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Cultura

Livro "2666", do chileno Roberto Bolaño, vira peça de 12 horas em Paris

media "2666", de Julien Gosselin, no Festival de Teatro de Avignon. 2666 © Christophe Raynaud de Lage

O jovem diretor de teatro francês Julien Gosselin, 29 anos, está em cartaz em Paris com uma adaptação de "2666", livro testamento do autor chileno Roberto Bolaño (1953-2003), considerado o maior escritor latino-americano desde o colombiano Gabriel Garcia Márquez. A peça faz parte do tradicional Festival de Outono, que traz a Paris espetáculos de teatro, dança, música e artes plásticas.

Com 856 páginas na edição brasileira e 1.352 na versão francesa, a obra póstuma de Bolaño foi transformada em um espetáculo maratona, que pode ser visto em duas partes ou de uma tacada só – quase doze horas, incluindo vários intervalos. A epopeia do escritor chileno que viveu no México e morreu na Espanha traz cinco histórias que giram em torno de um misterioso escritor alemão desaparecido e assassinatos de mulheres no México.

A super produção francesa traz atores afiados, com trechos falados em espanhol, alemão e inglês, além do francês. Os cenários se transformam rapidamente, diálogos são acompanhados por uma câmera de vídeo e projetadas em telões. Nada se perde, tudo se transforma.

Longa duração não desanima espectadores

Cena de "2666", peça dirigida por Julien Gosselin. 2666 © Christophe Raynaud de Lage

No último domingo (18), com poucas deserções do público após muitas horas de poltrona, os aplausos foram longos e animados. Marie, aposentada, confessa que só fugiu uma vez - "e muito rápido" - para ir ao banheiro. “Não li o livro, mas cada parte era como se fosse uma peça diferente, gostei muito”, disse. Charles, estudante de Letras, conhecia o texto original: “foi uma adaptação muito interessante, algumas partes foram narradas, outras tiveram uma adaptação visual surpreendente”.

"2666" teve aguardada e festejada estreia no Festival Internacional de Teatro de Avignon, em julho. Gosselin já tinha na manga um grande sucesso anterior, a adaptação para o palco do livro “Partículas Elementares”, do francês Michel Houllebecq, que foi a sensação de Avignon em 2013.

As críticas especializadas são, na maioria, bastante entusiasmadas. Para Télérama, um guia semanal de referência de espetáculos, “Julien Gosselin mergulha os espectadores num fascinante turbilhão, do qual saem esgotados e maravilhados”. Para o jornal Le Monde, a montagem é “siderante, poderosa e com apostas estéticas e reflexivas”.

Bolaño era lixeiro de dia e escritor de noite

Roberto Bolaño nasceu no Chile, em 1953. A família se muda para o México em 1968 e ele torna jornalista e militante de esquerda. Em 1973 ele decide voltar para o Chile, a fim de “ajudar a construir o socialismo” do governo de Salvador Allende. Com o golpe militar de Augusto Pinochet, Bolaño é preso, suspeito de terrorismo e fica oito dias detido.

Nos anos seguintes, ele transita pelo Chile, México, El Salvador e França, até se instalar definitivamente na Espanha, perto de Barcelona. Ele trabalha em cozinhas de restaurantes, é segurança em campings e lixeiro, enquanto escreve de noite.

O nascimento do primeiro filho, em 1990, o estimula a ter uma vida mais regrada. Ele escreve mais poesia, mas é com o romance de ficção que alcança reconhecimento e fama, principalmente com “Detetives Selvagens”.

Ao escrever "2666", Bolaño já estava doente e ainda tinha planos de revisar o livro, quando morreu de insuficiência renal, à espera de uma doação de fígado. A princípio, o escritor queria que a obra fosse publicada em cinco volumes separados, também pensando nos herdeiros. Uma decisão editorial optou pelo tomo único.

"2666" fica em cartaz em Paris, no teatro Odéon/Berthier até 16 de outubro. Depois, a peça segue em turnê pela França e Amsterdã, na Holanda.

 

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