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Brasileira apresenta na Berlinale documentário sobre ocupação dos Sem Terra em Goiás

Brasileira apresenta na Berlinale documentário sobre ocupação dos Sem Terra em Goiás
 
A documentarista Camila Freitas apresenta “Chão”, sobre o MST, na Berlinale. P. Moribe

O documentário Chão, da diretora Camila Freitas, é uma das produções brasileiras presentes na 69ª edição da Berlinale, o Festival de Cinema de Berlim, que vai até 17 de fevereiro. O filme acompanha a ocupação da Usina Santa Helena, em Goiás, pelos membros do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.

A cineasta registra o momento em que quatro mil pessoas ocuparam, em 2015, a Fazenda Santa Helena, que acolhe a usina de cana de mesmo nome. O episódio terminou com a prisão de dois militantes, acusados de formação de organização criminosa.

“Me apaixonei pelo lugar e pela maneira como as pessoas estavam transformando aquela paisagem em outra coisa”, conta Camila Freitas. “Também me interessei muito pela questão judicial da luta, e o fato deles terem que se virar para enfrentar as forças da lei e da ordem, que nunca estão do lado deles”, explicou a diretora durante sua passagem por Berlim.

Segundo ela, participar da Berlinale é uma oportunidade importante no processo de divulgação da problemática das ocupações no país. “Nesse momento de Bolsonaro no poder, com ruralistas no topo de todas as instituições, inclusive nas que gerem a Reforma Agrária, ou a não Reforma Agrária, ter essa visibilidade e esse respaldo internacional é muito importante, pois a própria existência dos Sem Terra está ameaçada”’, comenta.

Filme não teria sido aprovado pelo novo governo

O filme contou com a participação extinto Ministério da Cultura, por meio de um edital do FSA, o Fundo Setorial do Audiovisual. Mas a cineasta afirma que as mudanças recentes na política de apoio ao cinema no Brasil tornaram ainda mais difícil o trabalho de artistas que apresentam projetos mais engajados. “Esse filme não teria sido feito e não teria sido aprovado e recebido apoio durante o governo Temer e muito menos agora”, afirma.

“Torcemos muito para que o filme fosse primeiro para fora, para que pudéssemos chamar a atenção e usar esse espaço, que no Brasil está ficando cada vez mais escasso, para falar sobre essas questões”, celebra a cineasta. Chão continua trajetória internacional, com projeção em festivais nos Estados Unidos. “Mas um passo importante é mostrá-lo também no Brasil, em acampamentos, para a própria militância e os Sem Terra. Esse filme é um pouco uma celebração dessas pessoas, dessa luta e dessa existência, então queremos que ele chegue nelas”.

Cena de "Chão", de Camila Freitas, em cartaz na Berlinale. Divulgação

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