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Sophie Calle expõe bestiário afetivo no Museu da Caça de Paris

Sophie Calle expõe bestiário afetivo no Museu da Caça de Paris
 
As artistas Sophie Calle e Serena Carone posam em 9 de outubro de 2017 em frente ao "túmulo" de Sophie, uma das obras executadas especialmente para a exposição "Beau Doublé, Monsieur Le Marquis", em cartaz no Museu da Caça e da Natureza de Paris. RFI/Márcia Bechara

Ao lado da artista Serena Carone, especialista em esculturas em faiança, a enfant terrible revisita antigos clássicos de sua trajetória e apresenta novos trabalhos conceituais na exposição “Beau Doublé, Monsieur Le Marquis! ”, aberta ao público no Museu da Caça e da Natureza de Paris nesta quarta-feira (10).

(Para ouvir o programa e a entrevista com Sophie Calle, clique acima na foto deste artigo)

“Cortar, desmembrar, abrir, eviscerar, estripar, cercar...”: a voz da artista contemporânea francesa Sophie Calle inunda o corredor do segundo andar do Museu da Caça e da Natureza (“Musée de la Chasse et de la Nature”), em Paris, reproduzindo termos saídos do vocabulário da caça como num estranho pesadelo. As paredes repletas de troféus de antigas caçadas, o chão forrado de tapeçarias e, no meio da sala de armas, um gato empalhado surge sobre uma poltrona, uma corda em volta do pescoço, como se houvesse cometido suicídio. O jogo de cena faz parte de “Beau Doublé Monsieur Le Marquis! ”, exposição de Sophie Calle e Serena Carone que estreou no dia 10 de outubro e fica em cartaz até 11 de fevereiro na capital francesa. A mostra traz novos e antigos trabalhos de Calle, enfant terrible da arte conceitual, num diálogo artístico com Carone, velha amiga e parceira de longa data, especialista em esculturas em faiança.

“Pensei em Sophie Calle no primeiro momento, para ocupar o museu com suas obras. Sophie decidiu então convidar Serena, artista que ela admira. São dois trabalhos diametralmente opostos. Sophie é uma artista conceitual, ela inventou um formato que associa a imagem ao texto, uma linguagem pura, enquanto Carone realiza um trabalho manual ultrassofisticado, sua obra parece uma incrível loja de curiosidades. Nós achamos interessante fazer dialogar dois trabalhos muito diferentes, mas que se parecem nesse olhar de estranheza e de auto-ironia”, explica Sonia Voss, curadora da exposição.

“Este é o desafio: atrair um público a um museu dedicado à caça, coisa pela qual poucas pessoas se interessam normalmente na cidade, em Paris. De um lado, descobrimos uma antiga tradição [a caça] e, de outro, os artistas ressignificam e reativam seu trabalho expondo-o aqui, nos obrigando a olhar diferentemente seu trabalho, obras que vimos anteriormente em galerias ou museus mais clássicos, com muros brancos etc”, detalha Voss sobre “Beau Doublé, Monsieur Le Marquis!”. Sophie Calle dedica a exposição a seu pai, Bob Calle, morto em 2015, seu “primeiro espectador”. A homenagem ao pai, que abre a primeira série de trabalhos no primeiro andar do Museu da Caça e da Natureza, dá o tom da peregrinação artística pelo universo da artista: uma foto em primeiro plano de um carneiro, cego pelos seus próprios chifres. Touché!, diria o senhor Marquês...

Uma das peças de "38 Histoires vraies" ("38 Histórias verdadeiras") de Sophie Calle, parte de exposição "Beau Doublé, Monsieur Le Marquis". RFI/Márcia Bechara

Repertório de caçadores

“Serena e eu procuramos durante muito tempo um título para essa exposição. Um título que mostrasse que éramos duas a expor, que desse destaque à dupla de artistas, e que fizesse parte, ao mesmo tempo do vocabulário da caça. Serena havia pensando algo como golpe duplo [“coup double”], não é?”, pergunta Sophie Calle à Serena Carone, durante conversa com a RFI Brasil. “Sim, mas me lembrei de uma velha propaganda, que passava o tempo todo na televisão, há cerca de 30 anos atrás, que vendia cartuchos de munição. Um homem sentado à mesa gritava ‘Beau Doublé, Monsieur Le Marquis’. Achei exagerado, mas Claude D’Anthenaise, diretor do museu, achou bem apropriado”, diverte-se Carone. Ambas as artistas, durante o processo de criação da exposição, fizeram uma espécie de residência na casa de campo do Museu da caça e da natureza, na região de Ardennes, no norte da França, para descobrirem e se acostumarem in loco ao repertório da caça e dos caçadores.

No fundo da sala, ainda no térreo, um enorme dispositivo catalisa a experiência visual provocadora de Sophie Calle – seu “túmulo”, uma obra “sepulcral” revisitada por seus animais de estimação empalhados [a “mãe”, a girafa Monique; o “pai”, o tigre “Bob”, entre outros “bichos”], e protagonizado por uma escultura de mulher em tamanho real em faiança, simbolizando a própria artista, realizada por Serena Carone em detalhes impressionantes.

“Nós tentamos interagir dessa forma. Por exemplo, quando vou ver meu vendedor de peixes, porque fiquei sem ideias criativas, e dou de cara com um cartaz onde está escrito ‘procure ideias com seu vendedor de peixes’, e que este vendedor de repente me diz ‘os artistas gostam muito de trabalhar com a pele do salmão’, e Serena tinha feito uma obra retratando peles de salmão em cera, tudo faz sentido de repente; às vezes as coisas foram criadas com essa leveza e às vezes tentamos investigar mais profundamente, como no meu “túmulo”, executado por Serena”, explica Sophie Calle.

No primeiro andar do museu, obras famosas de Calle ganham nova dimensão, imersas no cenário das caçadas. Assim, ao lado da coleção de fuzis, na sala de armas, o trabalho “Coeur de cible” (1990/2003) [“Coração de alvo”, em tradução livre] ganha nova dimensão. A obra, inspirada por fotografias de jovens detentos, utilizadas como alvos de tiro durante o treinamento de policiais norte-americanos, é disposta ao lado de “Liberté surveillée” (2014) [“Liberdade vigiada”], que mostra imagens de recenseamento de populações de animais noturnos, feitas por meio da técnica de raio X. No meio do bestiário de Sophie Calle, as criações plásticas de Carone: uma pele de urso polar branco em cerâmica na frente da lareira, um Octopus multicolorido em faiança, mini cachorros feitos de mousse plástica e outras criaturas povoam a sala de estar do museu.

“Procura-se jovem viúva mesmo doente”

No segundo andar, o visitante é acolhido por “Suite vénitienne” [“Sequência veneziana”, em tradução livre], trabalho histórico de Sophie Calle de 1980, apresentado dentro das vitrines de porcelana da “seção dos macacos” do Museu da caça e da natureza”. O estranhamento não para por aí. Calle se apropria do conceito de caça em todas as acepções possíveis, estendendo-o ao domínio da linguagem pura. Assim, um dos roteiros da mostra apresenta ao espectador uma série de anúncios amorosos, retirados das páginas do jornal “Le chasseur français” (“O caçador francês”). A justaposição das mensagens, com textos como “procura-se jovem com gostos simples”, ou “procura-se jovem viúva mesmo doente”, ao lado de imagens como a gaiola com um casal de periquitos em faiança de Serena Carone, destacam a solidão da busca amorosa, na sequência "Le Chasseur français" (2017).

"Ensemble pour la vie" ("Juntos para toda a vida"), obra de Serena Carone de 2013 em faiança. RFI/Márcia Bechara

Para finalizar a trajetória xamânico-afetiva da exposição “Beau Doublé, Monsieur Le Marquis!”, no Museu da Caça e da Natureza de Paris, uma pergunta: se você fosse um bicho, quem você seria? “Um polvo!”, responde de imediato Serena Carone à RFI Brasil. “Sem dúvida muito útil para uma escultora”, diverte-se. “Eu sou mais banal, eu sou um gato...”, afirma Sophie Calle. “Porque é de uma banalidade total, é verdadeiramente ‘o’ animal de companhia, o mais óbvio, é mais fácil ter um gato do que uma serpente. E também porque tive gatos pelos quais fui apaixonada, como o Faux Souris (Falso Ratinho, em tradução livre), meu último gato [morto em 2017, a quem a artista dedicou uma coluna no Le Monde]. Sim, eu gostaria muito de ser um gato! É independente, carinhoso, cuidadoso, limpinho, como eu, que sou maníaca por limpeza”, finaliza Sophie Calle, explodindo numa gargalhada.


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