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França

Presenças africana e feminina marcam Festival de Avignon 2017

media Os espetáculos Les Parisiens, Antígona e Unwanted são alguns dos destaques desta edição do Festival de Avignon © Christophe Raynaud de Lage/© Bruce Clarke

O Festival de Avignon, o maior de artes cênicas da França, começa nesta quinta-feira (6) com uma programação eclética, vanguardista e mais uma vez polêmica. O destaque deste ano vai para a dramaturgia e coreografia africanas, presentes com 6 criações. Do total de 41 espetáculos na programação oficial, 37% são dirigidos ou protagonizados por mulheres. No circuito paralelo, o chamado “Avignon Off”, estão previstos este ano mais de mil espetáculos.

Enviada especial a Avignon

A abertura do festival, realizado desde 1947 na cidade do sul da França, ocorre, como é tradição, com a peça principal encenada na suntuosa construção medieval, o Palácio dos Papas. Nessa edição, “Antígona”, de Sófocles, será montada no local pelo japonês Satoshi Miyagi, que propõe uma criação inspirada no budismo, bem longe da abordagem tradicional dessa tragédia grega.

“Antígona” é o chamado “carro-chefe” de Avignon e dará a largada ao festival que ocorre até 26 de julho com peças encenadas nos locais mais inusitados da cidade: igrejas, claustros, abadias e pequenos teatros improvisados para o evento.

Polêmica na programação africana

Antes de começar, a programação dessa edição já é objeto de polêmica. Para destacar a arte cênica africana, o diretor do Festival, Olivier Py, decidiu convidar principalmente criações contemporâneas do continente com foco na dança e na música.

A decisão desagradou profundamente um dos grandes diretores africanos, o congolês Dieudonné Nianguna, que criticou a ausência da verdadeira dramaturgia africana, o “teatro puro” como ele denominou.

“Convidar um continente sem a sua palavra é como convidar um morto. É uma maneira de dizer que a África não fala, que o continente não tem um pensamento literário” exclamou ele, revoltado, em sua página Facebook. 

Personalidades africanas famosas surgiram para defender a programação de Avignon, como a célebre intérprete Rokia Traoré, do Mali, para quem a dramaturgia do continente tem muitas formas e pode ser traduzida pelo canto e pela dança. Traoré apresentará em Avignon o espetáculo “Dream Mandé- Djata”, que homenageia os legendários contadores de histórias do oeste da África, os chamados “griots”.

Dramaturgia feminina

Traoré não é a única mulher em destaque em Avignon este ano. Um dos espetáculos mais aguardados é “Unwanted”, de Dorothée Munyaneza, que propõe abordar com movimentos e música o drama das mulheres estupradas em Ruanda.

E para concluir o capítulo feminino africano, a grande cantora do Benim Angélique Kidjo vai fechar o Festival no pátio de honra do Palácio dos Papas, interpretando um texto do poeta engajado senegalês Léopold Senghor, “A Mulher Negra”, com o ator marfinense Isaach de Bankolé, acompanhados do grande saxofonista cameronês Manu Dibango.

Uma das grandes surpresas do evento é a presença da ex-ministra da Justiça francesa, Christiane Taubira, figura emblemática da política e autora da lei sobre o casamento gay no país. Taubira, autora de vários livros e defensora incansável da cultura, selecionou centenas de textos que serão lidos por 70 atores e atrizes e alunos do Conservatório Nacional de Arte Dramática da França, num dos jardins de Avignon. No programa, textos de Victor Hugo, Hannah Arendt, Jean Genet ou poetas e escritores contemporâneos como o palestino Mahmoud Darwich e a romancista turca Asli Erdogan.

Brasil ausente da programação

Entre os diretores de teatro mais em voga na cena europeia, Avignon conta este ano com o alemão Frank Castorf, que apresenta, num espaço industrial fora da cidade, sua criação “O Romance do Senhor Molière” (em tradução livre), uma peça que pretende explorar a discussão sobre o conflito entre o artista e o poder.

A britânica Katie Mitchell revisita a peça “As Criadas” de Jean Genet, transpondo o drama para a cidade de Amsterdã, onde famílias de classe média empregam ilegalmente, como domésticas, mulheres imigrantes da Europa do Leste.

A dramaturgia brasileira não figura na programação oficial do Festival de Avignon. A última vez que o Brasil esteve em destaque foi em 2014, com a companhia paulistana Teatro da Vertigem, dirigida por Antônio Araújo, que apresentou um texto do escritor Bernardo Carvalho “Dizer Aquilo Que Não Pensamos em Línguas que Não Falamos”. Nesse mesmo ano, cinco outras produções brasileiras participaram do Festival Avignon Off no projeto Cena Brasil Internacional, financiado em parte pelo governo brasileiro.

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