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Artista mais caro do mundo, Basquiat é destaque de mega retrospectiva em Paris

Artista mais caro do mundo, Basquiat é destaque de mega retrospectiva em Paris
 
Obra de Jean-Michel Basquiat, exposta na Fundação Louis Vuitton de Paris, "Untitled 1982". Collection particulière © Estate of Jean-Michel Basquiat

O rebelde nova iorquino Jean-Michel Basquiat, o artista mais caro do mercado da arte contemporânea mundial, é o destaque de uma grande exposição em cartaz na Fundação Louis Vuitton, em Paris, ao lado do expressionista austríaco Egon Schiele.

Segundo uma das curadoras da exposição, Suzanne Pagé, para melhor degustar a grande retrospectiva dedicada a estes dois artistas maiores do século 20, é necessário “se expor às obras”. "As imagens podem ser obscenas, mas as obras expostas não são jamais. Em relação a Egon Schiele, o desenho é tão corrosivo, nervoso, que nos eletriza. Sobre Basquiat, é um colorista formidável", diz a curadora, uma entusiasta da obra do artista norte-americano.

A Fundação Louis Vuitton expõe cerca de 200 obras de Jean-Michel Basquiat nessa retrospectiva, que contém trabalhos que não estiveram presentes, por exemplo na grande mostra dedicada ao artista no Barbican, em Londres, no ano passado.

"Existem algumas obras que vieram de coleções públicas, como a do Centro Georges Pompidou, mas a maioria veio de colecionadores privados, os grandes colecionadores deste artista. Podemos ver através delas o desenvolvimento de sua carreira e de sua existência, após o começo nos anos 1980 até a sua morte", afirma Pagé.

Valorização de mercado de 2000%

Mas, mesmo se uma das obras expostas na Fundação Louis Vuitton tenha sido leiloada por US$ 110 milhões, a curadora prefere não dar destaque ao valor econômico deste patrimônio: "Uma obra que entra aqui ela esquece esta dimensão comercial, ela se torna um objeto estritamente cultural. Temos vontade de mostrar as obras como tais, e estritamente dessa maneira. Para mim, seu valor não tem nenhuma importância. Por razões éticas, decidi não comprar nada, mas uma obra pode custar US$ 300 milhões, isso não muda nada para mim", diz a curadora.

Mas por que as obras deste jovem negro talentoso do Brooklyn, que morreu de overdose em 1988, se tornaram as mais procuradas pelos maiores colecionadores do planeta, com um valorização de quase 2000%, desde o ano 2000? Para Suzanne Pagé, trata-se de uma obra de ruptura, extremamente forte, e se trata de uma das primeiras obras realmente globais. "É um artista que pode falar ao mundo inteiro. No mais, trata-se de um jogo de especulação do qual não entendo nada e do qual não tenho vontade de saber nada", avalia.

Biografia de um gênio

Gênio autodidata, e assíduo frequentador de museus, Basquiat abordou sua vida e sua arte como se fosse uma missão, como conta Suzanne Pagé : "Ele se impôs uma missão extremamente pesada, mas que era vital para ele: fazer existir o homem negro. Ele frequentou inúmeros museus com sua mãe, o museu do Brooklyn, o Moma, o Metropolitan, e não via negros nem nas salas de exposição, nem expostos no muro. Sua missão era fazer existir, de um lado, o homem negro, que ele chamava de homem invisível, e de outro, o artista negro. Ele consacrou sua vida a isso, como um mártir, aliás ele se representa frequentemente em suas obras com uma coroa de espinhos, como numa missão quase 'Crística' ", detalha a especialista.

Basquiat, conhecido por ser um assíduo frequentador de museus, possuía uma notável erudição sobre arte antiga e contemporânea. "Ele absorvia tudo, lia tudo que caia em suas mãos... Mas o que ele tinha de especial é que não era nada acadêmico, ele compilava e catalogava temas como a Biblia, o Egito, o Renascimento, etc, podemos ver tudo isso nos quadros expostos", conta Pagé.

Segundo a curadora da Fundação Louis Vuitton, Basquiat também era fascinado por artistas contemporâneos. "Como Kooning, por exemplo, podemos ver traços em seu trabalho. Sabe, os grandes artistas, "roubam" de todos os lugares...Ele não tinha uma hierarquia na cabeça, e é isso que o torna tão atual, tudo isso que ele traz faz parte de uma cultura de colagem", conclui Pagé.


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