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Vanessa da Mata na Europa: quero trazer o público para minha intimidade

Vanessa da Mata na Europa: quero trazer o público para minha intimidade
 
A cantora e compositora Vanessa da Mata. Augusto Pinheiro/RFI

A cantora e compositora Vanessa da Mata ficou cinco anos sem vir à Europa. Neste verão, ela quebra o jejum com apresentações em Portugal, na Holanda e no prestigioso Festival de Montreux, na Suíça. O show que Vanessa traz aos europeus tem repertório exclusivo e a mesma encenação teatral da turnê Delicadeza, que ela faz no Brasil. Entre um espetáculo e outro, Vanessa fez uma pausa para conversar com a RFI.

O tempo anda traiçoeiro em Paris. Vanessa da Mata chegou para a entrevista no estúdio 51 da RFI com roupa de frio e me encontrou de cachecol, em pleno verão. Apesar dos cinco anos de ausência dos palcos europeus, a receptividade do público e da crítica tem sido intensa. "São páginas e páginas de elogios em jornais e revistas. Em Amsterdã, [no dia 26 de junho], o pessoal estava de pé na sala, sabiam as letras das músicas e cantavam de cor."

Para Vanessa, o principal neste espetáculo é a intimidade que ela deseja estabelecer com o público. As salas são menores, para criar proximidade. "Eu costumo dizer que é um show em que eu trago as pessoas para minha sala de estar, como se elas estivessem mesmo lá em casa, todo mundo descalço, tomando vinho", explica.

Vanessa da Mata durante entrevista no estúdio 51 da RFI. Augusto Pinheiro/RFI

Essa aproximação é um presente que ela decidiu se oferecer para marcar os 15 anos de carreira, pelo menos em discos gravados, celebrados no ano que vem.

"Quando uma carreira é de sucesso, como a minha, ela vai te levando para uma multidão, onde você não enxerga mais as pessoas. O público fica distante, a gente vai perdendo o contato e vai se perdendo ao mesmo tempo. E, na verdade, o que a gente quer é o contato com o público. Por mais que eu não dispense o sucesso, essa interação com o público, pelo olhar do público, é extremamente importante. Isso é que é arte, ter essa comunicação com todo mundo. Quando vira massa, você se perde", diz a compositora.

No show, além de hits de sucesso como Boa Sorte, Segue o Som e o imprescindível Não Me Deixe Só, ela interpreta músicas que cantava com a avó, na infância e adolescência. "Uma das canções que eu trouxe para o espetáculo é Mágoa de um Caboclo. Orlando Silva foi o primeiro a cantar essa música em 1930. Depois, Nelson Gonçalves gravou em 1970 para a novela Cabocla. Também canto Paulo Vanzolini, compositor de Ronda e Volta por Cima, que estamos precisando muito, ainda mais nesse momento", observa.

Adoção mudou a vida da cantora

Os cinco anos que Vanessa passou sem vir à Europa foram dedicados às três crianças que ela adotou em um abrigo.

"Eles chegaram grandes em casa, com 8 anos e meio, 6 anos e meio e 5 anos e meio. Adoção tardia. Eu precisei me dedicar inteiramente com meu ex-marido, com presença e afeto. E não me arrependo, foi delicioso. […] Outro dia estava compondo e cantei para minha filhota, que saiu repetindo a melodia. Eu disse: essa é boa!"

No dia 10 de julho, Vanessa vai se apresentar pela primeira vez no Festival de Montreux, na Suíça. Ao lado de outros artistas brasileiros, como Ana Carolina, João Bosco e Maria Rita, entre outros, ela vai participar da homenagem a Claude Nobs, fundador do festival, morto há três anos. "Eu já tinha recebido vários convites para cantar em Montreux em anos anteriores, mas as agendas nunca batiam. Agora, deu. Vai ser uma festa", conta entusiasmada. O público em Montreux será brindado com mais um grande talento da MPB.

Na entrevista à RFI, Vanessa também falou de política. Não deixem de ouvir a versão completa do áudio.


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