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“Eu quis mostrar o ciclo criminoso que persiste no sertão brasileiro”, diz cineasta Eduardo Morotó em Biarritz

“Eu quis mostrar o ciclo criminoso que persiste no sertão brasileiro”, diz cineasta Eduardo Morotó em Biarritz
 
O cineasta pernambucano Eduardo Morotó. RFI/ M. E. Alencar

“Em uma cidade do interior do Brasil chamada Serra da Onça, os integrantes do Partido do Touro acreditam ser soberanos perante as mulheres, os trabalhadores e as terras, das quais se apossam mediante falsos títulos de propriedade”. Essa é a sinopse do curta-metragem “Repulsa”, do jovem cineasta pernambucano Eduardo Morotó, em competição no Festival Biarritz América Latina.

Serra da Onça é uma cidade fictícia e Partido do Touro é um nome inventado para batizar o grupo todo poderoso de coronéis da zona da mata. “Repulsa” é uma trágica paródia do Brasil arcaico que persiste no sertão e no agreste.

Em entrevista à RFI em Biarritz, no sudoeste da França, Eduardo Morotó explica que a sua motivação ao fazer esse curta-metragem foi mostrar “um ciclo criminoso da política brasileira” em regiões onde as graves violações sobre a posse da terra continuam e onde o trabalho escravo e o feminicídio são impunes.

Microcosmo da realidade brasileira

O curta foi rodado no interior de Pernambuco, que serve de “microcosmo da realidade brasileira”, segundo o diretor. A estética, assumidamente inspirada em obras do Cinema Novo como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” ou “O Dragão da Maldade e o Santo Guerreiro”, de Glauber Rocha, contribui para a dramaticidade do filme em preto e branco.

Eduardo Morotó insiste em dizer que o Brasil foi formado a partir do roubo das terras dos índios, dos negros e dos agricultores. “A riqueza desses latifundiários vem dessa prática que é a grilagem”, acrescenta ele, lembrando que a corrupção e os abusos de poder são manifestações endêmicas do Brasil até hoje. Por isso mesmo, ele quis fazer um filme atemporal, uma “cidade parada no tempo”, explica.

A ação do grupo de coronéis, que praticam um abuso de poder sem limites nesse vilarejo, chega ao clímax com uma cena violenta do estupro coletivo de uma mulher negra que, antes de ser violentada, perde a posse de sua terra. Morotó reconhece que o título do curta “Repulsa” é em parte explicado nessa cena final. “Ė como se esse grupo estivesse estuprando a pátria que é o Brasil. Na verdade, essa cena é uma metáfora da ação de grupos criminosos no país”, diz ele.

“Repulsa” já percorreu alguns festivais internacionais, entre eles o Festival de Busan na Coreia do Sul. Esse é o quinto filme do cineasta que, em 2012, ganhou o prêmio do melhor curta-metragem do Festival de Tiradentes, no Brasil, com o filme “Quando morremos à noite”.

O próximo projeto de Eduardo Morotó será seu primeiro longa-metragem, intitulado “A morte habita à noite”, cuja temática é bem distante de “Repulsa”. O filme, que está em fase de montagem, é inspirado em contos do escritor e poeta norte-americano, de origem alemã, Charles Bukowski, que descreveu nos anos 60 e 70 os meios marginais dos Estados Unidos. “Meu filme é sobre os fluxos amorosos que circulam dentro desse universo dito 'marginal'”, conclui o cineasta.

O Festival Biarritz América Latina termina no próximo domingo, 30 de setembro.

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