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Cultura

Cineasta austríaco Michael Haneke chama #Mee Too de "caça às bruxas"

media O diretor austríaco Michael Haneke levou a Palma de Ouro com o filme "Amour", em 2012. REUTERS/Yves Herman

O diretor austríaco Michael Haneke, duas vezes vencedor da Palma de Ouro em Cannes, criticou nesta sexta-feira (9), o movimento #MeToo, de denúncias de abusos sexuais. Para ele, trata-se de uma "caça às bruxas", gerando um novo "puritanismo" que prejudica a criação.

"Fico preocupado com esse novo puritanismo, impregnado de ódio aos homens, que nos chega no rastro do movimento #MeToo", afirma o diretor de cinema em entrevista ao jornal austríaco.

"Enquanto artista, começamos a ter medo, por causa dessa cruzada, contra qualquer forma de erotismo", afirma Haneke. Segundo ele, "O Império dos Sentidos" (1976), do japonês Nagisa Oshima, um dos filmes mais profundos sobre sexualidade, "não poderia ser filmado hoje".

"É claro que qualquer forma de estupro, ou abuso sexual, deve ser punida. Mas a histeria e as condenações sem julgamento que assistimos hoje me parecem repugnantes", acrescenta o cineasta, de 75 anos.

Discussão envenena sociedade

Para o diretor de "A Fita Branca" (Palma de Ouro em 2009) e de "Amor" (Palma de Ouro e um Oscar em 2012), que não foi objeto de nenhuma acusação, "cada 'shitstorm' (enxurrada de críticas) que essas 'revelações' geram, inclusive nos sites de jornais sérios, envenena o clima na sociedade".

Na realidade, no que se refere ao abuso sexual, este ambiente de "caça às bruxas" pode "tornar cada vez mais difícil" um debate "sobre este tema tão importante".

Haneke anunciou no final de janeiro que vai dirigir sua primeira série de TV, chamada “Kelvin’s Book”, de dez episódios, em inglês, ambientado em um futuro não muito distante.

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