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Brics completa 15 anos com sérias disparidades entre países membros

Brics completa 15 anos com sérias disparidades entre países membros
 
Presidente Michel Temer durante reunião informal dos países do Brics, na China. 04/09/2016- Hangzhou Beto Barata/PR

A 8a reunião de cúpula dos Brics - que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, começa em Goa, na Índia, com uma tarefa que não é nova: buscar meios para que estes países vislumbrados como os motores da locomotiva planetária continuem crescendo.

Os líderes destas nações vão insistir na mensagem de que a recuperação da economia global continua desigual e ainda oferece riscos. Também vão tentar dar sinais de mais união e coordenação dentro bloco para enfrentar os desafios econômicos e políticos. Este certamente é um ano especial para o grupo de países que era apenas um conceito no papel 15 anos atrás.

Vivian Oswald, correspondente da RFI na China

O conceito dos Brics completa 15 anos no final de novembro. Ele foi criado pelo então economista-chefe do banco Goldman Sachs, Jim O'Neill, no relatório "Sonhando com os Bric: o caminho para 2050". E incluia Brasil, Rússia, Índia e China. O documento dizia que estes quatro países teriam 40% da população e, juntos, seriam maiores do que as sete nações mais ricas do mundo, o grupo conhecido como G7. E a China se tornaria em 2027 a maior do mundo, deixando para trás os Estados Unidos.

O que o economista não contava era que sua criação ganharia vida própria. Tornou-se uma instância política e ganhou um novo sócio, a África do Sul. Em 16 de junho de 2009, os líderes dos países do BRIC realizaram sua primeira reunião, em Ecaterimburgo, na Rússia, e emitiram uma declaração apelando para o estabelecimento de uma ordem mundial multipolar.

Nos últimos anos, uma das perguntas que o economista mais escuta é se suas previsões se concretizaram. Ele diz que os países do bloco superaram suas expectativas logo nos primeiros dez anos. O'Neill esperava que economia brasileira, por exemplo, ultrapassasse a italiana em 2022, mas o fez 10 anos antes.

O economista admite que é cedo para saber se suas previsões estarão dentro do que esperava até 2050. O fato é que o crescimento entre os países tem sido desigual e errático desde 2001, o que tem dado margem para desconfianças em relação ao desempenho do grupo.

Mau momento econômico

O momento já foi melhor, quando o mundo vinha crescendo mais antes da crise global de 2008. Os grandes motores do grupo têm sido a China, como já era esperado, e a Índia. Brasil e Rússia vêm na lanterna do grupo. A Índia neste momento é o país que mais cresce no mundo, com uma taxa que se mantém há três anos acima de 7%. Mesmo assim, o país enfrenta problemas enormes de emprego, educação e produtividade.

A China também cresce a passos largos, não mais na casa dos dois dígitos como antes, mas ainda dentro da meta estipulada pelo partido comunista entre 6,5% e 7%. O ritmo menor de crescimento da economia chinesa é motivo de preocupação para o resto do mundo, pois afeta negativamente todos os países. Mesmo assim, a estimativa é que, até 2020, a China vai crescer três Índias se os chineses registrarem uma aceleração em torno de 7% ao ano e os indianos 8%, até lá.

A África do Sul, que não estava no conceito original, vem crescendo, embora pouco, e enfrentando problemas econômicos sérios, como uma taxa de desemprego de quase 27% da população. Já Brasil e Rússia tentam sair de uma recessão que já se arrasta por dois anos.

A Rússia deve ter um crescimento maior do que o Brasil. As duas economias encolheram 3,7% no ano passado. Apesar das perspectivas melhores, a base de crescimento se manterá baixa por alguns anos. Moscou enfrenta sanções impostas pelo Ocidente desde a sua participação na crise da Ucrânia em 2014, a queda forte dos preços do petróleo - um dos itens mais importantes da sua pauta comercial -, desemprego e inflação alta.

O Brasil, em crise há três anos, e com a moeda que mais se desvalorizou neste período - quase 30% -, vai defender o ajuste fiscal que está sendo feito pelo governo de Michel Temer na reunião em Goa. Alíás, essa será a primeira participação dele em uma cúpula dos Brics como presidente.

Brics, 15 anos depois

O bloco se tornou uma importante instância política entre economias emergentes importantes, que se reúnem periodicamente, e um fórum que vem insistindo na reforma dos organismos internacionais para que tenham uma representação equivalente ao tamanho das suas populações e respectivas economias. Desde então, anunciou a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), mais conhecido como Banco dos Brics para financiar grandes obras de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável.

Em abril, a instituição aprovou seus primeiros projetos, todos na área de energias renováveis, no valor total de cerca de US$ 800 milhões. O Brasil receberá um empréstimo de US$ 300 milhões. Também criou o Arranjo Contingente de Reservas - uma espécie de fundo que visa a ajudar países no caso de crises de balanço de pagamentos. O mecanismo, criado em 2014, complementa a rede de proteção financeira já existente, por exemplo, do Fundo Monetário Internacional (FMI), e contará com um aporte inicial de US$ 100 bilhões, sendo US$ 18 bilhões do Brasil.

Esta semana, o porta-voz do governo chinês, Geng Shuan, reforçou que os Brics continuam sendo um importante fiel da balança da economia mundial, criando um grande potencial quando o mundo ainda se recupera de maneira frágil e desigual.


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