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Cultura

Entenda por que Berlinale é vista como o festival de cinema mais político do mundo

media Michael Mueller, equivalente do prefeito de Berlim, durante cerimônia de abertura da 68ª Berlinale. REUTERS/Fabrizio Bensch

O Festival Internacional de Cinema de Berlim disputa, com Cannes e Veneza, a liderança dos principais eventos da 7ª arte no mundo. Se cada um deles tem a sua particularidade, a Berlinale alimentou a reputação de ser o mais político de todos. Parte desta fama vem de sua história.

Enviado especial a Berlim

Criada em 1951 na Berlim Ocidental, a Berlinale foi uma iniciativa dos aliados que queriam apresentar a capital alemã como vitrine do Ocidente para o mundo todo após a guerra. “A própria existência da Berlinale estava enraizada na época em uma luta entre as forças de ocupação ocidentais e soviéticas”, comenta a historiadora do cinema e professora da Universidade Livre de Berlim, Brigitta Wagner. O primeiro filme apresentado na edição inaugural foi Rebecca, de Alfred Hitchcock. Uma escolha simbólica, já que a produção havia sido proibida pelos nazistas quando estreou, em 1940.

Em 1954, o festival começa, aos poucos, a ganhar ares internacionais. Nesta edição, nomes como o ator francês Jean Marais ou a atriz italiana Sophia Loren fazem parte dos convidados. Mas só em 1956 o júri passou a ser formado por estrangeiros e a Berlinale começou a ter um reconhecimento da indústria cinematográfica.

A historiadora do cinema e professora da Universidade Livre de Berlim, Brigitta Wagner Divulgação: Universidade Livre de Berlim

“Mas tudo isso só foi possível na Berlim dos anos 1950 porque o Muro foi construído apenas em 1961”, lembra a historiadora. Afinal, até então os moradores do leste podiam assistir os filmes em competição e beneficiavam de tarifas reduzidas. Em 1962 a situação mudou: além de perder o público que morava do outro lado do muro, nenhum filme realizado no leste entrou na seleção. A partir daí, foi preciso esperar 1974 para que um filme soviético fosse projetado.  

Polêmicas e censura

A década de 70 foi marcada por polêmicas, quase sempre de fundo político. A primeira delas foi com o filme O.K, do alemão Michael Verhoeven, no qual um grupo de soldados americanos aparece estuprando e assassinando uma jovem vietnamita. Público e júri se rebelaram e o filme foi retirado da competição, provocando tamanha briga que o festival teve sua premiação anulada.

Já em 1979 foi a vez do filme O Franco Atirador, de Michael Cimino, dar o que falar ao tratar, novamente, a guerra do Vietnã. Vários países se retiraram da Berlinale naquele ano.  

Se dermos um salto no tempo, em 2016, o festival decidiu encampar a causa dos refugiados. Naquele ano, o presidente do evento, Dieter Kosslick, disse que a programação era uma espécie de resposta ao “fantasma” que planava no mundo. “Nem o capitalismo nem o comunismo cumpriram suas promessas de tornar o mundo mais justo”, acusou.

O tema dos migrantes também volta à tona este ano em vários filmes, como Transit, do alemão Christian Petzold, ou o documentário Zentralflughafen THF (Aeroporto Central THF, em tradução livre), do brasileiro Karim Aïnouz, radicado atualmente na Alemanha.

O filme Zentralflughafen THF, do brasileiro Karim Ainouz, vai abordar a crise migratória na Alemanha Divulgação: @ Juan Sarmiento

Além disso, refugiados foram recrutados como estagiários pela Berlinale e os oragnizadores também ofereceram ingressos para os filmes a milhares de requerentes de asilo que chegaram na Alemanha desde 2015.

Mas a questão é abordada também de maneira mais simbólica, pois Malakeh Jazmati, uma refugiada síria, foi escolhida pela organização do festival para preparar o jantar de inauguração do evento. Uma mensagem forte para um país que se vê como um exemplo de integração.

Festival suscita críticas pela qualidade de sua seleção

Mas nem todos concordam com a imagem de engajamento e excelência que a Berlinale construiu ao longo dos anos. Muitos criticam que, para atrair mais público, o evento vem sendo cada vez menos exigente em sua programação.

“Muitas pessoas na indústria cinematográfica dizem que o festival não vai longe o suficiente – em sua função de evento vanguardista e engajado”, confirma Brigitta Wagner. Prova disso, em novembro passado, um grupo de 79 diretores alemães publicou uma carta criticando o festival, que estaria perdendo força e propondo uma seleção de filmes sem muito critério qualitativo.

Dieter Kosslick, que dirige o festival desde de 2001 e se aposenta esse ano, rebate as críticas com piruetas semânticas. “Esse ano a competição reflete o mundo como ele é : complexo, múltiplo e apaixonante”, declarou, diplomático, ao ser questionado sobre as reclamações.

Mas essa mudança de presidência pode abrir uma nova fase. “Cineastas alemães e figuras culturais estão debatendo o futuro da Berlinale e a oportunidade atual de redefinir a sensibilidade estética do festival, o compromisso com o cinema alemão e seu lugar dentro da paisagem internacional do festival”, aponta a historiadora.

Vale lembrar que cada mostra na Berlinale já tem a sua peculiaridade. Além da disputa pelo Urso de Ouro na competição principal, a seleção “Panorama” apresenta produções independentes e filmes bem mais autorais (muitos a vêem como o equivalente da “Um certo olhar”, em Cannes).

Na mesma linha, porém ainda mais inovadora, a mostra “Forum” traz obras que exploram caminhos menos convencionais na maneira de construir suas narrativas. Seguem ainda a mostra “Generation”, com filmes voltados para o público infanto-juvenil, “Shorts”, com uma coletânea bastante eclética de curtas, além de algumas homenagens e retrospectivas.

Esse ano a Berlinale também traz uma seleção de filmes sobre o tema da culinária e de questões ambientais anexas. Sem esquecer o Mercado de Filmes (principalmente europeus), que é visto como o segundo mais importante em volume de negócios após Cannes.

Berlim também pode se orgulhar de ser o festival campeão de público. Afinal, ao contrário de Cannes, na Berlinale qualquer um pode comprar ingressos para assistir os filmes em competição e as mostras paralelas pelo preço de uma entrada normal. Resultado: no ano passado mais de 330 mil ingressos foram vendidos.

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