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Greve na Guiana Francesa evidencia economia pouco diversificada e dependente do Estado

Greve na Guiana Francesa evidencia economia pouco diversificada e dependente do Estado
 
Guianenses fazem fila para comprar combustível por conta da greve AFP

A greve geral na Guiana Francesa, contra a elevada taxa de desemprego de 22%, a falta de investimentos e a insegurança, coloca em evidência a economia pouca diversificada do território ultramarino francês e sua grande dependência do estado.

"Há poucas grandes empresas e várias empresas que são muito pequenas, uma taxa de desemprego particularmente elevada e uma insegurança social baseada em um modelo econômico ultrapassado, que deve ser reavaliado. A Guiana ainda vive da economia assistencialista, vive essencialmente do Estado francês, da transferência de ajudas sociais", explica o economista francês Pascal Perri, que morou 14 anos no território.

Além disso, mais de 50% dos empregos são no setor público. "É algo insuficiente para responder à demanda de trabalho dos jovens em particular. Podemos acrescentar ainda problemas em termos de qualificação e de educação. E tudo isso resulta no coquetel explosivo que vemos hoje em dia na Guiana, com a greve e os protestos."

Para o economista Rémi Bourgeot, pesquisador do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas da França (Iris), "o território sofre com a falta de investimentos em infraestrutura, e a economia privada em geral é pouco desenvolvida". "O setor aeroespacial sozinho é responsável por cerca de 15% do Produto Interno Bruto", completa.

Comércio exterior

O comércio exterior da Guiana Francesa é praticamente todo realizado com a França metropolitana. Segundo Bourgeot, as fracas relações comerciais com os países vizinhos, como o Brasil, é resultado da falta de competitividade da economia local.

"O peso do Estado e a importância do setor aeroespacial fazem com que haja uma verdadeira distorção dos salários, o que resulta numa grande falta de competitividade em relação aos vizinhos da América do Sul. Porque os salários do funcionalismo público são mais altos que na França metropolitana. As pessoas ganham um bônus por trabalhar na Guiana. Isso cria um círculo vicioso, com uma falta de investimento no setor privado, que alimenta a falta de competitividade", afirma.

Perri aponta soluções para os problemas econômicos do país. "É preciso inserir a Guiana na economia da América do Sul. Talvez mudar o modelo de produção, desenvolver os pontos fortes, acabar com o monopólio em matéria de distribuição, que resulta no aumento dos preços", opina.

Para ele, é necessário "reavaliar o status do salário dos trabalhadores guianenses". "É muito demagógico dizer que deve se manter as vantagens dos funcionários, porque essa realidade desfavorece a economia. Todo mundo deve entender que, com um nível de salário e de cotização social comparáveis ao da França metropolitana, a Guiana não tem nenhuma chance no mercado regional da América do Sul. Porque os custos de produção são bem mais elevados."

Pontos fortes da economia

O economista destaca os pontos fortes da Guiana Francesa, alguns ainda pouco explorados e que podem ajudar a melhorar a economia do país.

"O primeiro é evidentemente o setor espacial, ligado à situação geográfica do território, que fica no Equador. É um local ideal para lançamentos, por isso o centro espacial tem tantos clientes internacionais. Outro setor da economia guianense, que ainda não está muito desenvolvido, é a farmacopeia. É uma das grandes áreas do século 21, a pesquisa de novas moléculas para a saúde e o bem-estar. Para isso, temos lá um dos maiores laboratórios do mundo, a Amazônia", diz.

Ele acrescenta ainda "a economia da floresta, a chamada silvicultura, e a exploração do ouro, que deve ser bem regulamentada e fiscalizada". "Além disso, há o turismo de aventura e de descoberta. Não é um mercado de massa, mas agrega muito mais valor e infraestrutura que o turismo de praia."

Em resposta aos protestos e à greve geral, o primeiro-ministro francês, Bernard Cazeneuve, confirmou o envio até o final da semana de uma missão ministerial ao território ultramarino.


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