Ouvir Baixar Podcast
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 22/08 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 22/08 15h06 GMT
  • 15h00 - 15h06 GMT
    Jornal 22/08 15h00 GMT
  • 09h57 - 10h00 GMT
    Flash de notícias 22/08 09h57 GMT
  • 09h36 - 09h57 GMT
    Programa 22/08 09h36 GMT
  • 09h30 - 09h36 GMT
    Jornal 22/08 09h30 GMT
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 21/08 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 21/08 15h06 GMT
Para poder acessar todos os conteúdos multimídia, você deve instalar o plugin Flash no seu navegador. Para se conectar, você deve ativar os cookies nas configurações do navegador. O site da RFI é compatível com os seguintes navegadores: Internet Explorer 8 e +, Firefox 10 e +, Safari 3 e +, Chrome 17 e +.
Cultura

Peça com ator parecido com Trump causa polêmica em NY

media Versão de "Júlio César", de Shakespeare, causa polêmica em Nova York. https://www.publictheater.org/Free-Shakespeare-in-the-Park/

Uma versão de “Júlio César”, de William Shakespeare, está criando polêmica em Nova York, onde estreou nesta semana em um festival dedicado ao bardo inglês. Em cena, o personagem-título é um empresário loiro, fazendo uma clara alusão a Donald Trump. Segundo a história e o clássico inglês, o líder romano foi vítima de intrigas políticas e acabou assassinado. E na versão nova-iorquina,  o Júlio César-empresário-Trump também morre.

 

Depois de protestos enfurecidos da Fox News, vinculada aos conservadores americanos, e do filho mais velho do presidente americano, Donald Trump Jr., nas redes sociais, a Delta Airlines e o Bank of America, duas grandes empresas que patrocinavam o Public Theater e o festival "Shakespeare no parque", do diretor Oskar Eutis, anunciaram no domingo (11) a retirada de seu apoio.

O texto da peça teatral originalmente escrita em 1599 - e que na versão atual o protagonista é esfaqueado por mulheres e outras minorias -, "não reflete os valores da Delta", declarou a companhia aérea em um comunicado. "Sua direção artística e criativa ultrapassou a linha do bom gosto", considerou.

Para o Bank of America, a obra pretendia "provocar e ofender". "Se tivessem nos comunicado esta intenção, teríamos decidido não patrociná-la", declarou o banco.

"Um César petulante"

A Fox News noticiou no domingo que a obra parece representar o presidente americano - que é muito impopular em Nova York -, "sendo brutalmente esfaqueado até a morte por mulheres e minorias". E, em um tuíte, Donald Trump Jr. se questionou sobre o financiamento da obra.

Julio César veste na obra a roupa típica de Trump - calças e paletó escuros, camisa branca e gravata vermelha. Sua esposa na obra tem sotaque eslavo, como Melania Trump. "Sua representação como um César petulante de terno azul, com banheira de ouro e uma esposa eslava que faz caretas eleva os ataques a Trump no palco a um outro nível surpreendente", escreveu o jornal The New York Times na sexta-feira passada.

A American Express, que também patrocina o teatro, emitiu um comunicado na qual esclarece que não deu dinheiro para esta produção. Mas paralelamente, nova-iorquinos pediram nas redes sociais que se fizessem doações ao Public Theater.

Comediante demitida pela CNN

A polêmica recorda o ocorrido no fim de maio, quando a comediante Kathy Griffin divulgou um vídeo em que levanta uma falsa cabeça de Trump decapitada, fazendo com que ela fosse difamada e demitida pela CNN, onde ela apresentava tradicionalmente a transmissão de Ano Novo.

O teatro defendeu-se, afirmando que "de nenhuma maneira defende a violência contra ninguém". "A obra de Shakespeare e nossa produção têm o argumento contrário: aqueles que tentarem defender a democracia por meios não democráticos pagam um preço terrível e destroem a mesma coisa que estão lutando para salvar", afirmou.

O teatro admitiu que a representação gerou "discussões acaloradas", mas insiste em que "esta discussão é exatamente a meta do nosso teatro comprometido civilizadamente, este discurso é a base de uma democracia sadia".

Chelsea Clinton opina

A obra de Shakespeare, que se passa no ano 44 a.C., "nunca foi tão contemporânea", destacou o Public Theater em seu site na internet. Julio César possui "uma personalidade magnética, irreverente" e está "obcecado pelo poder absoluto", explica. "As instituições com as quais crescemos, que herdamos da luta de muitas gerações de ancestrais, podem se esvair a qualquer momento", alerta o diretor, Oskar Eutis.

O democrata Scott Stringer, auditor das contas da cidade de Nova York, um cargo eletivo, também entrou na discussão. Stringer tuitou as cartas escritas aos presidentes da Delta Airlines e do Bank of America, com a mensagem "Que erro. Na verdade Julio César ajudaria no futuro".

Até Chelsea Clinton, filha da rival democrata derrotada por Trump, Hillary Clinton, e do ex-presidente Bill Clinton, também deu sua opinião: "Iria vê-la? Provavelmente não. Protestaria ou me queixaria disso? Definitivamente não", respondeu a um internauta que lhe perguntou o que faria se Julio César fosse representado como seu pai ou sua mãe, e eles fossem assassinados.

A peça é representada em Nova York desde 23 de maio e continuará em cartaz até 18 de junho.

Sobre o mesmo assunto
 
O tempo de conexão expirou.