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Cultura

Feira de arte contemporânea leva obras para as ruas de Paris

media Obra do street artist americano Obey, dentro do percurso proposto pela Galeria Itinerrance, no 13° distrito de Paris. Galerie Itinerrance

Durante quatro dias, a partir desta quinta-feira (20) até domingo (23), Paris se torna a capital mundial da arte moderna. A Feira Internacional de Arte Contemporânea (Fiac) acolhe todos os anos uma seleção de galerias internacionais. Mas, na edição de 2016 do prestigiado evento, programações paralelas tomam conta da cidade com um objetivo particular: levar as obras para as ruas.

A Fiac atrai há décadas milhares de visitantes ao Grand Palais (este ano foi estendida também ao Petit Palais), no centro da cidade. Frequentar museus, exposições e espaços artísticos é um programa quase obrigatório para parisienses e turistas que visitam a capital francesa. Nos últimos anos, no entanto, artistas, galeristas e a própria prefeitura de Paris vêm investindo no caminho contrário: levar as obras até o público, utilizando a rua como um espaço para a arte.

A Galeria Itinerrance já vem trabalhando dentro deste conceito há alguns anos. Nesta semana, antes da abertura da Fiac, o espaço inaugurou um percurso de street art no 13° distrito de Paris, criando o que os organizadores chamam de "museu a céu aberto". Segundo os organizadores, o projeto traz uma dimensão internacional e cultural ao sul da capital, uma região que é menos turística e menos visitada, além de oferecer um espaço de expressão aos street artists de todo o mundo.

No total, 16 artistas urbanos de diversas nacionalidades criaram obras especialmente para o percurso, entre eles, o norte-americano Obey, o francês Invader e o brasileiro Ethos. No percurso, calculado para durar cerca de 20 minutos, o público é convidado a passear pelo bairro e descobrir as 19 obras instaladas em muros e fachadas de prédios.

Arte no bonde

Dentro desta mesma filosofia, a prefeitura de Paris lançou o projeto "5 Obras de Arte na Cidade", que serão instaladas próximas a estações de uma das linhas de bonde da capital, o Tramway 3. Os esboços das obras foram apresentadas nesta quarta-feira (19), em presença dos cinco artistas contemporâneos que desenvolveram trabalhos para esta exposição exterior permanente: Alain Bublex, Odile Decq, Pierre Malphettes, Bruno Peinado e Joana Vasconcelos.

O projeto, desenvolvido em parceria com a Fondation de France e de patrocinadores privados, custou € 2,3 milhões à prefeitura. O objetivo, segundo Anastassia Makridou-Bretonneau, diretora artística do "5 Obras de Arte na Cidade", é habituar a população à arte nos espaços públicos. "Esses trabalhos se tornarão companheiros da vida cotidiana dos pedestres, dos moradores, dos comerciantes. O percurso é uma forma de levar às pessoas um gesto otimista, de boas-vindas, que exprima positividade e bondade - sentimentos que todos nós precisamos neste momento", declarou à RFI.

O projeto de Joana Vasconcelos é um exemplo disso. A artista franco-portuguesa criou uma obra monumental: um imenso coração revestido de azulejos que serão iluminados de forma a simular batimentos cardíacos. A peça será instalada na Porte de Clignancourt, norte de Paris. "Minha obra tem exatamente essa função: criar um ambiente de amor, pureza, paz e união, para mostrar que, diante deste momento particular que estamos vivendo na França, esses sentimentos podem prevalecer".

Além da Porte de Clignancourt, os outros pontos que serão contemplados pelo projeto são a Porte des Poissonniers, Porte de Saint-Ouen, Porte Pouchet e o Túnel Berthier. A previsão é que as obras sejam inauguradas em 2018.

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