igor Brandão, gerente de agronegócios da agência. “Eventualmente as empresas usam o mercado da saudade como uma porta de entrada – você pode ter certeza de que o brasileiro radicado no exterior é um ótimo garoto-propaganda dos produtos, ao usá-los em uma receita ou em uma reunião.”

Aberta há nove anos, a Tapioca da Terrinha se abriu para as exportações há dois, visando o mercado da saudade em Portugal. O resultado foi fulgurante: a marca já é vendida em 15 países e, em Portugal e na Espanha, é encontrada nas principais lojas de varejo. O plano agora é abrir uma linha de produção na Europa, para atender os europeus conquistados pelo apelo saudável do produto.

“A gente percebeu que a tapioca ultrapassou essa barreira de ser somente um produto da saudade. Os europeus estão gostando muito. Toda a vez que fazemos uma previsão de vendas, sempre batemos ou dobramos ela. Para se ter uma ideia, do ano passado em relação a esse, já crescemos 240%”, comenta o responsável pelo setor de exportação Anderson Misumi.

França abre portas para mercado europeu

Em geral, a França não é um alvo prioritário das marcas – as estimativas divergem, mas há entre 17,7 mil e 43,3 mil brasileiros morando na França, segundo o IBGE ou o seu equivalente francês, o INSEE. A comunidade é pequena, se comparada com os pelo menos 1 milhão de brasileiros que escolheram os Estados Unidos. Ainda assim, o mercado francês tem espaço para se desenvolver, nota Brandão.

“A França tem uma cultura muito aberta ao brasileiro, a novas experiências de um modo geral. Além disso, a França é um trendsetter para outros mercados. Uma empresa que consegue uma boa penetração, um bom distribuidor na França, pode usar isso como um cartão de visitas em outros mercados também”, indica.

No ranking dos produtos alimentícios brasileiros mais exportados, a água de coco desponta na frente, seguida pelo pão de queijo e o açaí.


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