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Robôs devem “roubar” ao menos um terço dos empregos na próxima década

Robôs devem “roubar” ao menos um terço dos empregos na próxima década
 
Robôs trabalham em uma fábrica - sem pessoas em volta. wikimedia

Uns temem que os robôs destruam a humanidade. Outros se recusam a acreditar no poder das máquinas. O fato é que os computadores ocupam cada vez mais espaço na sociedade e, a médio prazo, devem mexer radicalmente na estrutura do trabalho como conhecemos hoje. Um novo estudo alerta que, daqui a apenas 10 anos, 35% dos empregos no Reino Unido serão substituídos por máquinas.

Nos Estados Unidos, o índice de vagas na indústria roubadas pelos robôs vai chegar a 45% em 2025, segundo a pesquisa publicada pelo banco Merrill Lynch. Os dados vão ao encontro de outras perspectivas feitas nos últimos anos sobre o impacto das máquinas no mercado de trabalho.

A tendência é que as tarefas repetitivas sejam substituídas pelas máquinas, a exemplo do que acontece em linhas de produção como a automotiva, em que apenas os detalhes são executados pelo homem. O professor Reinaldo Bianchi, especialista em robótica da Faculdade de Engenharia Industrial de São Bernardo do Campo, não se surpreende com as previsões.

“Os trabalhos para os quais não se precisa pensar e são repetitivos são feitos para os robôs fazerem. Não deveria mais haver pessoas fazendo. Mas vá contar para o funcionário que o trabalho dele vai ser feito por um robô, porque é um trabalho humilde demais”, afirma. “É difícil, principalmente em países subdesenvolvidos, onde esses postos de trabalho simples sustentam famílias.”

Interação humana será preservada

Quanto mais interação humana existir para a realização de cada função, mais protegido estará o trabalho. Bianchi avalia que professores, por exemplo, sempre terão o seu lugar garantido. Alguns setores da produção também seriam resguardados, como o de luxo.

“Se você oferece um tipo de sapato muito caro, vai continuar fabricando com pessoas porque a produção feita a mão corresponde à qualidade esperada de um produto caro. Até mesmo a etiqueta ‘feito à mão’ já permite cobrar mais caro”, explica. “Mas as Havaianas não serão feitas a mão. Elas serão feitas por uma prensa, que fabrica 200 Havaianas por segundo. Sempre que uma tecnologia chegar à qualidade do ser humano, custando mais barato, ela vai substituir as pessoas.”

Fim do trabalho?

O sociólogo belga Paul Jorion, professor de Finanças da Universidade Livre Holandesa de Bruxelas, é mais radical: ele acha que as projeções atuais são subestimados e que o verdadeiro número de vagas perdidas para as máquinas será muito superior.

“São horizontes de dezenas de anos, e os pesquisadores ainda não conseguem considerar os progressos que nós teremos neste período. Sem contar que, em geral, os autores dos estudos não têm muito conhecimento em informática em si”, observa o belga. “A tendência delas é achar que uma tarefa considerada difícil para um ser humano seria necessariamente difícil para um robô ou um programa – mas na realidade, são funções extremamente fáceis de serem programadas.”

O pesquisador, autor de diversos livros sobre a decadência do capitalismo, está convencido de que, em 25 anos, não haverá mais trabalho da maneira como concebemos atualmente. Na medida em que a inteligência artificial avançar, cada vez mais os robôs serão capazes de realizar tarefas complexas. Operações médicas, por exemplo, já podem ser inteiramente executadas por máquinas.

“Se o nosso sistema econômico continuar o mesmo, haverá apenas reuniões de decisões estratégicas do conselho de administração para dividir os lucros, mas não haverá mais trabalho assalariado como conhecemos hoje”, sublinha.

Desafio: descobrir novas fontes de renda

Por mais assustador que esse cenário possa parecer, Jorion garante: a invenção das máquinas é uma demonstração dos imensos talentos do homem. O problema é que os seres humanos não planejaram o que vai substituir o trabalho como fonte de renda para a população.

“O que não pensamos foi no sistema de redistribuição da riqueza criada pelas máquinas. Ela hoje é considerada ganhos do capital, que vira ou lucro, ou bônus para os dirigentes das empresas”, analisa o professor. “É catastrófico.”

Menos cético quanto ao futuro do trabalho humano, o professor Reinaldo Bianchi brinca que essa mudança poderia começar pelos governantes. “Gostaria que políticos fossem robôs: seria só programar para não roubar e ele obedeceria sem o menor problema.”

 


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