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Após estreia de documentário, Linn da Quebrada faz turnê pela Europa

Após estreia de documentário, Linn da Quebrada faz turnê pela Europa
 
Linn da Quebrada na estreia do filme Bixa Travesty em Berlim Reprodução/Instagram Linn da Quebrada

A cantora e performer Linn da Quebrada está realizando sua primeira turnê pela Europa. Ícone do debate sobre a questão de gênero na cultura pop atual no Brasil, ela realiza uma série de shows além de participar do lançamento do documentário Bixa Travesty, que estreou esta semana na Berlinale, o Festival Internacional de Cinema de Berlim.

Enviado especial a Berlim

Se o debate sobre a heteronormatividade foi durante muito tempo um tema restrito aos meios acadêmicos e aos militantes LGBTQ, o assunto vem ganhando as ruas nos últimos meses graças ao cinema, novelas, à moda e ao mundo da música pop. No caso do Brasil, um dos nomes que encarnam atualmente a problemática é a performer Linn da Quebrada, que os europeus estão conhecendo a partir desta semana. Com a turnê Trava Tour, a cantora apresenta sua música engajada na Holanda, Portugal, Alemanha e França, onde, aliás, faz uma performance no desfile da marca Neith Nyer, do estilista brasileiro Francisco Terra, durante a temporada de desfiles do prêt-à-porter.

Linn combina a agenda de shows na Europa com a estreia mundial de Bixa Travesty, documentário apresentado na Berlinale. O filme, que conta a história da cantora, é dirigido por Claudia Priscilla e Kiko Goifman, mas o roteiro foi escrito a seis mãos, com a participação da performer.

Os diretores, que já abordaram a questão de gênero no filme Olhe Pra Mim De Novo, exibido no festival de Berlim em 2012, acompanham a trajetória de Linn, filmam alguns de seus shows com a impressionante Jup do Bairro, e dão alguns elementos que ajudam a entender o sucesso da performer, em uma mistura de ficção e documentário.

Estou disposta a matar o macho que existe em mim

“Esse filme é necessário porque é uma ferramenta de terrorista, pois eu me coloco em risco a partir dele. Eu coloco em risco minhas verdades engessadas. Estou disposta a destruir em mim verdades consolidadas, que não me fazem caminhar e me mantêm estática”, explicou Linn na capital alemã pouco antes da estreia do documentário. “Estou disposta a matar o macho que existe em mim. A matar o branco que existe em mim. Toda criação envolve também uma destruição”, defende a performer.

Porém, Linn alerta para o risco de instrumentalização do debate de gênero. Para ela, “ser trans, assim como o genocídio da população negra, não devem ser vistos como ‘temas’ a serem esgotados. É uma questão que deve ser encarada e atravessada”. Além disso, ela celebra a presença de Bixa Travesty na Berlinale, mas lembra que “é importante estar em Berlim, mas também nas periferias do Brasil, ocupando diversos espaços e travando diálogos como o maior número de pessoas”.

Dialogar, aliás, parece ser um dos talentos de Linn, não apenas por sua música mas também por seus discursos. Prova disso, logo após a projeção de estreia do filme, a performer arrancou aplausos do público. “Estamos construindo um momento histórico, e eu sou tão responsável por esse momento quanto cada uma de vocês aqui. Meu corpo é político, mas o corpo de cada um presente aqui também é político (...) A representação é muito importante, mas acredito que ela tem limites. Eu acredito na atuação, em atuação política e então eu pergunto: Qual a tua ação política?", provocou a performer.


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