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Cultura

Lavagem da Madeleine encerra com Caetano Veloso à capela

media Caetano logo após cantar o hino, com um padre, um babalorixá, uma baiana e o organizador do evento, Roberto Chaves Instagram

A 15ª Lavagem da Igreja da Madeleine, no domingo (5), em Paris, teve participação especial do cantor e compositor Caetano Veloso. Ele cantou, à capela, o hino do Nosso Senhor do Bonfim (vídeo abaixo) no topo da escadaria da igreja localizada no 8° distrito da capital francesa, próxima à praça da Concorde. Esse foi o momento culminante da festa, após as tradicionais baianas terem lavado os degraus com água de cheiro.

O evento reproduz a Lavagem da igreja do Senhor do Bonfim, que acontece em janeiro em Salvador e representa o sincretismo religioso entre o catolicismo e o candomblé no Brasil.

A lavagem fez parte de uma ampla programação, batizada de Festival Cultural Brasileiro, que durou quase uma semana com shows, festas, seminários, workshops e uma feira de gastronomia brasileira - vendendo de açaí a acarajé.

"Foi uma emoção muito forte ver essa multidão participando da transposição de uma festa baiana para Paris. O público francês é muito receptivo às manifestações culturais brasileiras", disse à RFI Paulo C. de Oliveira Campos, embaixador do Brasil na França.

"Evento prega aceitação da diversidade"

Francês se veste como o orixá Oxalá Augusto Pinheiro/RFI

O diretor de produtos e destinos da Embratur, Marcos Lomanto, disse que a Lavagem traz uma mensagem de paz para a França. "Esse evento prega a aceitação da diversidade e das religiões, que tem tudo a ver com a situação complicada que acontece atualmente no país", afirmou. "O ato de lavar a escadaria representa purificar."

O organizador do evento, Roberto Chaves, comemorou o sucesso do festival. "Foi uma guerra conseguir a liberação das ruas para o cortejo por conta da situação de risco de atentados, mas superamos tudo isso. O resultado foi positivo, não houve nenhuma briga ou confusão", contou à RFI. "Esse evento representa a amizade entre Brasil e França, e a presença de Caetano foi a consagração."

Caetano pede "fora Temer"

A programação contou com um show gratuito de Caetano Veloso na sexta-feira (2). Ele abriu a apresentação com "Luz do Sol" e, depois, cantou "Um Índio". Ao acabar a canção, ele ouviu os gritos do público pedindo a saída do novo presidente do Brasil, Michel Temer. Caetano, então, saudou a plateia com um "boa noite e fora Temer'”. E continuou, sob aplausos: “Isso virou um cumprimento entre os brasileiros. É bonito”.

Caetano Veloso pediu "fora Temer" em seu show RFI/Augusto Pinheiro

No palco montado atrás da igreja, diante de cerca de 3 mil pessoas, o baiano também agradeceu a presença do público. “Eu acho muito bom a Lavagem da Madeleine. Eu que sou de Santo Amaro, para mim isso significa muito”, afirmou, em referência à lavagem do adro da Igreja da Nossa Senhora da Purificação, em sua cidade-natal, no Recôncavo Baiano.

O show contou com grandes hits do artista, como “Terra”, “Força Estranha”, “Leãozinho”, “Luz do Sol”, “Meu Bem Meu Mal”, "Menino do Rio", “Você É Linda” e “Tieta”, que foram entoados pela plateia.

Teresa Cristina cantou Cartola

Antes do show de Caetano, Teresa Cristina cantou sucessos de Cartola, considerado por muitos críticos o maior sambista da história da música brasileira, autor de clássicos como "As Rosas Não Falam" e "O Mundo É Um Moinho".

A cantora também apoiou os gritos de "fora Temer" da plateia. Em um momento do show, ela leu um dos cartazes levados pelos manifestantes, que dizia “Canalhas misóginos”, e comentou: “Eles são isso mesmo”.

Durante todo o festival, manifestantes aproveitaram para protestar contra o novo governo com faixas e cartazes. Eles gritaram palavras de ordem durante os shows e no cortejo do domingo, que percorreu o boulevard Haussman até a igreja da Madeleine, onde foi realizada a lavagem.

Vincent Cassel foi padrinho

Roberto Chaves, Vincent Cassel e Cristina Córdula Augusto Pinheiro/RFI

O cortejo também contou com a presença dos padrinhos do evento deste ano: o ator francês Vincent Cassel, que mora no Rio e fala português, e a apresentadora brasileira Cristina Córdula, que tem programas de moda na televisão francesa. Os dois desfilaram em um carro branco, ao lado do organizador do festival, Roberto Chaves.

"Os parisienses precisam desse tipo de coisa um pouco mais relaxada. Trazer essa onda um pouco mais brasileira, do 'deixa rolar, vai acabar dando tudo certinho', é uma coisa muito boa. A gente precisava disso nesse final de verão", disse Cassel à RFI.

O cortejo foi acompanhado por grupos de batucada e pela banda parisiense Grand Marabout, que tocou marchinhas antigas de Carnaval, como "Mamãe Eu Quero" (vídeo abaixo).

Tradição do século 18

A Lavagem da Madeleine reproduz a Lavagem do Bonfim, que teve início em 1773, quando os integrantes da "irmandade dos devotos leigos" obrigavam os escravos a lavar a igreja como parte dos preparativos para a festa do Senhor do Bonfim.

Posteriormente, para os adeptos do candomblé, a lavagem da igreja do Senhor do Bonfim passou a ser parte da cerimônia das Águas de Oxalá. A Arquidiocese de Salvador, então, proibiu a lavagem na parte interna do templo e transferiu o ritual para as escadarias e o adro.

Durante a tradicional lavagem, as portas da Igreja permanecem fechadas e as baianas despejam água de cheiro nos degraus e no adro, ao som de toques e cânticos afro-religiosos.

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