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Novo livro de Adriana Armony faz uma sátira sobre o mercado editorial

Novo livro de Adriana Armony faz uma sátira sobre o mercado editorial
 
A escritora Adriana Armany RFI

Escritora, doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professora, Adriana Armony lança o seu quarto livro e conversou com a RFI em Paris.

A Feira gira em torno dos preparativos e da realização de um evento literário em uma cidade turística, encenando de forma bem-humorada as delícias e os vícios do meio editorial.

“É uma sátira, uma grande alegoria irônica sobre o que é o mundo literário e o meio editorial”, explica a autora. “O livro trata das bienais, mas nenhuma personagem é específica. Tem algo de delirante nas histórias porque elas são exageradas, a ponto de se transformarem em caricaturas. Ao mesmo tempo, essas personagens são demasiadamente humanas, com todas as suas ansiedades e mesquinharias”, completa.

A Editora, o Escritor Talentoso, a Promessa da Literatura, a Curadora, o Aspirante são alguns dos tipos identificados pelo papel que desempenham. Cada personagem se prepara para sua própria batalha na sociedade do espetáculo: prestígio, dinheiro, fama, sexo, amor. Há algo, porém, que mobiliza a todos: a vontade de ganhar um prêmio.

“A Promessa da Literatura, por exemplo, é uma menina muito jovem e deslumbrada que quer ser escritora e sofre terrivelmente com a carreira. O Aspirante é aquele tipo que escreveu um livro para uma editora pequena e fica ansioso para aparecer. Tem ainda a Editora, uma mulher poderosa, sempre ocupada com grandes negócios, que rivaliza com a curadora da feira literária. Ela tem que lidar com as vaidades e questões comerciais da profissão, ao mesmo tempo em que sente certa nostalgia da literatura, ofício que deixou para trás a fim de pensar em vendas e eventos”, cita Armony.

Enredados numa teia de mistérios em que nada é exatamente o que parece ser, as personagens atuam, conspiram, criam e erram. Trata-se de uma história repleta de peripécias e suspense, e ao mesmo tempo, uma engenhosa alegoria irônica de quem dedica a vida a escrever.

Outra personagem da trama é o Escritor Talentoso consagrado, um homem que trabalhou muito para chegar ao estrelato e, quando consegue alcançar esse status, tem pânico de não conseguir escrever outro livro. “Eu fui um pouco de cada personagem ou eu vi alguma coisa parecida acontecer”, explica Adriana Armony sobre a inspiração para os tipos criados por ela na literatura.

A Feira é finalista do Prêmio Rio de Literatura. Enquanto aguarda o resultado da disputa, a autora já está em fase de finalização de seu próximo livro. Dessa vez, a autora escolheu tratar do tráfico com propósito sexual.

Antes, Adriana Armony publicou os romances A fome de Nelson (Record, 2005); Judite no país do futuro (Record, 2008) e Estranhos no aquário (Record, 2012).

 

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