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Turnê europeia de Gil e Caetano chega a Paris

Turnê europeia de Gil e Caetano chega a Paris
 
gilbertogiloficial/facebook

“Dois Amigos, um Século de Música” é o nome da turnê europeia de Gilberto Gil, 73, e Caetano Veloso, 72, que começou na Holanda, no último dia 25 de junho, passa por Paris nesta segunda-feira (6) e só termina no início de agosto, no festival de jazz de Marciac, na França. Entre as paradas, eles se apresentam no festival de jazz de Montreux, na Suíça, e em Tel-Aviv, em Israel.

Eles praticamente dispensam apresentações, pelo menos na França. Gil é o mais conhecido, também pelo fato de ter sido ministro da Cultura. “Ele trabalhou muito para isso, vindo para a Europa todos os verões, todos os anos, nem que fosse só com o violão”, conta Véronique Mortaigne, crítica de música do influente jornal francês Le Monde. “Já Caetano ganhou fama internacional depois de aparecer cantando ‘Paloma’ no filme ‘Volver’, de Pedro Almodóvar”, acrescenta.

Os dois baianos se conheceram nos anos 60 e logo se tornaram parceiros. No final dessa década, no convulsivo ano de 1968, Gil e Caetano tomaram a frente do movimento Tropicalista, que, junto com outros grupos, músicos e artistas como Tom Zé e os Mutantes, eles enxertaram e mesclaram ritmos brasileiros com as influências contemporâneas da época, como o rock. O manifesto musical foi o álbum “Tropicália ou Panis et Circensis”.

Juntos ou separados

Em 1976, foi a hora de formar um novo grupo, os Doces Bárbaros, que contava com as também conterrâneas Gal Costa e Maria Bethânia. Juntos, separados, ou em outras formações, Gil e Caetano nunca deixaram de experimentar e inovar sons e poesias. “Eles são muito importantes, pois fizeram uma reflexão sobre a arte e a música, desde o Tropicalismo”, diz a crítica do jornal Le Monde. “O fato de eles virem do Nordeste, da Bahia, também teve uma influência, pois era uma maneira diferente de se fazer música na época”, acrescenta.

A música de Gil e Caetano também marcou e marca as novas gerações francesas. Chloé Deyme é uma cantora e compositora francesa cujo trabalho é carregado de influências brasileiras. “Eu cresci ouvindo Gil, Caetano, João Gilberto, Baden Powell e outros, em casa, por causa dos meus pais, que gostavam muito de world music e bossa nova”.

Ela cita a fase na qual Caetano fez o álbum “Livro”, com “pegada de percussão baiana forte e intelectualismo” e Gil compôs a trilha de “Eu, Tu, Eles”, como marcos importantes de suas carreiras. Mas o álbum preferido de Chloé é “Quanta Gente Veio Ver”, de Gil: “é o melhor álbum de música ao vivo que eu conheço, até hoje ouço pelo menos uma vez por semana”. “Já Caetano tem uma capacidade impressionante de se expressar pela voz”, diz Chloé.


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