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Diretor português Tiago Rodrigues conquista Festival de Avignon com a peça “Sopro”

Diretor português Tiago Rodrigues conquista Festival de Avignon com a peça “Sopro”
 
O diretor português Tiago Rodrigues Magda Bizarro

Aos 40 anos, o português Tiago Rodrigues, diretor do Teatro Nacional Dona Maria II de Lisboa, é um dos nomes em ascensão da cena cultural europeia. Ele apresenta atualmente no Festival de Avignon, no sul da França, a peça “Sopro”, inspirada numa velha profissão do teatro: o “ponto”, aquela pessoa que fica escondida embaixo do palco, encarregada de soprar as falas do elenco em cena. Uma bela metáfora da memória do teatro.

Enviada especial a Avignon

Pela segunda vez na programação oficial do grande festival de teatro europeu, Rodrigues tem despertado muita atenção do público e da crítica. Em 2015 ele surpreendeu Avignon com sua versão em português de “Antônio e Cleópatra”, de Shakespeare e, um ano depois, ele recebeu carta branca para “ocupar” durante dois meses o Théâtre de la Bastille, em Paris, e mostrar suas criações.

Nessa nova peça, o diretor português escolheu como protagonista Cristina Vidal, que exerce o trabalho de “ponto” no Teatro Nacional Dona Maria II há 39 anos. Cristina, considerada por Tiago um arquivo vivo da história do teatro, saiu pela primeira vez dos bastidores e aparece no palco desempenhando seu próprio papel na vida.

“Eu queria falar dessas profissões da sombra do teatro”

Como bem lembra Tiago Rodrigues nessa entrevista à RFI, o “ponto” é uma profissão em vias de extinção. Restam apenas dois profissionais que ainda exercem o “métier” no teatro que ele dirige em Lisboa. Há muito tempo que ele pretendia fazer um espetáculo com a “ponto” Cristina Vidal. Ao assumir a direção do Teatro Dona Maria II há três anos, surgiu enfim a ocasião para realizar o projeto.

“Quando assumi a direção desse teatro, onde muita gente trabalha na sombra, mais de 100 pessoas, achei que seria bonito homenagear todas essas profissões dos bastidores, essas profissões antigas do teatro”, diz Tiago.

Cena da peça "O Sopro" Christophe Raynaud De Lage

O difícil foi convencer Cristina a sair dos bastidores e enfrentar as luzes do palco. Depois de vencer esse primeiro desafio, ele decidiu construir um espetáculo misturando as histórias e anedotas relatadas por ela com textos clássicos do teatro – Tchekov, Molière, Racine – e com ficções envolvendo os atores e atrizes do elenco. “Isso tudo constrói uma personagem que não é apenas aquela figura que salva os atores e atrizes quando eles têm um branco em cena, mas é a guardiã da memória do edifício do teatro, uma espécie de arquivo da casa”.

Tiago resume da seguinte maneira essa personagem: “o ponto” é alguém que fala ao mesmo tempo a língua dos bastidores e a língua do palco. ” É uma poliglota que está na fronteira entre esses dois mundos”.

Metáfora do fim do teatro?

Ao escolher como tema central da peça uma profissão em vias de extinção, Tiago evoca as transformações do teatro e ressalta que “ofícios” como o ponto, o contrarregra, o aderecista, guardam uma memória específica do teatro que deve ser preservada.

Mas além de falar sobre essas profissões tradicionais, o diretor português questiona nessa peça as ameaças que pairam sobre o teatro propriamente dito. “Eu não acho que o teatro está ameaçado, sempre haverá teatro, mas o acesso democrático público de todos os cidadãos ao teatro, esse sim está ameaçado e temos que batalhar por ele”. Eu acho mais militante ir ao teatro hoje do que era há 50 anos”, diz.

Tiago Rodrigues ressaltou que, como diretor do teatro nacional de Lisboa, gostaria de aprofundar suas relações com o teatro brasileiro e tem vários projetos nesse sentido, embora prefira não anunciá-los por enquanto. “Acho que a vida cultural de Portugal e Brasil estão muitas vezes, sem razão nenhuma, longe uma da outra”. Segundo ele, as dramaturgias dos dois países têm tudo a ganhar com uma aproximação, como já ocorre com a literatura.

“Sopro” de Tiago Rodrigues é apresentado no Cloître des Carmes em Avignon até 16 de julho.


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