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Festival de Cinema de Locarno tem filmes sobre índios e negros no Brasil

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Festival de Cinema de Locarno tem filmes sobre índios e negros no Brasil
 
"La Rotonda" do Festival Internacional de Cinema de Locarno Massimo Pedrazzini

Começa nesta segunda-feira (7) o 72° Festival de Cinema de Locarno, no sul da Suíça, o segundo mais antigo evento cinematográfico no mundo, logo depois da Mostra de Veneza. A presença brasileira continua forte, com filmes sobre a experiência indígena e negra.  

Rui Martins, do Festival Internacional de Cinema de Locarno.

Neste ano, é grande a importância desse Festival para o Brasil, pois ocorre logo após as transformações feitas na Agência Nacional do Cinema (Ancine), o órgão oficial brasileiro que promove e regula o cinema nacional. Com a mudança, essa instituição deixou de ser vinculada ao Ministério da Cultura, agora inexistente, e foi transferida para o Ministério da Cidadania.

Nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro fez novas afirmações sobre um possível “filtro” de seleção de roteiros antes de obterem subvenções. A nova diretora do festival, Lili Hinstin, manifestou sua preocupação diante desse contexto, pois “isso se insere na preocupação mundial em favor da liberdade de criação”. A presença em Locarno de produtores de todo o mundo irá permitir uma troca de informações entre eles sobre a situação brasileira.

Participam da competição internacional um longa-metragem e dois curtas. Um deles é “A febre”, de Maya Da-Rin, cineasta carioca com mestrado em cinema na universidade Sorbonne, em Paris, e com experiência na Escola de Cinema de Cuba. O filme conta a história de um índio já "civilizado", que trabalha como vigia no porto de Manaus. Aos quase cinquenta anos, o índio tem nostalgia da época vivida na floresta.

“A febre” é extremamente atual porque se insere no noticiário brasileiro, publicado na Europa, dando conta da invasão das reservas indígenas por garimpeiros e da intenção do presidente Bolsonaro de quebrar a sacralização das reservas para exploração de ouro e outros minérios. Os espectadores também vão conferir “A Carne”, de Camila Kater, “Chão de rua”, do paranaense Tomás von der Osten, e “Swinguerra”, de Barbara Wagner e Benjamin Burka, na mostra Going Ahead.

Cinema negro em destaque

O Festival de Locarno programou um grande destaque para os filmes que focalizam os negros no Brasil e em outros países. A ideia é mostrar como é "ser negro” dentro de uma “perspectiva internacional de contos do último século", como definiu a diretora Lili Hinstin. Filmes como “Orfeu Negro”, de Marcel Camus, “Amor Maldito”, de Adele Sampaio e “Abolição”, de Zózimo Bulbul promoverão o debate racial no festival.

Esses filmes foram sugeridos pela militante LGBT Janaína Oliveira, do Fórum Itinerante do Cinema Negro, que participará das mesas redondas com o público. Além disso, o Festival de Locarno exibirá na Piazza Grande um curta-metragem de Jean-Luc Godard, “A Carta a Freddy Buache”. Outro destaque é o filme “Notre Dame”, dirigido por Valerie Donzelli e gravado antes do incêndio na catedral, além do longa sobre Diego Maradona, de Asif Kapadia.


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