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Cultura

Filme "Aspirantes" usa futebol para tratar de inveja e competição

media O ator Ariclenes Barroso interpreta Júnior, aspirante a jogador de futebol Divulgação

Um filme que se passa no meio futebolístico, mas que trata realmente de temas como inveja, desilusão e competição. Assim pode ser resumido "Aspirantes", do diretor carioca Ives Rosenfeld, um dos destaques do Festival do Cinema Brasileiro de Paris, que encerra nesta terça-feira (12). A produção deve estrear no Brasil no segundo semestre deste ano.

A história gira em torno de Júnior (Ariclenes Barroso), um jovem que tem o sonho de ser um jogador de futebol profissional. Mas ele não é tão talentoso ou dedicado quanto seu amigo Bento (Sérgio Malheiros), a estrela do time. A gravidez da namorada (Julia Bernat) acaba virando uma pedra no caminho para conquistar sua ambição.

O diretor Ives Rosenfeld Divulgação

Em entrevista à RFI após a projeção, Rosenfeld, que também é um dos roteiristas, explicou por que decidiu realizar o filme. "Sou um grande apaixonado por futebol e sempre tive o desejo de fazer um filme sobre ou em torno do esporte. Primeiro, como espectador, por sentir falta dessa cinematografia no Brasil. Há muitos poucos filmes que tratam de futebol, existe quase um tabu sobre isso no cinema brasileiro. E, além disso, apesar da minha paixão, sou péssimo jogador. Então foi através do cinema que eu encontrei uma maneira de me relacionar com mais proximidade do esporte."

Seleção e preparação dos atores

Entrevista com o diretor Ives Rosenfeld 12/04/2016 Ouvir

Os atores dão um show de interpretação, com destaque para o protagonista, Ariclenes Barroso, que interpreta Júnior. "Inicialmente fui atrás de não-atores, pensando que um aspirante real a jogador de futebol poderia encarnar o personagem principal Mas, quando me dei conta da densidade dramática, decidi procurar um ator profissional e, por indicação de uma amiga que trabalhou com ele no filme 'Tatuagem', cheguei ao Ari", conta Rosenfeld.

Os atores Ariclenes Barroso e Sérgio Malheiros Divulgação

Ariclenes trabalhou nove anos na trupe do Teatro Oficina, sob direção de José Celso Martinez Corrêa, atuando nos espetáculos "Os Sertões", "Taniko", "Os Bandidos", "Cacilda 2", "Bacantes" e "O Banquete". No cinema, participou do longa-metragem "Luz nas Trevas", ao lado de Ney Matogrosso, com direção de Helena Ignez e Ícaro Martins, "Tatuagem", de Hilton Lacerda, e "Se Deus Vier que Venha Armado", de Luis Dantas, entre outros.

"Tivemos o grande privilégio de ficar um mês inteiro imersos na preparação. Foi um processo bastante experimental: nós sugeríamos coisas para o Ari, e recebíamos estímulos dele. Eu conversava muito sobre o personagem com ele, e o que a gente mais falava é que era um personagem silencioso, que vai acumulando as emoções", afirma o diretor.

E acrescenta: "Então ele foi trabalhando esse silêncio, foi encontrando esse silêncio. E, para mim, é muito mais difícil uma atuação no silêncio do que com fala. Acho que a fala acaba sendo uma muleta, os atores têm onde se encontrar. E o Ari conseguiu dar tonalidades diferentes ao silêncio dele: nervoso, tímido. É um grande mérito dele, o trabalho dele é fabuloso."

A atriz Julia Bernat Divulgação

A excelente atriz Julia Bernat, que interpreta a namorada grávida, disse que o trabalho com o preparador Pedro Freire, co-roteirista do filme, foi fundamental. "Nesse mês de preparação em Saquarema, fizemos vários laboratórios criando situações da vida dos personagens", disse após o debate sobre o filme.

Entrevista com a atriz Julia Bernat 12/04/2016 Ouvir

"Houve um cuidado especial com as cenas mais intensas, ficamos isolados. Além disso, eu trabalho muito com a diretora de teatro Christiane Jatahy, que lida com a questão do descontrole e com o risco em cena. Então de alguma forma isso me ajudou, inclusive há reações que surgiram na momento da gravação."

Inspirações cinematográficas

As cenas de futebol do filme, fechadas no protagonista, tiveram duas influências. "A principal referência foi o Canal 100, semanário futebolístico que passava nos anos 1970 e 1980 antes dos filmes nos cinemas. Eles colocavam a câmera na altura da cintura e em câmera lenta, mostrando mais as pernas dos jogadores. E outra refência é o filme 'Zidane - Retrato de um Século', no qual os diretores colocam as 150 câmeras voltadas só para ele durante uma partida inteira de futebol. Isso casou muito com a nossa intenção, porque a gente quer o olhar para o Júnior, então não havia necessidade de mostrar todo o jogo", explica Rosenfeld.

O Canal 100 inspirou as cenas de futebol Reprodução

A câmera fixa também é uma constante no filme, com enquadramentos poéticos e plásticos. "Ela dialoga com o silêncio do personagem, que é quieto. A gente teve até a ideia de fazer a câmera se mexer mais quando o Bento estivesse em cena, porque ele é o personagem mais enérgico, que motivaria esse movimento. Além disso, sou muito apegado à estética, fico muito tempo desenhando um plano. E, como foi um filme de baixo orçamento com um tempo curto de filmagem, a gente não podia ficar fazendo opções de planos. Eu digo que esse não é um filme de opções, é um filme de decisões", diz o diretor.

E acrescenta: "Na medida que o filme vai progredindo, a gente vai tentando entrar cada vez mais entrar na cabeça do Júnior, e a nossa tradução em imagens foi mostrar cada vez menos o entorno dele. A gente vai excluindo o entorno. Primeiro a gente vai deixando-o fora de foco até não ter mais espaço fora da câmera".

Festivais pelo mundo

O filme estreou internacionalmente no festival de Karlovy Vary, na República Tcheca em julho do ano passado. Já passou por festivais em Washington, Chicago e Nova York (EUA), Biarritz e Toulouse (França), Tessalônica (Grécia), Adelaide (Austrália), Havana (Cuba) e Locarno (Suíça), onde ganhou o prêmio Carte Blanche. No Brasil, foi exibido no Festival do Rio, onde ganhou três prêmios (direção, ator e atriz coadjuvante) e passou por São Paulo (prêmio da crítica), Salvador e Recife (menção honrosa).

Os atores Julia Bernat e Ariclenes Barroso em cena de "Aspirantes" Divulgação

Nos eventos internacionais, Rosenfeld diz que sempre há uma pergunta sobre a relação entre Júnior e Bento que nunca surgiu nos festivais brasileiros. "Os espectadores estrangeiros dizem que esperavam uma relação homofaetiva entre os personagens por causa das primeiras cenas. Acho que no Brasil existe essa coisa de homem se tocar mais que do que os estrangeiros estão habituados, de falar 'eu te amo', de dar beijo", conta. "Para mim, essa visão é uma camada que me agrada."

Rosenfeld já está desenvolvendo dois novos roteiros. "Um é uma história de ficção sobre o 'duplo', uma pessoa que morre e é substuída por uma sósia. E o outro é um paralelo entrre a história da imigração judaica do leste europeu para o Brasil no início do século 20 e da migração nordestina para o Rio nos anos 1980. Um mistura da história dos meus avós e da moça que me criou."

Já a atriz Julia Bernat está viajando com o espetáculo "A Floresta Que Anda", que estreou em novembro no Rio e chega a Paris em outubro, com apresentações no Centquatre. "É livremente inspirado em 'Macbeth', de Shakespeare, misturando cinema e teatro. É na verdade uma performance videoinstalação."

 

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