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Cultura

Estreia de Christiane Jatahy, primeira brasileira na Comédie-Française, divide a crítica

media Ensaio da peça "Regra do Jogo" na Comédie-Française, em montagem feita pela brasileira Christiane Jatahy Divulgação Comédie-Française/© Henrique Mariano

A carioca Christiane Jatahy estreou esta semana na Comédie-Française uma versão para os palcos do clássico do cinema francês “A Regra do Jogo” (1939), de Jean Renoir. Primeira brasileira a dirigir uma peça no teatro histórico, ela foi recebida por uma crítica bastante dividida.

O jornal Le Monde que chegou às bancas na tarde desta quinta-feira (9) traz uma longa crítica da montagem, que toma quase uma página inteira do caderno de cultura do vespertino. O texto explica como Jatahy adaptou, “de maneira desestabilizadora”, a obra-prima de Renoir.

Segundo o vespertino, era preciso muita ousadia para projetar um filme de 26 minutos, feito pela própria dramaturga, dentro de uma peça que dura 1h50. “Mas Jatahy reivindica posicionamentos radicais, e foi por essa razão que Eric Ruf, o administrador da Comédie-Française, a convidou para o projeto", explica a crítica do Le Monde.

O efeito desestabilizador citado no vespertino vem principalmente das projeções de vídeo que dialogam com os atores no palco, mesmo se não é a primeira vez que a Comédie-Française insere vídeos em suas produções. O jornal Les Echos desta quinta-feira (9) lembra que no ano passado a montagem de “Os Deuses Malditos”, de Visconti, já lançava mão desse recurso. Mas a peça de Jatahy “tem o efeito de um miniterremoto”, comenta o crítico do Les Echos. Principalmente pela mistura de gêneros e de suportes, como “ações ocultas captadas ao vivo por câmeras, um drone que sobrevoa e filma a sala do alto, cenas de improvisação no meio do público, danças e canções populares”.

O filme original conta a vida de personagens da alta sociedade francesa antes da Segunda Guerra Mundial. Na versão teatral, Jatahy transpõe a trama para os dias de hoje. O personagem de Marceau, um caçador clandestino, se torna vendedor ambulante que negocia com refugiados, enquanto André, que era um herói saído de uma travessia no Atlântico, vira um navegador que salva migrantes clandestinos no Mediterrâneo. Le Monde e Les Echos, aliás, tecem longos elogios ao trabalho dos atores.

Porém, apesar da ousadia da dramaturga, a ideia de tentar associar a trama aos problemas atuais nem sempre funciona. “Apesar de Jatahy se esforçar para explicar que quer falar de uma outra guerra, a que nos ameaça hoje, ela não consegue passar a mensagem, que se perde nos meandros do espetáculo”, diz Le Monde. “Desse ponto de vista, ela perde A Regra do Jogo”, sentencia. “Mas é bem-sucedida quando mostra o vazio da diversão da pequena sociedade do filme” e também na relação com o público, “que é conquistado”, pondera.

Le Figaro é bem menos complacente com a montagem. “Ao convidar a brasileira Christiane Jatahy para adaptar um dos maiores filmes de Renoir, a Comédie-Française se mostra sob uma luz pouco favorável, entre necrotério e amadorismo”. Segundo a crítica do jornal, mesmo se a peça foi anunciada como um dos momentos mais importantes da temporada teatral parisiense, o resultado da produção é “desolador”.
 

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