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Cultura

Em Paris, São Paulo Companhia de Dança traz balé com Villa-Lobos e Vinícius de Moraes

media Cena de "Odisseia", de Joëlle Bouvier, interpretada pela SPCD. Foto: Clarissa Lambert

Com três peças contemporâneas, a São Paulo Companhia de Dança (SPCD) se apresenta pela primeira vez em Paris, no Teatro de Chaillot. A estreia acontece nesta quinta-feira (18), com mais dois espetáculos, na sexta-feira (19) e sábado (20).  

São onze anos de estrada, com cerca de 80 apresentações por ano, no Brasil e no exterior, estabelecendo o prestígio da SPCD. À frente da empreitada, desde a criação da companhia, está a bailarina, documentarista e professora Inês Bogéa, que fala, a seguir, sobre a trajetória do grupo.

RFI – No ano passado, para marcar os dez anos, a SPCD montou um clássico dos clássicos, “O Lago dos Cisnes” [de Mario Galizzi a partir do original de 1895 de Lev Ivanov (1834-1901) e Marius Petipa (1818-1910)]. 

Inês Bogéa, diretora do SPCD. Willian Aguiar

Inês Bogéa – A companhia foi criada para ser clássica e contemporânea. Ao longo do tempo, fomos construindo um grupo capaz de fazer uma obra como “O Lago dos Cisnes”, onde o corpo de baile é fundamental para o entendimento da própria peça. Em São Paulo isso foi um marco, pois é uma cidade com característica mais voltada à dança contemporânea. Conseguimos trazer à plateia a possibilidade de ver esse balé histórico ao vivo, na nossa cidade, no nosso estado. Somos 32 bailarinos, contratamos outros 20 para uma temporada de três meses. Teve também dançarinos da periferia, através do programa Aprendizes de Dança, que vieram fazer os papeis mais de caráter, de cena, como as damas da corte e soldados.

RFI – A SPCD vai apresentar três peças. A primeira é a Suíte para Dois Pianos, de Rachmaninoff [interpretada por Nelson Freire e Marta Argerich]. Do que se trata?

Inês Bogéa – É um dos marcos da dança contemporânea. Temos as sapatilhas de ponta, mas com uma movimentação que traz um avanço na linguagem da dança clássica. É também uma obra que dialoga música, dança e artes visuais. No fundo temos a projeção de quatro grandes quadros de Kandinsky, em sua fase ponto sobre linha. O coreógrafo alemão (1958-2004) Uwe Scholz não fez uma alegoria ou uma interpretação dessas outras artes, mas teceu uma relação fina entre elas, que faz com que a plateia possa ter uma amplitude no olhar, de como as linhas do corpo do bailarino dialogam com essas linhas e como cada nota do piano ecoa no corpo do bailarino. Uwe Scholz ficou conhecido como um grande coreógrafo que tinha a capacidade de dar visualidade à música pelo movimento dos bailarinos. É uma obra muito bonita, que revela bastante da técnica clássica dos bailarinos da SPCD e fala também dos grandes marcos da história da dança. Para ver a dança em sua plenitude, é preciso levá-la para o palco. E é nesse encontro com os artistas da dança e a plateia que a arte de fato se dá.

RFI – Quantas peças vocês já montaram?

Inês Bogéa - Não sei de cabeça, são umas quatro por ano, temos 30-40 peças no repertório, que é bem variado, com coreografias de brasileiros, remontagens internacionais, de Balanchine, Jiri Kylian, Forsythe, Marco Goecke...

RFI – Que assina a coreografia da segunda peça, “O Pássaro de Fogo”.

Inês Bogéa – É um coreógrafo bastante contemporâneo, mas que tem uma linguagem que também dialoga com a memória da dança, ao revisitar uma obra criada há mais de cem anos. Ele fez um recorte e pegou dois trechos, introduziu vários silêncios, onde se ouve até o bater de uma mão na outra, como se fosse as asas de um pássaro. A peça fala do sonho do homem de voar e a vontade do pássaro de se tornar humano. Quem é o pássaro? Quem é o humano? Isso não fica claro. Cabe ao público escolher ou achar que são ambos em um só.

RFI – E a terceira peça, “Odisseia”, foi feita especialmente para a SPCD.

Inês Bogéa - Sim, é uma coparceria da Associação Pró-Dança e do Teatro de Chaillot, criada pela Joëlle Bouvier, com músicas de Bach, Villa-Lobos, e, no final, o poema “Pátria Minha”, de Vinícius de Moraes, na voz de Maria Bethânia. A obra fala das grandes travessias que temos nas nossas vidas, das migrações. Mas também sobre quando nós nos dispomos em encontrar uma possibilidade de felicidade. Você vai em busca disso, mas se depara com medos, com desejos, com dificuldades. E é na união do grupo que você encontra força para superar as dificuldades dessa grande travessia. É no encontro consigo mesmo que você vai de fato encontrar a potência para se reinventar de uma outra maneira. A Joëlle fala desse grande movimento mundial, que são as migrações, mas de uma maneira muito poética, muito delicada, e também fala do Brasil.

RFI – Como vocês tornam a dança, uma arte elitista, mais acessível?

Inês Bogéa – Eu penso a dança como uma arte popular. Acredito que todos, de alguma forma, dançamos com a nossa movimentação no mundo. A gente imprime a nossa marca no mundo pelo nosso movimento. Estou aqui com 20 bailarinos. Os outros, no Brasil, estão dançando nas chamadas Fábricas de Cultura, na periferia de São Paulo. A gente também leva a dança com o programa “Meu Amigo Bailarino” para pessoas em hospitais, creches, asilos. A cada espetáculo, há uma mediação com o público. Na temporada no Teatro Sérgio Cardoso, 45 minutos antes de cada apresentação, eu e dois bailarinos conversamos com o público para contar como foi a montagem, como foi o processo. No programa “Figuras da Dança”, na TV Cultura, eu entrevisto personalidades da dança no Brasil. Temos vários documentários sobre os bastidores, que estão disponíveis no nosso canal Youtube. Além de trabalhar com a memória da dança, podemos nos apresentar em vários espaços, desde grandes teatros, como aqui em Paris, ou em locais menores pela cidade e pelo estado de São Paulo. Temos ainda programas de formação de plateias, com oficinas e workshops, espetáculos abertos para estudantes. São muitas ações, o público da companhia é amplo e muito entusiasmado.

Cena de "Odisseia", de Joëlle Bouvier, interpretada pela SPCD. Foto: Clarissa Lambert
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