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DJ brasileira é destaque na cena eletrônica da China

DJ brasileira é destaque na cena eletrônica da China
 
A DJ Juliana Lima. Divulgação

A bela morena de 1,78m atrás da mesa de som na noite do Mercedes Me, um dos endereços badalados da capital chinesa, é brasileira. Nascida em Brasília, Juliana Lima, de 28 anos, ficou conhecida na cena eletrônica de Pequim, onde já toca há uma década. Sua história chinesa faz lembrar a de outros brasileiros e estrangeiros, que acabaram se reiventando ao chegar na China. 

A DJ de agenda cheia, que hoje é convidada para grandes festas e festivais, e neste momento está em turnê com o DJ também brasileiro Konka por cinco cidades da China e duas na Indonésia, desembarcou em Pequim pela primeira vez como modelo. Ela já tinha morado outros três meses na Tailândia e nas Filipinas.

“Eu vim com 18 anos em 2007 para ficar três meses e fazer um contrato de modelo e acabei ficando 10 anos e virei DJ”, explica.

De tanto participar de festas como modelo, começou a aprender ela própria a operar a mesa de som. Hoje, é um dos poucos estrangeiros a tocar na noite chinesa. Desde que chegou ao país, o conceito de balada começou a a se destacar. Não são muitas pela cidade. Os chineses gostam de dormir cedo. Mas ela diz que as opções têm crescido. Reclama que a noite ainda é muito comercial e cheia de pop. Há apenas duas boas alternativas para quem gosta da balada underground, segundo ela, a Lantern, onde tocou na semana passada, e a Dada.

São poucas as baladas que convidam DJs internacionais em Pequim, que tocam a música underground. Tem muitas baladas em que existe o comercial, onde eles realmente investem muito, no comercial. Mas, em Xangai, as baladas são várias. Os live house são vários. Muitas bandas vão mais para Xangai do que vêm para Pequim conta Juliana.

A cultura da balada ainda é recente no país que Juliana adotou para morar, e onde se casou com um músico búlgaro. Segundo ela, os chineses gostam muito mais da parte visual, da decoração. Esperam os 30 segundos que sabem que antecedem o momento em que todos precisam pular juntos. Ela própria reconhece que eles gostam de ver uma estrangeira, brasileira, no comando da mesa.

“Eu sou destaque aqui porque eu sou a única estrangeira, brasileira, que toca o estilo de música que eu toco”, diz a DJ brasileira.

Juliana faz questão de colocar os elementos brasileiros nas músicas que toca e ainda canta em português, além de fazer batidas de tambor e usar mais percussão.

“Eu dou muito valor ao meu trabalho e eu gosto de sempre de colocar tudo que eu tenho quando estou tocando, e eu acho que isso se destaca bastante. O chinês vê a vibração que a gente passa enquanto está tocando, quando a gente dança. O brasileiro tem o sangue forte, não é?”, diz, e prossegue:

“Tento dar o meu melhor enquanto estou atrás da mesa de som. Passar a alegria que a gente sente o tempo todo. Mas os chinês precisam entender um pouco mais, sentir um pouco mais a música. A música tem que tocar pelos ouvidos, e não pelos olhos.. Ainda falta esse passo para eles para que as coisas evoluam mais dele lado”, conclui.

Get Connected, o conceito

Juliana criou o conceito Get Connected, que começou como um evento mensal, que contava com presença de DJs de outras cidades e países para tocar justamente no Lantern, a sua balada favorita. A ideia acabou se desenvolvendo e virando o Get Connected Studios, baseado em Pequim, criado por ela e o marido, com foco na produção de música eletrônica e rock.

“Por aqui não é fácil, porque muito difícil conseguir as licenças necessárias para trazer artistas, gasta, leva tempo, as vezes não dá certo. Você corre um risco muito grande. Existem várias pessoas que eu trabalho com elas, que eu vejo o tanto que elas ralam para que os projetos dêem certo. E mesmo dando errado, tenta de novo, até dar certo. Então, a luta que a gente trava é muito grande”, afirma.

O plano é continuar na China, pelo menos por enquanto.

“Nossa, eu estou com muita saudade do meu país. Claro que eu quero voltar e tocar um som lá no Brasil também. Os planos por enquanto são ficar em Pequim”, finaliza a brasileira.


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