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Brasil

De Arnaldo Baptista a Dado Villa-Lobos, músicos reverenciam Bowie

media Dado Villa-Lobos diz que David Bowie inspirou a Legião Urbana Divulgação

A morte do cantor e compositor britânico David Bowie no domingo (10), aos 69 anos, provocou uma enorme onda de homenagens nas redes sociais - anônimas e de famosos. Ele morreu dois dias depois do seu aniversário e de lançar seu 25° álbum, Blackstar. Muitos músicos brasileiros admiravam e foram influenciados pelo camaleão do rock. Leia abaixo e ouça as entrevistas completas depois do texto.

O músico Dado Villa-Lobos, 50, que foi guitarrista da lendária Legião Urbana, conta que ficou chocado com a notícia. "Eu tinha passado a tarde de domingo ouvindo o último CD dele, Blackstar. Eu estava na academia quando vi a notícia na CNN. Eu chorei, fiquei chocado. É um artista que fez parte da minha formação musical, sem dúvida, desde a primeira vez que eu ouvi o disco Transformer, do Lou Reed, com produção do Bowie. E é ele que toca o saxofone final em Walk on the Wild Side", afirma.

Para ele, o artista inglês foi "um mito, um grande ídolo, uma presença musical intensa, assim como os Rolling Stones e os Beatles". "Ele foi uma referência do mais alto nível como artista, como compositor, como um cara que fez rock e pop, mas transcendeu qualquer rótulo", completa.

Arnaldo Baptista é fã da fase Ziggy Stardust Divulgação

Para Arnaldo Baptista, 67, que foi baixista e tecladista da banda de rock Os Mutantes, a notícia foi "inesperada e assustadora". "Tem morrido tanta gente do rock, como o Jack Bruce. O David Bowie era interessante porque ele explorava o universo dos astronautas e da ficção científica na música, além de cantar e de dançar bem".

Ele continua: ""Bow(ie) em inglês quer dizer 'arco' de 'arco e flecha' ou 'inclinação em reverência'. Ele me remetia às tradições inglesas e à modernidade, com a maquiagem e os astronautas", conta o músico, que atualmente prepara um CD novo voltado para a consciência ambiental.

Baby do Brasil: "à frente do seu tempo"

A cantora Baby do Brasil, 63, que foi integrante do grupo Novos Baianos de 1969 a 1979, estava em um retiro espiritual em Goiás quando recebeu a notícia. "Fiquei pensando: um talento, um cara jovem ainda. Soube que foi por câncer, fiquei muito triste, gostaria que ele não tivesse sofrido, que tivesse sido natural." Para ela, Bowie foi um artista extremamente criativo, "muito à frente do seu tempo".

Já Chuck Hipolitho, vocalista e guitarrista da banda de rock alternativo Vespas Mandarinas, achava que Bowie era o "tipo de pessoa que nunca ia morrer". "Foi a minha namorada que me mandou um sms contando. Você realmente não espera. Ele tinha acabado de lançar um disco. A arte dele era tão transcendental, universal e atemporal, e ele era a própria arte, que era difícil acreditar que isso fosse acabar. E de fato ele não morreu. Ele vai estar aí sempre na arte que ele fez. Mas eu fiquei bem triste", revela o músico, que prepara novo CD, com participação de Marcelo Yuka e de Leoni e inspiração no pós-punk inglês, de grupos como The Cure, Joy Division e The Smiths.

Influência e referência

Baby do Brasil compara a sua extravagância à de Bowie Divulgação

Dado conta que Bowie influenciou a Legião Urbana. "Ele era um modelo de artista a ser seguido, entendido e absorvido. Em 1983, quando aquela banda de Brasília estava começando, ele lançou Let's Dance. Foi mais uma vez avassalador e incrível, e as pessoas entendiam e vibravam com aquilo. A partir do momento que a música faz você vibrar, você vai fazer com que ela continue vibrando no que você faz", analisa o músico, que continua com a turnê dos 30 anos do primeiro CD da Legião Urbana e prepara um disco novo, além de ter retomado o seu selo, Rockit.

Arnaldo Baptista e Baby do Brasil, cujos grupos foram contemporâneos de Bowie nos anos 1960 e 1970, contam que não chegaram a ser influenciados pelo artista. Mas Baby tinha uma fascinação por Bowie: "Eu o conheci no início da minha carreira e sempre tive uma curiosidade em relação à forma como ele pensava e por que ele era tão camaleão. Eu também gosto de extravagância, mas também gosto de terno, de gravata, de vestido longo. E eu via isso no Bowie, que ele curtia o lado muito louco dos cabelos e das roupas diferentes, mas também o terno, uma série de coisas que pareciam não combinar com o outro lado dele", conta.

E continua: "Eu tenho isso também: posso acordar de longo e botar um véu pra tomar meu café da manhã. Eu sempre percebi nele a facilidade de mudar com um humor gostoso, sem o estigma de manter o mesmo estilo a vida inteira, mas de ser livre em todos os aspectos".

"Sem Bowie não haveria Madonna"

Chuck diz que a influência de Bowie foi inevitável. "Influenciou certamente porque eu toco rock. Não tem como você pensar no rock sem o David Bowie. Não tem como você pensar na música pop sem o David Bowie. Não existiria Lady Gaga sem o Bowie, não existiria a Grimes, que é uma artista nova, nem a Madonna. A influência dele às vezes é direta, mas, na maioria das vezes, é indireta. Mas ele está em tudo, sempre vai estar", diz.

Chuck Hipolitho diz que seu CD favorito é "Let's Dance" Divulgação

O músico diz que a atitude de Bowie também o inspirou. "Ele me inspirou em não ter medo de arriscar, não ter medo de seguir a intuição, não ter medo de conversar com mundos que você talvez não tenha a capacidade de entender. Você pode tentar se entender com qualquer coisa, com qualquer pessoa, com qualquer forma de comunicação. Era isso que ele tentava fazer, era esse o poder de transcendência dele", afirma o cantor, que se inspirou na liberdade de se vestir de Bowie para o look da banda no show do Festival Lollapalooza.

Para ele, Bowie tinha um poder quase sobrenatural: "Se aparecesse uma raça alienígena na Terra, inteligente ou não, talvez o David Bowie fosse a única pessoa capaz de se comunicar com essa nova forma de vida. Eu acho que esse era o poder de comunicação dele. É isso que influencia todo mundo".

Discos e fases preferidas

O CD preferido de Dado Villa-Lobos é Hunky Dory (1971). "Eu ouvi até furar. Tem muitas canções lindas, que são grandes clássicos, como Changes e Life on Mars?. Gosto muito dessa fase, dos anos 1970. Até o Heroes depois, com o Brian Eno, o Low, mais experimental. Todas as fases são muito relevantes."

Chuck diz que as pessoas geralmente citam a trilogia de Berlim, "uma fase obscura, super experimental", mas o seu trabalho preferido é o álbum Let's Dance (1983). "É pelo qual eu tenho mais carinho, que me dá mais alegria e tesão. Foi quando ele voltou da fase berlinense. Eu sei que não é o disco mais artístico, visceral ou denso, mas é meu preferido. E meu Bowie favorito é o Starman", revela.

David Bowie na fase Ziggy Stardust nos anos 1970 Wikipedia

Baby curte a fase do grupo de hard rock Tin Machine, que Bowie formou em 1988 com o guitarrista Reeves Gabrels. "Toda a minha família curte esse período, além, claro, dos grandes hits", diz a cantora, que prepara um novo CD, que incluirá o cover de uma canção de Tina Turner. Já Arnaldo Baptista prefere o CD The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, e a sua canção favorita é Starman.

Último CD: Blackstar

Chuck conta que ouviu Blackstar, há três dias, até a metade. "É aquela coisa: como esse cara pode estar usando os ingredientes que todo mundo já usou e ele mesmo ajudou a inventar e, mesmo assim, parece que você está ouvindo algo futurista, contemporâneo e atemporal? Essa era a capacidade dele de produzir arte. Mas não cheguei a fixar o disco nem li o nome das músicas."

Já Dado disse que ouviu o CD como trilha de fundo de um almoço. "Em princípio rolou estranhamento, mas não estava ouvindo com atenção total. Tinha melodias e harmonias com um lado oriental, o que chamou a minha atenção e poderia até parecer uma despedida..."

Entrevista com Dado Villa-Lobos 11/01/2016 Ouvir

Entrevista com Arnaldo Baptista 11/01/2016 Ouvir

 

Entrevista com Baby do Brasil 11/01/2016 Ouvir

Entrevista com Chuck Hipolitho 11/01/2016 Ouvir

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