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“Me sinto adotado pelos músicos brasileiros”, diz violinista francês Nicolas Krassik

“Me sinto adotado pelos músicos brasileiros”, diz violinista francês Nicolas Krassik
 
O violinista francês Nicolas Krassik está radicado há 16 anos no Brasil. Foto: Divulgação

Violonista francês radicado no Brasil, Nicolas Krassik, é o convidado especial do concerto do grupo Les Bécots da Lappa, na cidade de Montreuil, neste sábado (30). Será a ocasião para uma volta às raízes de um artista que se apaixonou pela cultura brasileira em Paris e se tornou referência da popularização do instrumento em diversos ritmos brasileiros.

Krassik nasceu em Maisons-Alfort, na periferia de Paris, e começou a estudar violino aos cinco anos de idade. Foram 14 anos de formação erudita em um conservatório de Aubervilliers, também na região parisiense, antes de se enveredar pelo jazz por influência de vários violinistas franceses famosos como Stéphane Grapelli e Jean-Luc Ponty.

Mas foi nos bares da capital francesa, onde trabalhava como músico de jazz, que teve contato com a música e dança brasileiras, uma cultura pela qual se apaixonou e decidiu explorar.

Aos 22 anos, passou a frequentar nos finais de semana um bar com música ao vivo e capoeira. “Minha primeira paixão brasileira foi a dança”, lembra Nicolas na entrevista à RFI.

Além de aprender capoeira e a dançar, o jovem francês passou a levar seu violino para tocar com os grupos brasileiros, resultando em uma experiência musical enriquecedora. “Com 24 anos, era um parisiense brasileiro”.

Troca de Paris pelo Rio de Janeiro

Depois de três semanas de férias no Brasil durante o carnaval de 2001, Nicolas Krassik voltou frustrado à França por ter ouvido basicamente samba e marchinhas carnavalescas.

Surgiu então o interesse de passar uma temporada mais longa no Brasil para se aprofundar nos ritmos e estudar de fato a diversidade musical brasileira para incluir no seu trabalho instrumental.

“Fui apenas com a vontade de estudar, nunca imaginei que iria ficar”, recorda o violinista.

Nicolas Krassik diz ter sido muito bem acolhido pelos músicos brasileiros em um ambiente em que seu instrumento não era muito divulgado.

“O violino não era muito utilizado na música popular e naquele momento não tinha muita gente tocando", afirma. "O instrumento poderia não ter interessado ninguém, eu poderia não ter me misturado de uma forma bacana, mas a minha vontade de aprender e o fato de improvisar pelo jazz, e a paixão que tinha pela música brasileira fez com que eu fosse muito bem recebido”, recorda.

O violinista Yamandú Costa foi um dos maiores responsáveis pela introdução de Nicolas no cenário brasileiro, ao convidá-lo para participações em shows. “Padrinho” de Nicolas, Yamandú  se refere à vinda do francês como um “presente para a música brasileira”.

“Minha surpresa foi essa, interessou, agradou, chamou atenção o fato de ser francês e tocar choro, samba, forró. Foi uma grande surpresa ter recebido muitos convites para tocar”.

Nicolas Krassik nos estúdios da RFI Brasil, em 29/12/2017. Foto: RFI

Paixão pelo forró

Nicolas foi conquistando seu espaço no cenário artístico e convidado para dividir o palco e gravações com grandes nomes da música brasileira como João Bosco, Beth Carvalho, Marisa Monte, Gilberto Gil, entre outros.

“Eu me sinto adotado. Os músicos me falam que eu tenho também uma contribuição da minha cultura e do meu instrumento para a música deles”, afirma.

Nestes 16 anos radicados no Brasil, Nicolas Krassik já lançou sete discos, o último deles com uma coletânea dos trabalhos anteriores, que tem uma dedicação especial à música nordestina. “Em todos os meus trabalhos, com exceção de um disco dedicado a João Bosco, tem forró, xote, baião, mas sempre misturado com choro e samba”.

Sua paixão pelos instrumentos de corda o levou a criar o projeto Cordestinos, que existe há 10 anos. A experiência está em plena evolução e a chegada de guitarra está levando o grupo a adquirir uma sonoridade mais “roqueira”, segundo Nicolas.

Sua volta à região parisiense para tocar junto com o grupo brasileiro Les Bécots da Lappa corresponde também ao seu desejo de conquistar aos poucos o público de onde estão sua raízes.

“Estou muito feliz, é um grupo interessante que faz releituras da música brasileira, da gafieira, choro, samba, o clima das coisas que acontecem no Rio de Janeiro, na Lapa. Me sinto muito honrado por ter sido convidado”, conclui.

O concerto será neste sábado (30) a partir das 20h no Le Chinois, em Montreuil.

Para ouvir a entrevista clique na foto acima.

 


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