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“Foi o jornalismo que me preparou para a música”, diz a cantora Letícia Maura

“Foi o jornalismo que me preparou para a música”, diz a cantora Letícia Maura
 
A cantora Leticia Maura de volta nos estúdios da RFI, onde atuou durante anos como jornalista. RFI

Durante duas décadas, Letícia Maura emprestou sua voz afinada para a apresentação de programas e jornais na Rádio França Internacional. Porém, a jornalista brasileira foi em busca de um sonho e hoje segue uma nova carreira como cantora. Ela contou à RFI, em Paris, sobre essa mudança de vida e sobre o seu primeiro disco solo.

Para ver a entrevista na íntegra, clique no vídeo abaixo.

O primeiro álbum de Letícia Maura se chama Poetic Collage. Como o próprio nome sugere, é uma mistura de sons acústicos, eletrônicos e e poesia.

“Esse trabalho é um resumo de quem eu sou, uma pessoa que tem emoções acústicas, emoções muito intensas, como uma sinfonia, e emoções delicadas, como um piano solo. Então, eu procurei unir tudo isso. Tudo permeado pela poesia e pela escrita”, diz. "Eu nunca comecei uma música pela melodia, mas sempre pelas letras”, completa.

O disco traz uma parceria na canção "Douze Fleurs", com letra de sua autoria e melodia do músico Raul Misturada, que também assina os arranjos desse trabalho. Porém, é Letícia quem assina nove das dez canções do álbum, passeando entre o português, o inglês e o francês.

“A minha inspiração é a colagem nesse aspecto linguístico e dos idiomas. Eu sou muito cosmopolita, gosto de viajar, gosto de ir para Nova York, vivo em Lisboa, adoro Paris e tenho aqui as minhas referências todas. Esse mix de linguagens estéticas e idiomas resultou nesse trabalho”, explica.  

A beleza da maturidade

Entre os temas abordados pela compositora estão amores complexos, mas também a maturidade feminina, como na faixa "Senhora Sim". "Foi muito importante para mim fazer essa música, porque nós vivemos num mundo em que as mulheres sempre foram muito oprimidas", explica.

"Mas hoje as mulheres estão se empoderando em todos os aspectos. Até um certo momento, dizia-se que os homens eram maduros e as mulheres eram velhas. Eu acho que isso está mudando e que a maturidade é bela, que as mulheres são belas em todas as idades. Nós podemos sonhar e sermos felizes em todas as idades”, afirma.

A cantora paulista já tem outros discos anteriores com o duo São Paris. Mas foi somente em 2017, atendendo ao chamado da música, que ela trocou de vez o “breaking news” pelos palcos.

“Eu sempre sonhei um dia fazer só música, porque o jornalismo é uma profissão que te absorve completamente. Mas foi o jornalismo que me preparou para a música”, afirma. “Pela disciplina, pela curiosidade, pela dedicação que ele exige, pela busca de novos elementos dentro de você mesma”, completa.

A musa Patti Smith

A canção-título é dedicada à cantora norte-americana Patti Smith. “Ela é minha musa e a letra fala isso. Quem leu o livro ‘Just Kids’ sabe que ela sacrificou tudo para ser artista. Nunca seguiu outros caminhos que não fosse esse. Eu sempre admirei isso. Ela passou fome, morou na rua, fez de tudo pela arte”, conclui.

Lançado em abril desse ano, o disco passeia pelo universo da música indie. Letícia explica que, ao reunir canções delicadas, acústicas e momentos mais intensos, com guitarras elétricas e programações eletrônicas, Poetic Collage agrada a públicos diversos.

“Eu estreei com três shows em Lisboa que foram muito bem sucedidos. Tinha gente de todas as faixas etárias e de todos os estilos”, conta. “Agora eu estou preparando o meu novo concerto, que eu mesma vou dirigir”.  

 

 


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