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Diretora brasileira cria em Paris peça que é filme ao mesmo tempo

Diretora brasileira cria em Paris peça que é filme ao mesmo tempo
 
Cena de "E se elas fossem a Moscou", de Christiane Jatahy. ® Marcelo Lipiani

Peça ou filme? Ou os dois ao mesmo tempo? O espectador pode escolher se quer ver a peça de um lado da sala ou do outro, o filme em tempo real, sendo produzido simultaneamente. A proposta é da peça “E se elas fossem a Moscou?”, uma releitura da peça “Três Irmãs”, do russo Anton Tchekov (1860-1904). A criação e direção são da brasileira Christiane Jatahy.

O espetáculo foi apresentado no Festival Temps d’Images, do Centro Cultural 104, de Paris, que também co-produziu o projeto. A história gira em torno de três irmãs, no aniversário de uma delas, um ano depois da morte do pai. Elas debatem mudanças, amores e a passagem do tempo.

As irmãs são vividas por Isabel Teixeira, Julia Bernat e Stella Rabello. O palco é dividido também com um outro ator-cameraman e um ator-músico. As câmeras seguem ou são manipuladas pelas próprias atrizes. Espectadores também são convidados a participar de algumas cenas.

Transgressões de linguagens

Christiane Jatahy explica que o projeto segue a linha de trabalho que ela vem desenvolvendo há algum tempo, pesquisando as fronteiras entre teatro e cinema, as relações entre ator e personagem, e a realidade e ficção. “A ideia do formato utilizado em cima das Três Irmãs é que eu queria provocar no telespectador a mesma sensação que as personagens do Tchekov têm sobre o desejar e o saber que existe um outro lugar onde elas poderiam estar, um lugar utópico."

A diretora enfatiza a diferença entre as duas linguagens – cinema e teatro – que estão, ao mesmo tempo, separadas e integradas. “O filme não é um teatro filmado, ainda que seja filmado no teatro”, explica. Ela conta que o mais essencial do projeto foi o trabalho, “de lapidação”, com as atrizes, para que as atuações coubessem em ambas as mídias. “A dificuldade é que o teatro é feito para fora, como ideia, ao contrário do cinema; e a gente percebeu que é possível estar inteira e plena nas duas artes se você estiver fazendo aquele momento com verdade”

No momento, Christiane Jatahy é  artista residente do 104. Em novembro, o 104 vai reapresentar sua peça Julia, baseada em Senhorita Julia, de Strindberg, que fez sucesso no festival Temps d'Images do ano passado.
 

Cena da peça “E se elas fossem a Moscou?” ® Marcelo Lipiani


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