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Entenda por que os países africanos estão resistindo à queda das commodities

Entenda por que os países africanos estão resistindo à queda das commodities
 
Funcionário faz inspeção de garrafas de cerveja em uma fábrica em Nairobi, Quênia. Reuters/Thomas Mukoya

A queda dos preços das matérias-primas no mercado internacional está mexendo com a economia de grandes exportadores de commodities, como o Brasil. Já na África, países como Quênia, Etiópia, Ruanda e Uganda aproveitam este momento para aquecer o mercado interno e promover o setor de manufaturas, que impulsiona o desenvolvimento econômico.

A venda de produtos primários como petróleo, minerais e metais reponde por 82% das exportações africanas. Os preços elevados das matérias-primas, que atingiram um recorde em 2011, puxavam o crescimento médio de 5% ao ano no continente. Mas a partir de 2013, este cenário se reverteu – e aqueles que tinham investido na produção industrial agora se veem poupados dos efeitos da despencada do valor do petróleo.

Em seu mais recente estudo sobre as perspectivas para a África subssaariana, o grupo Coface (Companhia Francesa de Seguros para o Comércio Exterior) avalia que quatro países do continente poderão crescer em média 7,2% neste ano, graças à diversificação da economia. O pesquisador Jean-Joseph Boillot, especialista em grandes países emergentes do Centro de Estudos Prospectivos e de Informações Internacionais (CEPII), observa que a queda dos preços da energia gerou mais poder aquisitivo para os africanos.

“Quando o preço cai 50%, há um aumento equivalente de poder aquisitivo. É por isso, que nos últimos dois anos, verificamos um crescimento endógeno da África, ou seja, a África está com menos necessidade de ser puxada pelo comércio exterior. Isso gerou o desenvolvimento do seu mercado interno, que ficou claro em setores como telefonia móvel e vestuário”, diz. “Agora, o mercado interno está puxando a África.”

Vestuário e calçados

Neste contexto, aqueles que já não dependiam das exportações de commodities se beneficiaram. Uganda e Ruanda têm se destacado na produção de produtos agroalimentares, como bebidas. O caso mais emblemático é o da Etiópia, que promoveu a indústria têxtil e calçadista e recebe investimentos estrangeiros da China e da Índia. Boillot destaca o papel da África do Sul neste período de desenvolvimento industrial: o país responde por 40% dos investimentos estrangeiros no continente.

O professor Jorge Arbache, especialista na economia africana da Universidade de Brasília (UNB), ressalta que este momento é resultado de uma política deliberada dos governos do leste africano.

“Praticamente todos esses desenvolveram estratégias explícitas de diversificação da economia. O Quênia e a Etiópia, por exemplo, chegaram a desenvolver políticas públicas tendo um cenário de longo prazo, para daqui a até 30 anos, tendo o setor industrial como uma das molas propulsoras do crescimento econômico”, sublinha. “O fato de eles não serem fortes em commodities contribuiu e encorajou a busca por áreas que iriam promover o desenvolvimento econômico – e foi o que aconteceu.”

Para o especialista brasileiro, as transformações na dinâmica de produção mundial combinadas com as estratégias de alguns países africanos possibilitaram essa nova fase da economia do continente.

“Foi porque esses países criaram as condições favoráveis para receber investimentos estrangeiros, inclusive chineses, é que eles estão podendo realizar todo esse potencial”, explica.

Situação no Brasil

O paralelo com a situação brasileira é delicado: enquanto os africanos experimentam uma fase inédita de industrialização, a economia do Brasil se torna cada vez mais primária - uma anomalia, na opinião do especialista francês.

“Quando acontece um choque de preços como esse, as regiões que lucraram por tanto tempo agora estão perdendo. Mas no caso do Brasil, as regiões que perdiam espaço por não serem grandes produtoras de commoditites agora não estão ganhando, ao contrário do que estamos vendo na África. Por causa da desindustrialização do Brasil, o país não caminha mais com as suas pernas”, afirma Boillot. “Não é isso que acontece na Nigéria, no Quênia ou na Etiópia, até porque são países mais protecionistas.”

Arbache destaca que, no auge da industrialização brasileira, em 1983, 35% da economia do país era manufatureira. Hoje, esse índice caiu para 10,9% do PIB.
 


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