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Cultura

Índios brasileiros Krahô são destaque no Festival de Cinema de Cannes

media Equipe do filme "Chuva e cantoria na aldeia dos mortos" durante o Festival de Cannes REUTERS/Eric Gaillard

O filme "Chuva e cantoria na aldeia dos mortos" foi apresentado nesta quarta-feira (16) no Festival de Cinema de Cannes. Realizado por Renée Nader Messora e João Salaviza, a obra, uma das poucas produções brasileiras no evento, conta a história dos indígenas Krahô.

"O Brasil negado no Brasil é o que interessa em Cannes", disse nesta quarta-feira (16) a cineasta Renée Nader Messora, ao apresentar seu filme "Chuva e cantoria na aldeia dos mortos", sobre os indígenas Krahô. Junto com João Salaviza (Palma de Ouro de melhor curta-metragem em 2009 por "Arena"), esta brasileira gravou o filme durante nove meses, depois de ter passado longas temporadas com esta comunidade de 3.500 pessoas, no estado do Tocantins.

O filme, que fica entre o documentário e a ficção e está em competição na seção Um Certo Olhar, contou com os membros da comunidade interpretando eles mesmos e falando em seu próprio idioma, o que fez das gravações uma façanha, dado que "ambos só entendiam 5%" do que diziam, contaram à AFP.

A resistência de um jovem Krahô a se tornar xamã após a morte de seu pai – que o leva a se mudar temporariamente para a cidade – serve como argumento e pretexto para mostrar o dia a dia destes indígenas, suas tradições e cerimônias. "Os Krahô são responsáveis por seu próprio bioma, mas estão ameaçados, principalmente pela monocultura de soja e cana e pela pecuária", explicou Nader Messora.

'Ser indígena é um modo de ser'

"Chuva e cantoria na aldeia dos mortos" não é um filme "abertamente ativista, apesar de todo o respeito que temos pelos indígenas no Brasil, e que estão gravando filmes militantes pondo sua vida em risco", disse Salaviza. Ambos os diretores buscaram chegar a uma visão mais justa, a seu ver, para abordar a questão indígena no cinema, no Brasil e no mundo. "Em geral, o indígena é apresentado ou como um profeta, que sai da floresta para dizer duas palavras e desaparece, ou de uma forma mais política, em contraste com a cultura ocidental", disse o cineasta.

Seu filme mostra com naturalidade o modo de vida familiar e social dessa população. "Não é por usar uma calça ou ter um celular que se deixa de ser indígena. No Brasil esse discurso ocorre entre os poderosos e é muito perigoso", adverte. "Ser indígena é um modo de ser e não de aparentar", afirma o português.

Ambos os diretores, que vivem entre Portugal e Brasil, filmaram juntos seu primeiro longa-metragem, "Montanha". "Chuva e cantoria na aldeia dos mortos" é o terceiro filme brasileiro selecionado nesta edição de Cannes. Também se apresentou "O grande circo místico", de Carlos Diegues, na seleção oficial fora de competição, e "Los silencios", de Beatriz Seigner, na Quinzena dos Realizadores.

(Com informações da AFP)

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