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Maria Thereza Alves exibe obras na França para mostrar “complexidade do Mediterrâneo”

Maria Thereza Alves exibe obras na França para mostrar “complexidade do Mediterrâneo”
 
A artista Maria Thereza Alves Arquivo pessoal

A exposição "The Middle of Earth", aberta no dia 2 de março no Instituto de Arte Contemporânea de Villerbaunne-Rhône-Alpes, no sudeste da França, traz a visão da artista plástica brasileira Maria Thereza Alves sobre o mar Mediterrâneo, um espaço rico em histórias e lendas.  

“Quando a Terra era composta por apenas dois continentes, o mar Mediterrâneo ainda existia como mar e permaneceu todo o tempo com este estado físico. Antes era chamado de Têthys, uma personagem mítica, filha de Urano, o Céu, e Gaia, a Terra”, explica.  “É muito interessante estudar a história dessa parte do mundo que envolve a Europa, o Oriente Médio e a África”, acrescenta.

A exposição é a sequência do projeto “Seeds of changes” (Sementes da mudança), iniciado pela artista em 1999 em Marselha, sul da França, e ao mesmo tempo um diálogo com o trabalho de Jimmie Durham, autor do projeto Eurasien.

Os dois artistas buscaram inspiração nas histórias, vegetação e fauna da região para conceber um trabalho que ganhou contornos sobretudo poéticos.

Maria Thereza Alves explica ter planeajdo com o parceiro a exposição como um poema dividido em estrofes. “Optamos por um poema trágico devido à situação contemporânea do Mediterrâneo”, argumenta.

No diálogo entre os trabalhos dos dois artistas, eles usaram objetos artísticos arqueológicos originários de diferentes museus franceses, como pinturas, escrituras, e trabalhos feito em vidro, sílica, além de árvores, plantas e ferro. Para a exposição, Maria Thereza preparou obras inéditas com cerâmica, vidro e bronze, para retratar sua concepção do universo mediterrâneo.

“Não quisemos retratar guerras da época, mas os primeiros assentamentos e tentativas da humanidade de fazer coisas, como trabalhar com vidro e pedras. Queríamos mostra a parte da humanidade que tenta falar uma com a outra e não a que pretende destruir a outra”, explica a artista paulista, que divide seu tempo entre Nápoles e Berlim.

Espaço de ideias

Para orientar o público da exposição, Maria Thereza e Jimmie escolheram três guias: o medronho, uma das poucas plantas que se desenvolve em todo o Mediterrâneo, a foca Monje, cujo canto forte, segundo a tradição literária de Homero, era percebido pelos navegadores como a voz de uma sereia, e o pássaro Íbis, que povoava todo o Mediterrâneo. Segundo Maria Thereza, a espécie hoje não passa de 500.

“Queremos que o espectador perceba que o Mediterrâneo foi um espaço com muito fluxo de ideias, de comércio, de pessoas e escritores visitando um ao outro, além de música de todas as regiões. A ideia era pensar nas complexidades que existiam no Mediterrâneo e que hoje em dia ficou dividido em estados-nações com ideias muito mesquinhas sobre a humanidade”, defende.

Além da exposição "Middle of Earth", no IAC de Villebaunne-Rhônes-Alpes até o dia 27 de maio, Maria Thereza Alves tem exposições individuais em galerias de Paris e em um trabalho coletivo em Nápoles, onde passa parte do tempo.

Além disso, seus projetos futuros incluem participação na Bienal de Palermo e novas exposições em Nova York, onde foi contemplada em 2016 com o prêmio do Vera List Center for Arts and Politics.


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