Ouvir Baixar Podcast
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 17/08 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 17/08 15h06 GMT
  • 15h00 - 15h06 GMT
    Jornal 17/08 15h00 GMT
  • 09h57 - 10h00 GMT
    Flash de notícias 17/08 09h57 GMT
  • 09h36 - 09h57 GMT
    Programa 17/08 09h36 GMT
  • 09h30 - 09h36 GMT
    Jornal 17/08 09h30 GMT
  • 09h33 - 09h57 GMT
    Programa 12/08 09h33 GMT
  • 09h30 - 09h33 GMT
    Jornal 12/08 09h30 GMT
Para poder acessar todos os conteúdos multimídia, você deve instalar o plugin Flash no seu navegador. Para se conectar, você deve ativar os cookies nas configurações do navegador. O site da RFI é compatível com os seguintes navegadores: Internet Explorer 8 e +, Firefox 10 e +, Safari 3 e +, Chrome 17 e +.

Avignon: “As crianças entendem tudo”, diz Miguel Fragata, diretor de peça infantil sobre refugiados

Avignon: “As crianças entendem tudo”, diz Miguel Fragata, diretor de peça infantil sobre refugiados
 
O português Miguel Fragata, diretor da peça "Do bosque para o mundo", junto com Inês Barahona. Aurélie Mongour Festival d'Avignon

Como falar de coisas sérias para as crianças sem infantilizá-las? Esse foi o desafio do diretor teatral português Miguel Fragata, que apresenta no Festival de Avignon a peça “Do Bosque para o Mundo”, que trata do longo e sofrido caminho dos refugiados para chegar à Europa.

No palco, duas atrizes, entre malas espalhadas por todos os lados e um imenso mapa-múndi no fundo, relatam a rota feita pelo menino Farid, de 11 anos, que teve que fugir do Afeganistão e, após muitos percalços, consegue chegar finalmente à Inglaterra um ano depois.

“O mundo não é cor de rosa”

A peça foi criada há dois anos por Miguel Fragata e Inês Barahona, da companhia Formiga Atômica de Lisboa, com o objetivo de mostrar às crianças a realidade nua e crua dos refugiados, sem rodeios ou qualquer subterfúgio, geralmente utilizados para edulcorar os espetáculos infantis.

“Olhamos para as crianças como pessoas absolutamente capazes, como os adultos” – disse Miguel Fragata em entrevista à RFI em Avignon, lembrando que esse é o terceiro espetáculo infantil de sua companhia.

Segundo ele, essa deve ser a maneira de se falar com as crianças sobre temas difíceis. “Devemos relatar os fatos com toda a honestidade, sem medo da verdade”, acrescenta ele, ressaltando que a peça põe as crianças em um lugar importante, de responsabilização”.

Ele observa que muitas vezes temos a tendência de aparar as arestas quando falamos com crianças, e mostramos a elas um “mundo maravilhoso”, mas “o mundo não é cor de rosa”, insiste o diretor teatral.

Viagem de iniciação

Nessa rota do Afeganistão à Inglaterra, relatada na peça, o menino Farid vive os piores horrores. Viaja escondido em caminhões frigoríficos, seu passaporte é confiscado pelos atravessadores e ele passa fome e frio, como milhares de refugiados que chegam à Europa atualmente.

Mas nesse caminho, o menino, que vem de uma família da etnia Pashtun, com regras muito rígidas e onde a posição da mulher é de total submissão, vive também uma viagem de iniciação. Ao chegar ao ocidente ele vê pela primeira vez mulheres sem véus nas ruas e descobre um mundo novo. A peça fala sobre isso de maneira direta, mas delicada.

“A medida que o personagem vai avançando, ele vai se confrontando com as diferenças entre o oriente e o ocidente. E é isso que o faz crescer. Ele define suas novas regras. Essa é a definição da identidade”, explica Miguel, para quem o espetáculo é também sobre o crescimento de uma criança.

Olhar os refugiados com empatia

Um dos objetivos de Miguel Fragata e Inês Barahona ao criar essa peça foi lutar contra a banalização do tema dos refugiados, muito presente na mídia europeia. Para o diretor português, era urgente falar às crianças sobre isso, “pois a mídia trata essa crise da pior maneira possível, como se fosse tudo normal, o que nos impede de nos colocarmos no lugar do outro”.

Segundo ele, não podemos continuar a olhar os refugiados como números que estão “complicando” a vida dos europeus. A empatia é a palavra chave do espetáculo.

“Temos que olhar essa crise com mais humanidade e cada história de refugiado como uma história particular. Poderíamos ser nós – conclui Miguel Fragata.

“Do Bosque para o Mundo” (em francês “Au-delà de la Forêt le Monde”) fica em cartaz no Festival de Avignon até 12 de julho.

 


Sobre o mesmo assunto

  • Cultura/Teatro

    Avignon 2018: célebre bailarina de flamenco aborda no palco gravidez e homossexualidade

    Saiba mais

  • Teatro

    Infanticídio e canibalismo de tragédia clássica impactam público no Festival de Avignon

    Saiba mais

  • Avignon 2018

    Avignon 2018: reflexão sobre gênero é o foco do maior festival de teatro francês

    Saiba mais

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. ...
  5. seguinte >
  6. último >
Programas
 
O tempo de conexão expirou.