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Cultura

Cem anos após sua morte, Rodin continua sendo o escultor mais celebrado do mundo

media "O Pensador" é uma das obras mais famosas de Rodin AFP/Joel Saget

Este ano marca o centenário da morte do escultor francês Auguste Rodin. Para celebrar a data, duas exposições em Paris homenageiam o artista, e confirmam o sucesso de sua obra, que atrai milhares de visitantes do mundo todo. 

Em 1995, quando a Pinacoteca do Estado de São Paulo acolheu pela primeira vez no Brasil uma grande exposição da obra de Rodin, cerca de 200 mil pessoas fizeram fila durante horas diante do prédio para ver as esculturas do mestre. A mostra, que fez uma primeira escala no Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro, foi um marco na história dos grandes eventos culturais, colocando o país na rota das exposições internacionais. Em seguida, o público brasileiro teve mais duas oportunidades de ver o trabalho do francês, sempre com o mesmo sucesso.

“Rodin atrai muito público porque é o mais importante artista francês do século 19, que revolucionou a escultura da época”, comenta Emanuel Araújo, ex-diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo e responsável pelas exposições históricas do escultor no Brasil. O artista, curador e museólogo, que dirige atualmente o Museu Afro-Brasil em São Paulo, lembra que foi graças à mostra de 1995 que a Pinacoteca lançou seu programa de restauração e se abriu para manifestações de envergadura internacional.

Esse fenômeno deve se repetir em 2017, mas desta vez na terra do escultor, com uma série de eventos que marcam os cem anos da morte do artista, nascido em 1840. O principal deles é “Rodin, a exposição do centenário”, que abre suas portas na próxima quarta-feira (22) no museu Grand Palais em Paris.

Os visitantes vão poder admirar, até 31 de julho, mais de 300 obras, metade delas de Rodin, inclusive as mais famosas, como “O Beijo” ou “O Pensador”, expostas já nas primeiras salas. As demais peças apresentadas mostram como outros artistas se apropriaram de seu legado. O percurso conta com esculturas e desenhos de Bourdelle, Brancusi, Picasso, Matisse ou ainda Giacometti, todos influenciados de alguma forma por Rodin.

Encontro entre Rodin e Kiefer

O diálogo com outros artistas também é tema de uma exposição inaugurada esta semana no Museu Rodin de Paris. A instituição, conhecida por seu belo jardim, que abriga uma das estátuas do "Pensador" ao ar livre – para o deleite dos adeptos de selfies –, preferiu dar carta branca ao alemão Anselm Kiefer, um dos principais nomes da arte contemporânea europeia, que propõe aos visitantes um misto de confrontação e homenagem.

Kiefer é conhecido por um trabalho sobre a memória e sua maneira de abordar a obra de Rodin não fugiu à regra. Ele apresenta peças feitas a partir de restos de esculturas, revisita o tema das "Catedrais da França", título de um livro-testamento realizado por Rodin e publicado em 1914, e termina o percurso com peças que misturam roupas e gesso. A obra, aliás, pode ser vista como uma referência direta ao “O Roupão de Balzac” (1897), escultura feita por Rodin a partir de uma réplica do vestuário do escritor Honoré de Balzac, que também está exposta no Grand Palais.

“É sempre interessante o olhar de um artista contemporâneo sobre uma obra clássica, pois permite atualizar as coisas, ver essa transição entre passado e presente”, comenta a francesa Myriam, de 35 anos, que visitava a exposição. Já Brigitte, outra francesa, de 62 anos, confessou não ver muita ligação entre as peças apresentadas e o trabalho de Rodin. “Mas gostei muito da maneira como Kiefer utiliza os materiais. As grandes telas, logo na entrada, nos tocam imediatamente”, disse a visitante, em referência às gigantescas obras que homenageiam as catedrais francesas idolatradas por Rodin.

Artista internacional antes mesmo da globalização

A exposição Kiefer-Rodin fica em cartaz até 22 de outubro, e depois segue para a Filadélfia, onde será apresentada na Fundação Barnes, levando um pouco da celebração desse centenário além das fronteiras francesas. Essa dimensão internacional, aliás, sempre esteve presente na obra de Rodin, que, além de seu talento inegável, entendeu muito cedo a importância de exportar sua imagem. “Ele foi um homem voltado para o começo do mercado da arte, divulgando logo seu trabalho na Europa e nos Estados Unidos”, ressalta Emanuel Araújo.

Mas para Antoinette Le Normand-Romain, conservadora do patrimônio francês e uma das principais especialistas da obra de Rodin na França, o sucesso do escultor se explica também por outras razões. A primeira delas é puramente técnica e ligada ao suporte. “O escultor molda a terra, que é moldada depois para fazer a versão em gesso que, em seguida, será moldado para a realização da peça em bronze. Isso permite uma reprodução infinita”, diz a especialista, que é curadora da mostra do Grand Palais e participou das exposições históricas no Brasil. E bem antes de Andy Warhol, o francês pegou gosto pela reprodutibilidade. “Quando uma obra fazia sucesso, Rodin não pensava duas vezes e multiplicava seus bronzes, o que não é possível para um pintor”, compara a curadora, lembrando que foi graças à essa particularidade que vários museus Rodin puderam ser inaugurados pelo mundo, “contribuindo para a construção da reputação do artista”, completa.

Mas se “Rodin é, junto com Michelangelo, o escultor mais conhecido do mundo”, esse mérito se deve a uma razão mais profunda, segundo a conservadora. “Ele liberou a escultura de todas as amarras que a bloqueavam no fim do século 19. Na época, os artistas franceses só faziam obras que trasmitiam algum tipo de mensagem”, contextualiza. “Mas isso não interessava Rodin, que decide dar voz aos corpos”.

Um bom exemplo é “O Beijo”, que se chamava originalmente "Paolo e Francesca", nome de dois personagens da "Divina Comédia" de Dante, que inspirou "A Porta do Inferno". Ao invés de representá-los com trajes da Idade Média, que permitiriam situá-los no tempo, o francês preferiu mostrá-los nus, adotando um discurso universal. “Por essa razão, Rodin pode ser compreendido por qualquer pessoa. Mesmo quem não compartilha a nossa cultura ocidental entende que trata-se de um casal de apaixonados. A mensagem se torna eterna”, conclui Antoinette Le Normand-Romain.

Estrela de cinema com história de amor tumultuada

A vida pessoal de Rodin também contribuiu para o sucesso popular do artista, principalmente por causa de sua história de amor com a musa e também escultora Camille Claudel. O mundo ficou fascinado pela trajetória da jovem, que teve seu talento ofuscado pelo mestre e que, ao tentar lançar sua própria carreira, foi acusada de plágio. Diante do fracasso artístico e do desprezo de Rodin, a escultora enlouqueceu e destruiu boa parte de suas obras. A tragédia virou livro e dois filmes, um deles protagonizado por Isabelle Adjani e Gérard Depardieu, em 1988, e outro com Juliette Binoche, em 2013.

O reconhecimento tardio da escultora também acabou se convidando às celebrações do centenário da morte de Rodin, pois o primeiro museu Camille Claudel abre suas portas em Nogent-sur-Seine, ao leste de Paris. Construído na casa da família da artista, o espaço será inaugurado apenas quatro dias após abertura da exposição do Grand Palais. Uma maneira de não ficar fora da celebração de uma carreira que, de certa maneira, Camille Claudel ajudou a construir.  

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