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Economia

Acordo de fusão da Alcatel-Lucent com Nokia visa enfrentar concorrência da China

media A fusão com a Lucent, em 2006, não foi suficiente para preservar a Alcatel, que será absorvida pela Nokia. REUTERS/Gonzalo Fuentes

Os grupos franco-americano Alcatel-Lucent e o finlandês Nokia, fornecedores de equipamentos de telecomunicações, anunciaram nesta quarta-feira (15) um acordo de fusão que dará origem a um campeão europeu capaz de competir com a sueca Ericsson e a nova concorrência de empresas chinesas na área.

A oferta pública de compra da Nokia sobre a Alcatel-Lucent, especialista em redes IP, acesso a ultrabanda larga e computação em tecnologia de nuvem, valoriza o concorrente francês em € 15,6 bilhões. Os acionistas da Alcatel-Lucent conservarão um terço do novo grupo, que vai se chamar apenas Nokia, e será dirigido pelos atuais dirigentes da empresa finlandesa.

A fusão deverá estar finalizada no primeiro semestre de 2016. A nova entidade empregará 120 mil trabalhadores em várias unidades no mundo. O grupo estabeleceu um plano para economizar € 900 milhões até 2019 e € 200 em serviços financeiros.

Ações da Alcatel despencam na Bolsa de Paris

Para comprar o concorrente franco-americano, a Nokia está oferecendo um prêmio de 28% aos acionistas da Alcatel. Mesmo assim, a reação dos investidores na Bolsa de Valores de Paris foi negativa. Nas primeiras trocas da manhã, as ações da Alcatel-Lucent chegaram a perder 12%.

Em um mercado competitivo e que exige investimentos elevados em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, as duas empresas enfrentaram problemas de posicionamento nos últimos anos. A Nokia abandonou a fabricação de celulares e a Alcatel-Lucent demitiu, em dois anos, 10 mil empregados. Para comprar a Alcatel, a Nokia prometeu empregar 500 novos engenheiros na França e manter no país o desenvolvimento da 5G.

Imprensa lamenta perda da marca francesa

A operação comercial é uma das principais manchetes dos jornais franceses nesta quarta-feira.

O diário Les Echos comenta que as negociações começaram em meados de 2013. Na época, as discussões eram para a finlandesa Nokia adquirir apenas o setor de telefonia celular da Alcatel-Lucent. Mas as negociações evoluíram para uma aquisição total. Segundo o jornal, essa fusão faz sentido porque a Alcatel-Lucent perde dinheiro, mesmo com seu plano de reestruturação adotado há dois anos. Para a Nokia, a transação abre as portas do mercado americano. Além disso, a nova gigante do setor vai ultrapassar a líder Ericsson, estima o diário econômico.

Nem todos os jornais celebram essa nova parceria. Le Figaro afirma que a venda da Alcatel significa que a França perde mais uma empresa que simboliza a excelência da indústria do país. Com a operação, o ex-gigante francês das telecomunicações colocará um fim nas grandes dificuldades financeiras dos últimos anos.

Le Figaro constata que o casamento, em 2006, da Alcatel com americana Lucent foi "infeliz e não deu certo". Mas, para Le Figaro, a passagem de mais uma empresa tão simbólica para um grupo estrangeiro significa a virada de mais uma página na história do capitalismo francês. "Foi-se a época em que uma empresa prosperava apenas em nível nacional sob a a proteção de um Estado rico e poderoso", escreve Le Figaro. O jornal lamenta que, nos últimos anos, as empresas francesas têm perdido espaço no mundo globalizado.

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