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Cultura

Lésbicas ganham visibilidade no cinema e na publicidade

media Cena do filme "Carol", com Rooney Mara e Cate Blanchett Divulgação

A representação do amor entre mulheres vive um boom no cinema, na publicidade e na moda, segundo reportagem publicada pelo jornal francês Le Monde.

O sucesso de filmes como "A Vida de Adele", de Abdellatif Kechiche, "Carol", de Todd Haynes, e "Free Love", de Peter Sollett, colocaram o tema em evidência e proporcionaram uma fonte de identificação para as mulheres lésbicas.

O mesmo acontece na publicidade, com empresas como Adidas, o banco norte-americano Wells Fargo e até uma marca de roupa indiana retratando esse segmento da sociedade, muitas vezes relegado a um segundo ou terceiro plano.

Cena do filme francês "A Vida de Adèle" Divulgação

"Acho essa representação muito positiva porque, até algum tempo atrás, na literatura, no cinema e nas artes em geral, quando havia amor entre duas mulheres, era sempre uma história trágica, com um final triste, geralmente envolvendo suicídio, alcoolismo ou loucura. Tenho uma colega que sempre diz que não há 'Sabrina' com duas mulheres, ou seja, um romance leve, sem tragédia. É importante e relevante que haja essas figuras identificatórias", disse em entrevista à RFI a psicanalista Anna Paula Pires.

Marcelle Esteves, vice-presidente do grupo gay Arco-Íris e membro da Articulação Brasileira de Lésbicas, acha que "a partir do momento que a sociedade pode ver e perceber a existência com naturalidade desses casais, isso proporciona maior entendimento e uma diminuição do preconceito, que ainda é muito grande".

Exposição significa mais aceitação

Julianne Moore e Ellen Page em "Free Love" Divulgação

Para a psicanalista, a presença de lésbicas na mídia pode fazer com que uma mulher aceite melhor sua atração por uma pessoa do mesmo sexo. "Pode ser um estímulo. Mas não cria algo que já não está lá. Acho que cada pessoa tem sua orientação sexual, desejo, gosto. Isso não vai aumentar o número de lésbicas, apenas pode liberar um desejo contido. Mas não vai incitar ninguém a virar gay, algo que muitas pessoas propagam erroneamente."

Marcelle concorda: "Acredito que, quando as relações forem vistas com naturalidade, as mulheres reprimidas por medo do preconceito podem abrir a possibilidade de reconhecer a sua lesbianidade".

A exposição na mídia também está servindo para quebrar estereótipos e diminuir a discriminação. Recentemente, a marca de roupas Anouk Ethnic criou o primeiro comercial com lésbicas da história da Índia, mostrando o casal se preparando para encontrar os pais de uma delas. "Tentamos evitar os estereótipos associados aos gays e fazer algo delicado", disse o produtor Avishek Ghosh ao jornal indiano "Times". O vídeo viralizou rapidamente em um país ainda dominado pela homofobia.

Casal de mulheres no Dia dos Namorados

Homenagem da Adidas ao Dia dos Namorados Divulgação

A marca esportiva Adidas, para comemorar o Dia dos Namorados este ano, colocou um post na sua página no Facebook com uma foto das pernas de duas mulheres, de frente uma para a outra, usando o mesmo modelo de tênis, possivelmente durante um abraço afeituoso ou um beijo, com a frase: "O amor que você recebe é igual ao amor que você dá".

A ação foi bombardeada de comentários negativos, como "Que vergonha, Adidas, vou comprar Nike agora", que a marca respondeu com um "Bye bye". A Adidas anunciou que introduziu uma cláusula em todos os seus contratos de patrocínio mostrando seu comprometimento com os direitos do coletivo LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros).

Cena do primeiro comercial indiano com um casal de lésbicas Divulgação

"Essas reações negativas são a prova de que ainda vivemos em uma sociedade patriarcal, permeada pelo machismo e pelo sexismo", afirma Marcelle. "Ainda hoje as mulheres foram feitas para casar, para servir aos maridos, para gerar filhos e ficar cuidando do lar. A partir do momento em que esses paradigmas são quebrados, que as mulheres dizem que não precisam de um homem e de um falo para ser felizes e ter prazer, a sociedade ainda se assusta."

Apesar do aumento da presença na mídia, Marcelle acha que ainda é pouco. "A gente precisa ainda de muito mais visibilidade na TV, nos filmes, nas capas de revistas, para que a sociedade efetivamente compreenda que as mulheres podem, sim, viver afetivamente e sentir prazer com outra mulher."

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