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Mostra sobre paparazzi cria polêmica a respeito da estética da fotografia

Mostra sobre paparazzi cria polêmica a respeito da estética da fotografia
 
Kate Moss, fotografada por Bruno Mouron, durante a Fashion Week, Paris, 1992. centrepompidou-metz.f

Os paparazzi, os chamados ladrões de imagens de personalidades, vêm chamando muita atenção na França. Primeiro foi o flagrante do presidente François Hollande em escapadas românticas, o que provocou a “queda” da então primeira-dama, Valérie Trierweiler. Agora, uma exposição do Centro Pompidou-Metz, no nordeste do país, dedicada a esse tipo de fotógrafos tem gerado muita polêmica, levantando discussões sobre a ética da profissão e também sobre o aspecto estético. A pergunta em jogo é: “esse tipo de fotografia é arte?”.

Clément Chéroux, um dos curadores da exposição, explica que os paparazzi ficam à espreita durante longos períodos, mas o instante da foto é muito rápido. Além disso, eles trabalham com materiais nada discretos, como teleobjetivas e flashes. “O que buscamos compreender foi como é que essas limitações criaram uma estética involuntária”.

Ele ressalta que os paparazzi não são artistas. “O que nos interessou mostrar foi como é que essa estética involuntária acabou interessando alguns artistas, principalmente a partir dos anos 60, com a arte pop”. Chéroux cita Andy Wahrol e Helmut Newton, que se inspiraram em imagens fora de foco e sem enquadramento de paparazzi.

A exposição traz flagrantes famosos de personalidades como Jackie Kennedy Onassis, Mick Jagger, Kate Moss, Elisabeth Taylor, Marlene Dietrich e muitos outros. Tem também os retratos de paparazzi que fotografam paparazzi. A mostra inclui ainda apetrechos utilizados pelos “ladrões de imagens”, além de seminários, encontros com paparazzi e projeção de filmes.

Soft paparazzi

A fotógrafa brasileira Soraya Ursine acompanha há muito tempo personalidades que circulam pelo festival de cinema de Cannes, no sul da França. Ela defende o estatuto de “artista” para o paparazzi. “Foi ele quem privilegiou a foto espontânea – por ser um ladrão de imagens, a foto deixou de ter um padrão estético rígido e passou a ser mais valorizada como arte”.

Soraya cita um outro tipo de fotógrafo de personalidades bastante em voga: o “soft” paparazzo. Trata-se de um profissional contratado especialmente para clicar uma pessoa como se ela estivesse sendo flagrada, um artifício bastante usado para a promoção de artistas.

A mostra Paparazzi! Fotógrafos, estrelas e artistas fica em cartaz no Centro Pompidou-Metz até o dia 9 de junho de 2014.
 


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