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Cultura

Moda: engajamento político marca temporada de desfiles

media Kerby Jean-Raymond foi elogiado com o desfile de sua marca Pyer Moss, em Nova York ©Angela Weiss/AFP

Após Nova York, Londres e Milão, começa nessa segunda-feira (24) a fashion week parisiense. Além de apresentar as coleções para a primavera-verão 2019 no hemisfério norte, a temporada de desfiles é marcada pelo engajamento dos estilistas.

Quando a Opening Ceremony transformou sua passarela em show de drag queens apresentado por Sasha Velour, a ganhadora do programa RuPaul's Drag Race, a marca pilotada pelos mesmos diretores artísticos da grife Kenzo já davam o sinal de que essa fashion week não seria como as demais. Confirmando uma tendência que já vinha despontando nos últimos dois anos, quando vários estilistas protestaram contra a política migratória de Donald Trump, as marcas que desfilavam em Nova York decidiram usar suas passarelas como palanque para abordar questões políticas.

Foi o caso de Kerby Jean-Raymond, da marca Pyer Moss, que apresentou sua coleção no Weeksville Heritage Center, bairro emblemático onde moravam os primeiros afro-americanos livres após o fim da escravidão no país. Muito elogiado, o jovem estilista de origem haitiana misturou referências históricas, como os guias de viagem destinados aos negros nos anos 1930, com elementos atuais. Como nas camisetas “Stop calling 911 on the culture”, alusão aos telefonemas que a polícia dos Estados Unidos recebeu nos últimos meses de moradores brancos “denunciando” negros.

As modelos também se tornaram um vetor de discurso político, como mostrou a canadense Winnie Harlow. A jovem, que sofre de vitiligo, desfilou para as marcas LaQuan Smith em Nova York, Natasha Zinko em Londres ou ainda Fendi em Milan, como prova de aceitação de sua diferença. A jovem, que estampou a capa da revista Marie Claire no Brasil, também acaba de assinar um contrato para integrar o time das “angels” da marca de lingerie Victoria's Secret, um dos eventos mais midiáticos do mundo da moda.

Politicamente corretas

Já em Londres o tema principal era o debate sobre o uso de peles. Antes mesmo do início da maratona de desfiles, o British Fashion Council (BFC), que organiza o evento, anunciou que “nenhuma pele animal seria usada na fashion week”. Uma resposta a uma tendência global, com marcas como a britânica Burberry, a italiana Gucci ou ainda as americanas Michael Kors e Ralph Lauren, que abandonaram as peles em suas coleções, mas também uma reação aos inúmeros ataques de organizações de defesa dos animais.

Mesmo tom politicamente correto em Milão com a organização do Green Carpet Fashion, uma espécie de Oscar ecológico, que homenageia as marcas que respeitam o meio ambiente. Carlo Capasa, presidente da Camera Nazionale della Moda Italiana, explicou que o prêmio “mostra que a indústria da moda de luxo, definida pelo Made in Italy, está na vanguarda de um despertar mundial sobre o desenvolvimento sustentável”. Sem medo de serem acusados de greenwashing, os italianos afirmam terem tomado consciência da dimensão poluidora da indústria têxtil.

Militante ou oportunista?

Há quem diga que esses atos militantes são apenas uma resposta às mudanças de comportamento dos consumidores, principalmente dos millennials, que seriam sensíveis ao engajamento político e ambiental das marcas. Mas tem aqueles que denunciam uma forma de oportunismo por traz desses anúncios.

Quando Dior desfilou as camisetas com a mensagem «We all should be feminist», em setembro de 2016, a marca foi rapidamente acusada de querer apenas aproveitar uma onda feminista para marcar a estreia da diretora artística Maria Grazia Chiuri à frente da maison. Mas a marca mostrou com o tempo que a apropriação do manifesto da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie era apenas a ponta do iceberg de uma estratégia mais ampla, que contava com uma série de medidas concretas em favor das mulheres, inclusive com programas de valorização das funcionárias do próprio grupo de luxo.

Engajamento histórico

Esse engajamento das marcas não é um fenômeno recente. Basta lembrar de Katharine Hamnett, que usava uma camiseta com um slogan antimíssil durante um encontro com a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, já em 1984. A estilista, aliás, continua mais militante do que nunca, aos 71 anos de idade. Sua marca volta a fazer sucesso, aproveitando a “logomania” que tomou conta da moda recentemente e que combina perfeitamente com suas camisetas estampadas com mensagens políticas. Mas desta vez, o alvo da eterna rebelde é a luta contra o Brexit e a defesa dos refugiados. Mais "na moda", impossível.

 

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