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Decepção de classes populares com Trump pode ser rápida

Decepção de classes populares com Trump pode ser rápida
 
Donald Trump durante a campanha presidencial: eleitores o escolheram mais pela emoção do que pela razão, segundo analista. REUTERS/Jonathan Ernst

O futuro presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se elegeu com o amplo apoio das classes populares, decepcionadas com a política tradicional e inspiradas pelo sucesso no magnata no mundo dos negócios. Porém, as propostas econômicas apresentadas pelo candidato durante a campanha foram tão vagas que, uma vez no poder, ele tem poucas chances de conseguir aplicá-las.

Trump promete dobrar o crescimento econômico do país, para 4% ao ano. Nem o mais otimista dos economistas considera a promessa factível, em um contexto de lenta recuperação econômica mundial.

Na mesma linha, o republicano pretende inaugurar um vasto plano de renovação das infraestruturas, no valor de U$S 1 trilhão – mas não explicou de onde vai tirar tanto dinheiro. O professor de Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo) Alberto Pfeifer avalia que o futuro presidente pode cumprir parcialmente os compromissos – e depois vai alegar que “o sistema” o impediu de ir até o fim nos projetos.

“O programa é uma série de propostas sem uma linha programática, sem um fio condutor que estabeleça as condições mínimas para a sua implementação. Ele tem menos do que um programa: tem uma lista de ideias”, afirma. “Foi uma campanha para ganhar o eleitorado mais pela emoção do que pela razão.”

Um falso “anti-sistema”

Outra proposta um tanto irrealista: abrir 25 milhões de empregos em 10 anos, graças a uma ampla redução de impostos para as classes média e alta e as empresas. Trump não deu muita importância ao déficit nos cofres públicos que tal redução massiva de taxas poderia resultar. A medida tem poucas chances de ser aprovada pelo Congresso – de maioria republicana.

Com um linguajar popular e escapadas vulgares, o candidato conseguiu convencer que é “contra as elites” – quando, na realidade, é um fruto direto do sistema americano. “Trump é uma grande contradição, porque ele culpa de atrapalhar o crescimento dos seus concidadãos mecanismos, canais e pessoas que fizeram ele ser o que é. Essa contradição e as mentiras e modificações da realidade foram o tom da campanha”, sublinha Pfeifer.

Impacto nas desigualdades

Outro problema, apontado por economistas como o francês Thomas Piketty, é que a diminuição de 2% da alíquota de impostos para os ricos geraria ainda mais desigualdades sociais no país. Os Estados Unidos são um dos países com maior concentração de renda entre as economias desenvolvidas. Em um artigo publicado no jornal Le Monde, Piketty alega que a eleição de Trump é resultado da ampliação das desigualdades nas últimas décadas – um fosso que pode aumentar, se Trump de fato acabar com o Obamacare, o maior avanço social do governo Obama.

O economista Pedro Raffy Vartanian, professor do mestrado em Economia da Universidade Mackenzie, é menos pessimista que o francês, mas ressalta que tudo vai depender de o magnata conseguir reanimar a indústria nacional.

“De uma forma geral, os cortes de impostos podem afetar o Estado de bem-estar e prejudicar as camadas mais inferiores da população. Por outro lado, a recuperação dos empregos no setor industrial – que é difícil, mas pode acontecer – poderia compensar esse efeito das desigualdades”, indica o doutor em integração latino-americana.

Menos participação no livre comércio

Trump também chamou a atenção por querer diminuir a participação dos Estados Unidos nos acordos de livre comércio, na esperança de as multinacionais americanas voltarem a produzir mais no próprio país e dificultar a entrada de produtos estrangeiros, principalmente chineses.

“Todo o discurso dele foi caracterizado por uma série de incongruências. A posição contra os acordos comerciais vai contra os ideais do Partido Republicano”, ressalta Raffy Vartanian. “Até a questão com o México tem uma série de incompatibilidades. O México trouxe uma série de benefícios para os consumidores americanos nos últimos anos, ao permitir baixar os preços de muitos produtos, fabricados parcialmente em território mexicano a custos reduzidos.”

Alberto Pfeifer destaca que, antes mesmo de Trump, a tendência internacional tem sido de diminuir a amplitude dos acordos comerciais internacionais e rever as regras dos tratados. O objetivo é que se tornem mais ambiciosos não em liberalização do comércio, mas em padronização dos processos produtivos.

“Aí, quem não segue aquelas normas – com a China, por exemplo – está fora daquele mercado. Na verdade, é uma grande barreira para o comércio com a China”, explica o professor da USP.

Os analistas frisam que, se Trump de fato esfriar as relações comerciais com os chineses e os mexicanos, mercados alternativos, como o brasileiro, podem até ser favorecidos. Mas, por enquanto, expectativa é de que as relações comerciais com o Brasil permaneçam estáveis.
 


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