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“Escrever já é uma resistência”, defende poeta Ana Elisa Ribeiro em Paris

“Escrever já é uma resistência”, defende poeta Ana Elisa Ribeiro em Paris
 
A poeta mineira Ana Elisa Ribeiro nos estúdios da RFI em Paris. RFI

A poeta brasileira Ana Elisa Ribeiro esteve em Paris esta semana, onde participou da 14ª edição da Bienal internacional de Poetas. Ela fazia parte de uma delegação de autores brasileiros que participaram do evento, que homenageou as literaturas do Brasil, Argentina e Colômbia, e cujo tema foi “Estado de Urgência Poética”.

Ana Elisa Ribeiro tem uma produção literária diversa, composta de poesias, contos, crônicas e textos acadêmicos, já que é também é professora universitária. Mas é como poeta que parece se sentir mais realizada. “É com a poesia que eu tomo mais cuidado e com ela que eu tenho mais carinho”, comenta a autora.

Talvez por esse motivo ela tenha se sentido pessoalmente atacada ao ter um de seus poemas duramente criticado. Em 2015, Ciuminho Básico foi apresentado por engano para estudantes do Ensino Fundamental, o que chocou os pais dos alunos, que acusaram a escola de usar material erótico na sala de aula. “Isso certamente tem a ver com o fato de eu ser uma mulher, que não poderia escrever um poema considerado violento”, analisa a autora.

Mas o episódio não afetou sua liberdade de criação. “De forma alguma eu deixei de escrever algo porque alguém considera sórdido”, retruca. “As artes também são o lugar de resistência, e escrever já é uma resistência”, frisa a autora, que também defende o gênero literário.

“Do ponto de vista do mercado, a poesia continua sendo marginal, com aquela história de que vende menos. Mas também movimenta muito as pequenas editoras, que são as corajosas, que trazem à tona essa produção efervescente no Brasil”, ressalta a autora, que participa da Bienal francesa junto com os colegas mineiros Ana Martins Marques, Fabrício Marques, Edimilson de Almeida Pereira e Lucas Guimaraens, que foi o curador convidado para esta edição do evento.

Clique na foto acima para ouvir a entrevista na íntegra ou assista o vídeo. 


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