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“Elis foi esnobada antes de fazer sucesso em Paris”, diz diretor Hugo Prata

“Elis foi esnobada antes de fazer sucesso em Paris”, diz diretor Hugo Prata
 
O diretor de cinema, Hugo Prata facebook.com/hugo.prata.

Escolhido como filme de abertura do Festival de Cinema Brasileiro de Paris de 2017, o filme "Elis", do diretor Hugo Prata, revela também ao público francês momentos marcantes da bem-sucedida passagem da cantora pelo país.

 

Depois de São Paulo e Rio de Janeiro, o diretor veio a Paris encerrar a sequência das filmagens, no final de 2015. Agora, volta à capital francesa para apresentar seu primeiro longa-metragem, baseado em fatos reais sobre a vida e obra de uma das grandes cantoras da história da música brasileira.

Durante seu extenso trabalho de pesquisa para realizar o filme, Hugo Prata, que assina a direção e o roteiro de Elis, constatou que as apresentações da gaúcha pela França, em 1968, deram impulso à sua visibilidade internacional.

Maior vendedora de discos no Brasil na época, Elis Regina foi convidada a cantar em Cannes, durante o MIDEM, importante evento da indústria fonográfica. Mas antes de desembarcar na famosa cidade balneária do sul da França, expressou ao seu empresário Marcos Lázaro o desejo de se apresentar em um dos locais míticos da cena cultural parisiense, a casa de concertos e teatro Olympia.

“Ao passar na frente do Olympia, a Elis falou ao Marcos Lázaro: gostaria de cantar aí. Ele encontrou em contato com o diretor do teatro que não conseguiu uma data e ainda disse: ‘Sabe como é, aqui no Olympia cantam Charles Aznavour, Edith Piaf... Ele deu uma pequena esnobada”, lembrou Prata.  

De acordo com o diretor, Elis se apresentou em Cannes com um imenso sucesso e teve que voltar para o bis, o que não havia sido combinado porque se tratava de uma transmissão ao vivo pela televisão.

Depois de ver Elis Regina em cena e o entusiasmo dos expectadores, o mesmo diretor do Olympia programou shows de Elis dois meses mais tarde, uma mudança rara no calendário de programação da prestigiosa sala de concertos.

“No filme não contei essa história toda porque tive que ser mais sucinto, mas foi isso que a trouxe para cantar em Paris”, revelou Prata na entrevista à RFI Brasil.  “Paris foi o primeiro lugar onde ela fez bastante sucesso. Depois das duas primeiras apresentações, ela ainda fez outras duas temporadas no Olympia e foi ovacionada”, continuou.

No filme, Hugo Prata fez questão de repercutir fatos relevantes da carreira internacional de Elis. Apesar dos sucessos de gravações na Holanda, em Londres e parcerias com artistas consagrados como o belga Toots Thielemans, o diretor optou pela capital francesa para ilustrar sua trajetória internacional. “A passagem em Paris foi muito importante. Gosto da cidade e as filmagens foram encerradas aqui”, justificou.  

Carreira internacional de Elis

A apresentação de Elis no Festival de Cinema Brasileiro em Paris pode ser uma boa vitrine para divulgar o filme na França e atrair o interesse também de distribuidores para o circuito comercial. Por enquanto, o longa de estreia de Prata tem feito carreira principalmente no circuito de festivais. Segundo ele, já foi exibido em 15 países, incluindo Estados Unidos e diversos países europeus, onde vem sendo muito bem aceito e compreendido.

“Trabalhei todos esses anos com a consciência de estar fazendo um filme muito brasileiro. É uma história brasileira sobre uma artista brasileira, envolvendo nossa história recente da ditadura.

Eu sempre soube que era um filme que interessava sobretudo aos brasileiros, não tinha muita expectativa de ele ser compreendido na sua essência, nem a arte da Elis, em o período histórico nosso fora do Brasil. Mas tem sido uma grata surpresa”, conta.

Antes mesmo da estreia no Brasil, em novembro passado, o filme havia sido projetado em Chicago, onde foram feitas duas projeções seguidas de debates. “Eu tinha certeza de que não iria ter quase ninguém e só brasileiros e, no final, algumas perguntas de fãs. Mas não, nas duas projeções as salas estiveram cheias e depois foram excelentes debates, com pessoas que não conheciam ou conheciam muito pouco Elis. Eram 80% de estrangeiros interessadíssimos na personagem, na música dela e na história do Brasil”, lembra.

O sucesso também foi verificado outras cidades americanas e europeias, para grande satisfação e surpresa do diretor de Elis. “A força dela artística e como mulher é internacional e não tem fronteiras”, afirma.

Elis “fonte infinita”

A escolha em levar para a grande tela a vida e obra de Elis Regina, já explorada em vários livros e em um espetáculo musical, partiu também de uma vontade de valorizar a personagem e seu legado artístico. “Acho que é uma personagem, uma mulher, uma artista muito importante. Como mulher era foi muito à frente de seu tempo, como artista, a voz, a capacidade musical, a extensão vocal, a escolha de repertório muito corajosa e o período em que ela viveu, os anos de chumbo (da ditadura), tudo é muito interessante. Tinha vontade de fazer um filme que deixasse para as gerações futuras”, argumenta.

Assim como fez com Elis Regina, que morreu aos 36 anos de idade, em 1982, o cineasta espera que expoentes da história do país sejam matéria-prima para muitas outras obras cinematográficas e de outras artes audiovisuais.

“Os americanos fazem isso muito bem, de reverem a sua história. O Brasil ainda faz isso timidamente, mas acho importante repassar nossa história, fica um registro. As novas gerações vêm aí e hoje em dia, com tanta informação, acaba se perdendo esse período da nossa história. Fiz questão de fazer o filme para que trouxesse esse registro, embora seja uma pequena parte. Ela é muito maior do que pude mostrar no filme. Precisam ser feitos outros filmes, documentários, séries. A Elis é personagem e assunto infinito”, defende.

  

 


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