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Cultura

Por que os cineastas brasileiros protestaram no Festival de Berlim?

media Diretor Marcelo Gomes lê carta de protesto durante coletiva de imprensa na Berlinale Leticia Constant/RFI

Na quinta-feira (16), durante a coletiva de imprensa internacional depois da projeção do filme “Joaquim“, em competição pelo Urso de Ouro, o diretor Marcelo Gomes leu uma carta em nome dos 12 cineastas brasileiros presentes no Festival de Cinema de Berlim.

Enviada especial da RFI Brasil a Berlim

Além de denunciar a ilegitimidade do atual governo, a categoria mostrou sua preocupação com a preservação das políticas públicas que impulsionam a produção na área. Leia abaixo os depoimentos de quatro diretores, em entrevista à RFI Brasil.

Heloisa Passos Leticia Constant/RFI

Heloisa Passos: “A gente não pode perder o que já tem“

A consagrada diretora de fotografia Heloisa Passos analisa que falar de cinema é falar da Ancine (Agência Nacional de Cinema) , que tem feito um trabalho com muita articulação e conquistas sólidas.

“Estou acreditando nesta solidez, por mais que a gente esteja vivendo um momento sombrio, difícil no país e no mundo, pois não acontece apenas no Brasil esse retrocesso conservador. Dá medo, tem um frio na barriga, sim, para nós cineastas, nós brasileiros, nós seres humanos no mundo. Mas acho que o fundo setorial audiovisual conseguiu certas coisas sólidas que eu não acredito que vão retroceder. O que tenho medo é que haja um retrocesso na curadoria no cinema que mais me interessa, que é o cinema autoral. Minha maior preocupação é com essa curadoria dos próximos filmes nesses editais que se solidificaram e existem e nessa lei que foi aprovada, que obriga as TVs a cabo a transmitir 3h30 de produção independente brasileira, o que gera uma produção e um enriquecimento na mão de obra“, diz.

Diante desse panorama, a diretora reitera: “ Vamos fazer resistência, vamos seguir batalhando pelo nosso espaço, que a gente já tem e não pode perder. É o que há de mais sério, a gente não pode perder o que já tem“, expressa Heloísa, diretora de fotografia do filme "Mulher do Pai", de Cristiane Oliveira, na mostra Generation da Berlinale.

Julia Murat Leticia Constant/RFI

Julia Murat: “Novo governo não pensa em representatividade“

A diretora carioca Julia Murat, presente em Berlim na mostra Panorama com o filme “Pendular“, diz como se sente fazendo cinema no Brasil.

“Acho que a gente está surfando uma onda. A gente tem 12 filmes brasileiros na Berlinale depois de 15 filmes no festival de Roterdā. E isso é resultado de uma política que aconteceu nos últimos anos. Sempre fui muito crítica à política da Ancine por achar que era essencialmente desenvolvimentista, mercantilista, mas especialmente nos últimos quatro anos se tornou cada vez mais voltada ao cinema autoral, à co-produção internacional, ao desenvolvimento de TVs públicas. E isso permitiu que meu filme estivesse aqu“, constata, completando: “Se estou aqui hoje, em Berlim, se 12 filmes estão aqui hoje, é fruto dessa política da Ancine “.

Julia, no entanto, tem medo do que pode vir pela frente em termos de incentivo e apoio: “Ao que tudo indica, essa nova política, que parece se preocupar apenas com lucros, não pensa em representatividade, criou um ministério só de homens brancos independente das mulheres, dos negros, dos gays. Essa política não está pensando em representação, e acho que isso vai interferir muito, infelizmente, na Ancine , e a gente está tentando impedir que isso mude“.

Fabio Meira Leticia Constant/RFI

Fabio Meira: “O próximo passo é que a gente não sabe“

Diretor de “As Duas Irenes“, na mostra Generation da Berlinale, Fabio Meira constata o resultado de uma política que deu certo até agora. “Estamos muito bem, com 12 filmes em Berlim, 15 em Roterdã, em Sundance também tivemos um filme na competição principal… Então se a gente pensa, deu tão certo nesses festivais e com realidades tão diversas! O meu filme, por exemplo, foi realizado e financiado por um fundo de cultura em Goiás…“, diz o diretor, refletindo que “o próximo passo é que a gente não sabe ainda. Então estamos todos de olhos abertos e tentando que haja uma continuidade, pois o fato de a gente estar tão bem agora é que a gente tem andado no caminho certo“, constata.

Para o jovem cineasta, “seja no trabalho na Ancine, seja no trabalho dos fundos regionais, independentemente da situação muito triste que estamos vivendo politicamente, é importante que a gente saiba que os passos que foram dados nos últimos quinze anos, foram dados no bom caminho“.

Laís Bodanzky Leticia Constant/RFI

Laís Bodanzky: “Se interromper a cadeia, para engatar de novo são anos e anos…“

Como os outros cineastas, a diretora Laís Bodanzky comemora o fato de 12 filmes brasileiros estarem no Festival de cinema de Berlim, um fato inédito. “Isso não é por acaso, é uma política pública de anos que investiu em novos talentos, em desenvolvimento de projetos, em descoberta de novos roteiristas, incentivando produções do Brasil como um todo, não apenas no eixo Rio-São Paulo“, observa a diretora, considerando que a grande preocupação hoje no Brasil é perceber que esse atual governo talvez tenha dado sinais de que não percebe a importância da cultura do seu país.

“A classe cinematográfica está, sim, em estado de alerta, para que a política pública desses anos não seja atingida por esse foco. Ao contrário: que ela se mantenha porque no caso do cinema, principalmente, que é uma indústria, se você interrompe essa política, você interrompe uma cadeia que para engatar de novo são anos e anos e anos….“ diz Laís, lembrando o trauma que foi para a história do cinema quando isso aconteceu no governo Collor.

“A gente não quer viver isso outra vez, por isso acho que todo mundo está nesse estado de alerta, muito preocupado porque a conquista que a gente teve hoje foi de toda a classe cinematográfica. A Ancine é resultado de toda uma classe cinematográfica, não há dúvida de que todo mundo, mesmo com pontos divergentes sobre a política, tem uma coisa em comum: todo mundo apoia a política cinematográfica brasileira“, finaliza.

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