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Economia

Concentração de riqueza no mundo é “indecente”, critica ONG Oxfam

media Enquanto a riqueza se acumula nas mãos de poucos, uma em cada dez pessoas no mundo vive com menos de US$ 2 por dia STR / AFP

Apenas oito pessoas no planeta concentram a riqueza correspondente à metade mais pobre da população mundial. A denúncia é feita pela ONG britânica Oxfam em um relatório publicado às vésperas do Fórum Econômico Mundial, que começa nesta terça-feira (17) em Davos, na Suiça.

O relatório, intitulado "Uma economia a serviço dos 99%", revela "como as grandes empresas e os indivíduos mais ricos exacerbam as desigualdades, ao explorar um sistema econômico enfraquecedor, sonegando impostos, reduzindo salários e aumentando os rendimentos para os acionistas".

Segundo a ONG, a este ritmo, o primeiro "supermilionário" do mundo pode alcançar um patrimônio de mais de US$ 1 trilhão em apenas 25 anos. Para gastar esta soma, seria necessário desembolsar "US$ 1 milhão por dia durante 2.738 anos", destaca. "É indecente que tanta riqueza esteja concentrada nas mãos de uma minoria, quando se sabe que uma em cada dez pessoas no mundo vive com menos de US$ 2 por dia", afirmou uma porta-voz da Oxfam, Manon Aubry.

Para seu estudo, a ONG se baseou na lista das oito pessoas mais ricas do mundo, segundo a classificação da revista Forbes. Trata-se, por ordem de riqueza, do norte-americano Bill Gates (fundador da Microsoft, cujo patrimônio é calculado em US$ 75 bilhões), do espanhol Amancio Ortega (dono do grupo Inditex, proprietário da marca Zara), o norte-americano Warren Buffet (diretor-geral e primeiro acionista da Berkshire Hathaway), do mexicano Carlos Slim (Grupo Carso), e dos norte-americanos Jeff Bezos (fundador e diretor-geral da Amazon), Mark Zuckerberg (diretor-geral e co-fundador do Facebook), Larry Ellison (co-fundador e diretor-geral do Oracle) e Michael Bloomberg (fundador e diretor-geral da Bloomberg LP).

A Oxfam, que tradicionalmente denuncia as crescentes desigualdades por ocasião do Fórum de Davos, adverte neste ano sobre "a pressão exercida sobre os salários em todo o mundo", assim como os benefícios fiscais das empresas ou o recurso a paraísos fiscais.

Em busca de uma economia “mais humana”

A ONG convoca os governos a reagir, promovendo uma economia mais humana. "Quando as autoridades políticas deixarem de estar obcecadas pelo PIB, se concentrarem no interesse de todos os cidadãos e não apenas de uma elite, será possível um futuro melhor para todas e todos", afirma Aubry.

No ano passado, a Oxfam havia denunciado que o patrimônio acumulado do 1% mais rico do mundo havia superado em 2015 os 99% restantes com um ano de antecedência em relação ao previsto.

(Com informações da AFP)
 

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