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Fundação Cartier de Paris comemora 30 anos com exposição

Fundação Cartier de Paris comemora 30 anos com exposição
 
Vista da Exposição "Memórias Vivas" na Fundação Cartier. Fondation Cartier

A Fundação Cartier para a Arte Contemporânea comemora três décadas, período em que se estabeleceu como um endereço obrigatório do circuito artístico de Paris. Para marcar a data, o prédio concebido pelo arquiteto Jean Nouvel acolhe a mostra “Memórias Vivas”, com a participação de artistas que fizeram a história da fundação.

Emmanuelle Gaudefroy, diretora de programação e de projetos artísticos, conta que a missão da fundação é promover a arte contemporânea, através de mostras, de formação de acervo, que hoje conta com cerca de mil e trezentas peças, e de encomendas a artistas. Depois de dez anos instalada em Jouy-en-Josas, perto de Versalhes, a Fondation Cartier ganhou uma sede e local de exposição em Paris.

Ao longo das três últimas décadas, a fundação organizou mostras que viraram marcos, como a das esculturas hiper realistas do australiano Ron Mueck, que está em cartaz no Rio de Janeiro até o dia 1° de junho.

Yanomami

Em 2003, foi a vez de “Ianomami, Espírito da Floresta”, a partir do trabalho fotográfico da brasileira (nascida na Suíça e criada na Hungria) Claudia Andujar. Ela conheceu os yanomami em 1970 e virou uma das grandes defensores da causa dessa etnia, ameaçada durante muito tempo por invasões, garimpeiros e ações governamentais equivocadas.

O estilista Issey Miyake, os cineastas David Lynch e Takeshi Kitano e a brasileira Beatriz Milhazes também se apoderaram do espaço da fundação em mostras individuais.

Em “Memórias Vivas”, vários dos protagonistas desses 30 anos são os convidados de honra. Entre eles, o brasileiro Véio, nome artístico de Cícero Alves dos Santos, com suas esculturas primitivas de madeira.

Véio, sem título, 2008, escultura em madeira, 88 x 22 x 83 cm, coleção Fondation Cartier pour l’art contemporain, Paris, (aq. 2012) © photo Isabella Matheus © Véio

Sertão

O autodidata Véio, nome artístico de Cícero Alves dos Santos, é um exemplo do olhar explorador e inovador da Fundação Cartier. “Nunca fui a uma escola de arte, nunca copiei ninguém”, diz Véio, que trabalha a partir de restos de árvores que ele encontra na região. “Moro numa região de muito desmatamento, onde se queima muita madeira. Eu pego esses restos, praticamente mortos, e eu os ressuscito”, explica o artista.
 


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