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Cultura

Em Cannes, Spike Lee expõe feridas racistas da América

media Adam Driver e John David Washington em "BlacKKKlansman", de Spike Lee. Universal Pictures

Com a voz pausada, mas transpirando de tensão, o cineasta americano Spike Lee não poupou críticas, nem palavrões, para se referir ao presidente americano, Donald Trump. As declarações aconteceram nesta terça-feira (15), durante coletiva de imprensa em Cannes, quando falou sobre seu último longa-metragem, BlacKkKlansman, em competição pela Palma de Ouro.

Enviada especial ao Festival Internacional de Cinema de Cannes

O filme conta a história improvável, mas verídica, de um policial negro que consegue se infiltrar na Ku Klux Klan, na América dos anos 1970, da Guerra do Vietnã e dos Black Panthers. O filme traz uma mensagem forte, com momentos tragicômicos impagáveis, sobre o racismo nos Estados Unidos. O mesmo racismo que, no ano passado, incendiou Charlottesville, no sul do país, e deu destaque ao movimento de extrema-direita alt-right e à própria KKK. Ou seja, o ódio racial e a violência continuam em estado latente, prestes a explodir, desde sempre.

Spike Lee acrescentou no final, depois da montagem feita, cenas de Charlottesville e a morte ao vivo de Heather Heyer, de 32 anos, atropelada por um carro dirigido por um neonazista que avançou sobre uma multidão. “Heather deveria estar viva hoje. Foi um assassinato”, disse o diretor, que teve a permissão da mãe da vítima para usar as imagens.

Berço da democracia

"Nós temos um cara na Casa Branca, eu nem vou pronunciar o maldito nome dele, que, nesse momento decisivo, poderia ter escolhido o amor contra o ódio. Mas esse filho da puta não denunciou a porra da Klan, o alt-right e esses filhos da puta nazistas", disse Lee, que falou praticamente cinco minutos sem ser interrompido.

“Essa tal América, berço da democracia, é uma grande mentira. Os Estados Unidos da América foram construídos em cima do genocídio dos povos nativos e da escravidão”, declarou o cineasta.

“Essa porcaria de extrema-direita não é só nos Estados Unidos, essa merda se espalhou pelo mundo e precisamos acordar. Não podemos ficar calados. Não é um problema preto, branco ou marrom, é de todos. Vivemos todos no mesmo planeta e esse cara na Casa Branca tem o código nuclear”, continuou Lee.

“Estou falando de coração, não ligo para o que os críticos ou qualquer pessoa diga, pois estamos do lado certo da história com este filme”, disse. “Por favor, me desculpem pelas palavras de baixo calão, mas toda essa merda que está acontecendo me dá vontade de xingar. Obrigado”, declarou.

Amor/ódio

Spike Lee, 61, volta ao tapete vermelho de Cannes 27 anos depois de competir pela Palma de Ouro com Febre da Selva (1991). O diretor de Faça a Coisa Certa (também concorrente ao prêmio máximo do festival em 1989) chegou para a coletiva de imprensa com anéis em forma de soco-inglês estampando as palavras LOVE (amor) e HATE (ódio).

Nada é gratuito em BlacKkKlansman, filmado em película para dar o ar dos anos 1970. A abertura tem Alec Baldwin, que recentemente ficou famoso pela hilárias e ácidas imitações que faz de Donald Trump, como um líder extremista em plena pregação de ódio.

Quem vive o policial negro Ron Stallworth, com muita desenvoltura, é John David Washington, filho de Denzel Washington, que viveu Malcolm X, também de Spike Lee, em 1992. O parceiro branco e judeu Flip Zimmerman é vivido por Adam Driver, que também está em Cannes em Solo: A Star Wars Story e em The Man Who Killed Don Quixote.

Trailer oficial de BlacKkKlansman:

 

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