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Cultura

Mathias Enard, escritor apaixonado pelo Oriente, vence prêmio Goncourt

media O escritor francês Mathias Enard, com seu livro premiado pelo prêmio Goncourt,"Boussole", nesta terça-feira (3) em Paris. REUTERS/Benoit Tessier

O Goncourt, prêmio mais prestigioso da literatura da França, foi concedido na tarde desta terça-feira (3) ao escritor Mathias Enard pelo livro "Boussole" (Bússola, tradução livre). Na obra, o autor conta a história de um musicólogo austríaco que faz um inventário de sua vida e uma viagem mental ao Oriente durante uma noite de insônia. Enard, um apaixonado pelo mundo árabe, se declarou "extremamente feliz" com a distinção.

Descrito pela imprensa francesa como "sensual e sábio", o romance "Boussole", publicado pela editora francesa Actes Sud, é uma história conectada com a realidade, com personagens afetados pelos recentes acontecimentos no Oriente Médio, como a guerra na Síria, por exemplo. Não por acaso, ele é dedicado por Enard "aos sírios".

Na obra, o protagonista, Franz Ritter, recebe um grave diagnóstico médico. Durante uma noite de insônia em que fuma ópio para aliviar a dor, o austríaco revê sua vida, coroada com viagens, estudos, surpresas e uma grande paixão, a personagem Sarah.

Com "Boussole", Enard encerra um ciclo de relações entre o Oriente e o Ocidente que começou em 2003 com a obra "La Perfection du Tir" (A Perfeição do Tiro, tradução livre). O livro é o sexto publicado pelo autor de 43 anos.

Estilo "complexo"

A mídia francesa ressalta, no entanto, que "Boussole" não é a obra mais acessível do escritor, que tem um estilo constantemente classificado como "complexo". Enard, no entanto, não compartilha dessa opinião: "Eu simplesmente escrevo: basta abrir um de meus livros para se dar conta que sou muito menos assustador do que eu ouvi por aí", disse, em entrevista à revista Le Point.

Nascido na cidade de Niort, no oeste da França, Enard viveu em Damasco e Beirute, onde aprendeu árabe, e em Teerã, onde se dedicou ao aprendizado da língua persa. Hoje, ao ser anunciado como o vencedor do Goncourt, ele voltava de uma viagem à Argélia e ao Líbano.

As obras que recebem o Goncourt vendem, em média, 400 mil exemplares, e dão ao vencedor uma grande visibilidade na França e nos países francófonos. Os livros de Enard não foram traduzidos ao português do Brasil e poucas deles foram publicadas em Portugal.

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