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Cultura

Avignon 2018: reflexão sobre gênero é o foco do maior festival de teatro francês

media A 72° edição do Festival de Avignon acontece do 6 ao 24 de julho. Fotomontagem com peças que estaram em cartaz nesta edição. © National Museum/© Emilia Stéfani-Law/Nino Laisné/C.Raynaud

A identidade de gênero é uma construção cultural? Esse é o questionamento central do Festival de Avignon que começa nessa sexta-feira (6) no sul da França. 47 espetáculos constam da programação oficial, que aborda ainda questões como a opressão exercida pela família patriarcal e a migração.

 

Enviada especial a Avignon

O Festival completa essa edição 72 anos de existência levando para o palco temáticas cada vez mais presentes na sociedade civil. A chamada “fluidez do gênero” desafia fronteiras, descontrói estereótipos e serve como uma lupa de observação para as relações humanas. Esse é o ponto de partida de muitas das peças em cartaz no Festival.

Mesdames, Messieurs, et le reste du monde © DR

Discriminação ligada ao gênero

“Mesdames, Messieurs et le reste du monde” do jovem diretor David Bobée, espetáculo gratuito encenado ao ar livre em um jardim de Avignon, vai propor um debate com os espectadores sobre a discriminação ligada ao gênero durante toda a duração do Festival. Uma “novela teatral” cotidiana, que pretende apontar velhos tabus e celebrar a beleza da diversidade. E as crianças são bem-vindas a esse debate teatral.

Outro espetáculo sobre o tema é “Romances Inciertos, un autre Orlando” de François Chaignaud e Nino Laisné, inspirado em figuras andróginas da cultura popular espanhola. Fazendo um paralelo com “Orlando” de Virginia Woolf, em uma espécie de recital barroco, os diretores evocam personagens como “Doncella Guerrera”, figura medieval de uma jovem que partiu para a guerra “travestida” de homem.

Trans (més enllà) © Emilia-Stéfani-Law

Com o título já bem evocativo, a peça “Trans”, de Didier Ruiz, reúne no palco testemunhos de pessoas que mudaram de sexo, todas vindas de Barcelona. Atores catalães não profissionais relatam nesse espetáculo suas histórias pessoais: homens e mulheres, com identidades “atribuídas pela sociedade”, que viveram muitos anos prisioneiros de corpos que não eram os seus.

Saison Sèche © Jean-Luc Beaujault

Ainda na programação, a performer e coreógrafa transexual francesa Phia Ménard apresenta em Avignon “Saison Sèche”, mistura de teatro, dança e artes plásticas. O palco é uma arena fechada onde 7 mulheres realizam uma luta que se transforma em ritual de desafio contra as normas patriarcais.

Tiestes de Sêneca: infanticídio e canibalismo

Uma das maiores expectativas dessa safra de Avignon é a montagem da tragédia romana "Tiestes" pelo jovem diretor Thomas Jolly, muito em voga na cena francesa. Ele encena essa tragédia de Sêneca no palco mítico do festival, o Palácio dos Papas, por onde já passaram grandes nomes do teatro europeu.

Thyeste © Christophe Raynaud de Lage

Jolly, ator e diretor, se lança, aos 36 anos, no desafio de colocar em cena uma história considerada por muitos inenarrável: a vingança do rei Atreu contra seu irmão gêmeo Tiestes. Por ter seduzido a esposa de Atreu, Tiestes é condenado a comer os próprios filhos e beber o sangue deles num banquete. Crime tão cruel que o sol desaparece no reino de Argos. Para Jolly, o processo de transformação de Atreu em monstro evoca algo de tão sobrenatural quanto o fim do mundo.

Outra presença marcante na programação é a do diretor belga Ivo Van Hove, que apresenta com sua companhia Tonellgroep Amsterdam a adaptação de uma obra do grande escritor holandês do século 19 Louis Couperus. Uma peça dramática sobre segredos de família, que contará com uma montagem bem contemporânea, como sempre no trabalho de Van Hove, célebre por ter dirigido Lazarus, o último espetáculo de David Bowie.

Destaque para a dramaturgia iraniana

Il pourra toujours dire que c'est pour l'amour du prophète - Gurshad Shaeman © Jeremy Meysen

No cruzamento de temáticas sobre o gênero e a migração, vale ressaltar a peça do iraniano Gurshad Shaheman, que dá a palavra aos refugiados, forçados ao exílio por causa de suas opções sexuais e de gênero. Para construir esse espetáculo, que mistura performance e composição eletroacústica, Shaheman fez centenas de entrevistas com refugiados vindos da África do Norte e do Oriente Médio.

Summerless © Luc Vleminckx

Também iraniano, o diretor Amir Reza Koohestani aborda a questão da família, da repressão em seu país e das preocupações da sociedade iraniana no espetáculo “Summerless”. Ele utiliza a poesia persa como metáfora para falar de um sistema que controla a vida íntima das pessoas no Irã.

Mama - Ahmed El Attar Fertival Avignon

A condição da mulher no mundo árabe não escapa da programação do Festival esse ano. Com a peça "Mama", o egípcio Ahmed El Attar fala das relações de poder entre o homem e a mulher, mas traça também um perfil sem complacência da figura feminina, ousando transformar a mãe intocável no Egito em uma protagonista de seu próprio destino.

Além dos espetáculos da programação oficial, a cidade medieval contará com 1538 representações no chamado circuito independente Avignon Off, que propõe peças de teatro, musicais, shows humorísticos, circo e dança.

O Festival de Avignon vai até 24 de julho. 

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