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Cultura

Cineasta Marcelo Gomes ganha retrospectiva no Festival de Toulouse

media Cineasta pernambucano Marcelo Gomes em Toulouse, onde acontece o Festival Cinélatino. RFI Brasil

A 28ª edição do Festival Cinélatino de Toulouse, que acontece até o dia 20 de março, destaca a obra do cineasta pernambucano Marcelo Gomes. A mostra "Outra Morada" faz a primeira retrospectiva da obra do brasileiro, exibindo seus quatro longas-metragens.

Adriana Brandão, enviada especial da RFI a Toulouse.

Marcelo Gomes tem uma relação especial com o Festival de Cinema latino-americano de Toulouse. Desde de seu primeiro longa, "Cinema, Aspirinas e Urubus", em 2006, o evento acolheu todos os seus filmes. Dois deles, "Viajo porque preciso, volto porque te amo", co-dirigido por Karim Aïnouz, em 2009, e "O Homem das Multidões", em 2014, venceram o prêmio máximo do Festival Cinélatino. O longa "Era uma vez eu, Verônica" participou do evento em 2011.

"Fico muito feliz. Essa é a minha primeira retrospectiva e ela é feita por um festival que sempre me recebeu com muito carinho", disse Marcelo Gomes em entrevista à RFI Brasil. O cineasta ressalta a importância do Cinélatino, que é um dos mais importantes do mundo, para o reconhecimento e visibilidade internacional dos filmes autorais produzidos no sub-continente.

A obra de Marcelo Gomes, sempre na fronteira entre documentário e ficção, nunca ganhou uma retrospectiva no Brasil : "O ditado ‘santo de casa não faz milagre’ continua funcionando, infelizmente", lamentou. O cineasta também participou em Toulouse do "Cinema em Desenvolvimento", com o projeto de seu próximo longa-metragem "Relato de um Certo Oriente", adaptado do romance de Milton Hatoum.

"Vai ser um Boat Movie, sobre a migração dos libaneses para a Amazônia. Uma história muito contemporânea sobre intolerância religiosa", adianta.

Cinema pernambucano em alta

Além da retrospectiva de Marcelo Gomes, o Cinélatino de Toulouse também abriu espaço para a produção de jovens cineastas de pernambuco. O evento deu carta branca ao Festival Janela Internacional de Recife que selecionou cinco curtas-metragens produzidos no estado para mostrar ao público francês o potencial cinematrogáfico da região.

"As pessoas me perguntam por que Pernambuco é esse celeiro incrível de talentos e eu respondo que milagres não se explicam!", brinca Marcelo Gomes. Para ele, essa geração de cineastas, formada também por nomes como Kleber Mendonça e Gabriel Mascaro, nasceu em um estado que não tinha tradição cinematográfica, mas que tem uma cultura tradicional muito forte.

"Acho que pegamos esse caldo cultural de 450 anos de Recife e de Olinda, dessa cultura complexa que é a cultura canavieira, e trouxemos para os nossos filmes. Acho que a gente tem muito a dizer para o mundo da nossa terrinha lá em Pernambuco", resume Marcelo.

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