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Cultura

Páscoa: novos livros questionam a forma de interpretar a ressurreição

media Vigília de Páscoa na catedral de Valletta, ilha de Malta. REUTERS/Darrin Zammit Lupi

A importância da ressurreição de Jesus Cristo, ponto central da celebração da Páscoa, fica clara nas palavras de São Paulo: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé”. Mas, no século 21, não seria preciso abandonar uma leitura literal da narrativa dos evangelhos para priorizar o significado da experiência da ressurreição? É a questão que propõe o bispo anglicano norte-americano John Shelby Spong, em seu livro “Ressurreição: mito ou realidade?”, que acaba de sair na França.

A RFI reuniu em seus estúdios em Paris dois autores franceses para debater a obra de Spong e o tema ressurreição. Jacques Musset, que foi padre durante 22 anos, é autor do livro “Repensar Deus em um Mundo Secularizado” que, assim como a obra do norte-americano, faz parte de uma coleção da editora francesa Karthala dedicada a questionar a fé. Nosso outro convidado foi Jean Duchesne, membro da Academia Católica da França, autor de “O oximoro da moda: o catolicismo minoritário”.

Musset afirma que a intenção da coleção de livros “Sens et Conscience” é fazer com que a fé cristã seja crível para as pessoas no mundo contemporâneo. Ele acredita que é preciso parar de repetir, mas sim recriar as narrativas cristãs. “Por recriar não quero dizer julgar o que foi feito antes. Em cada período e cultura as pessoas tentam traduzir sua fé no interior dessa cultura e de seu tempo”, afirma Musset.

O autor credita a essa dificuldade de comunicação uma suposta “indiferença” do mundo em relação ao cristianismo que existira hoje. Um problema de linguagem e da maneira de exprimir e representar coisas do passado. Ele reconhece que a sua proposta encontra resistência nos líderes católicos.

Ressurreição

Jacques Musset compartilha da interpretação do bispo americano John Shelby Spong sobre a ressurreição: trata-se de uma narrativa literária, não histórica. “Podemos ver que a expressão da fé na ressurreição, no Novo Testamento, é algo que evoluiu a partir da primeira proclamação de São Paulo”, afirma Musset.

A história do Túmulo Vazio – quando o corpo de Jesus não foi encontrado após o sepultamento – seria uma dessas narrativas feitas para exprimir ideias, entre elas a de continuidade. “O túmulo vazio é uma narrativa para dizer algo sobre Jesus, não é algo histórico. É uma forma literária para dizer algo de profundo”, defende Musset. “Os seres humanos precisam se expressar com os meios de que dispõem. Portanto, não se deve tomar esse testemunho como histórico, mas a expressão de uma convicção profunda. Dizer que Jesus crucificado é ressuscitado, quer dizer que ele é um Deus e que ele tem um futuro depois daquilo”, defende Musset.

Jean Duchesne, membro da Academia Católica da França, não concorda completamente. “Todos que estudaram os textos estão de acordo que os evangelistas tinham intenções, como, por exemplo, mostrar a continuação entre o velho e o novo testamento. Mas o fato deles terem essas intenções não nos impede de acreditar que tenha havido, da parte dos apóstolos, experiências de verdade”. Para Duchesne, não há apenas o Túmulo Vazio, mas também as aparições após a ressurreição. “A ressurreição é, por definição, um mistério, algo que nos ultrapassa. Toda intepretação é legítima. Mas se Deus é Deus, o que impediria que Seu filho morto voltasse à vida?”

Duchesne acredita que a ressurreição também serve para nos esclarecer sobre o significado da morte. “Não é para nos consolar da morte. A lição é que a morte não é o fim, mas pode ser um meio, se soubermos viver como Deus viveu, doando sua vida”, define.

Secularização

Os autores também debateram a secularização, o processo através do qual a religião perde a sua influência, notadamente no Ocidente e de forma ainda mais forte na Europa, onde o número de ateus é crescente. Duchesne defende uma tese polêmica, a de que a secularidade é uma “herança do próprio cristianismo”.

“A originalidade do cristianismo em meio a todas as religiões é um Deus criador e, portanto, diferente e distante de sua criação. Ele nos dá a liberdade de lhe dizer ‘não’. É neste senso que o cristianismo é, de certa maneira, o pai, sem saber ou querer, do que chamamos hoje de secularização”, defende o estudioso.

Para Jacques Musset, “houve um grande mal-entendido” entre os líderes católicos, quando do início do processo de secularização, no século 16, momento em que “os dirigentes religiosos viram com maus olhos a reivindicação de se pensar com a razão”. Para ele, este processo também exige uma adaptação da forma de comunicar a religião nos dias atuais. “Se nos apropriarmos destes textos na modernidade em que estamos, poderemos traduzi-los da nossa maneira e lhe dar uma imagem inédita”, finaliza Musset.

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